Vulcão em erupção

Filmes do alemão Werner Herzog buscam imagens raras da natureza e investigam questões fundamentais do ser humano

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© Divulgação

O alemão Werner Herzog é o cineasta do impossível. Seus filmes buscam as imagens mais raras da natureza – as profundezas de uma caverna que permaneceu esquecida por 30 mil anos ou pontos quase inacessíveis da floresta amazônica e da Antártida – e também o ser humano em seus momentos mais extremos. Em Fitzcarraldo (1982), por exemplo, ele conta a história da obsessão de um homem que deseja construir uma ópera na Amazônia: para isso, ele precisa transportar um enorme navio pelo alto de uma montanha. Já no documentário O homem urso (2005), ao investigar a paixão de um ambientalista por ursos-pardos, seu registro acabou em tragédia: o protagonista foi devorado por um dos animais.

Em seu filme mais recente, Visita ao inferno (2016), produzido pela Netflix, Herzog viaja o mundo em busca de vulcões, acompanhado do vulcanólogo Clive Oppenheimer. O cineasta leva sua câmera vertiginosamente para o interior das crateras de magma, capturando o balé da lava em ebulição. No entanto, mais além dos vulcões, o que interessa a Herzog são os mitos construídos ao redor das crateras pelas sociedades que ali se formaram: o povo de um vilarejo no arquipélago de Vanuatu, que acredita haver espíritos morando no vulcão; a poesia épica da Islândia inspirada pelas explosões ao longo dos séculos; e mesmo a origem do atual regime da Coreia do Norte, para quem o Monte Paektu – um vulcão ativo – é a origem espiritual do país.

Aos 74 anos, Herzog tem uma obra prolífica: são dezenas de filmes, longas e curtas, sobre os temas mais variados. Em seus documentários, uma característica marcante é seu estilo de narração em off: textos poéticos, breves e declamados em inglês com forte sotaque alemão. Como em quase toda sua obra, especialmente a documental, seus filmes não se restringem a uma narrativa “técnica” ou isenta sobre o tema abordado – como nos documentários sobre a vida selvagem ou grandes construções comuns na TV. Seu tema é apenas uma abertura para investigar questões fundamentais da humanidade: o que nos trouxe até aqui? Como a natureza e o que é humano moldam um ao outro? O que leva o ser humano a obsessivamente tentar descobrir suas origens? Assim, Visita ao inferno é um dos filmes mais bem-acabados sobre o que é o cinema de Herzog.

 

O alemão Werner Herzog e seu Visita ao inferno, filme que explora incríveis imagens e mitos em torno da figura do vulcão

O alemão Werner Herzog e seu Visita ao inferno: à sombra de mitos e vulcões | © Divulgação

 


Filmoteca

aguirreAguirre, a cólera dos deuses (1972)

Em meados do século 16, Don Lope de Aguirre (Klaus Kinski, em seu primeiro trabalho com Herzog) comanda uma expedição espanhola ao longo do rio Amazonas em busca da cidade mítica de El Dorado. Com tomadas espetaculares da floresta, o filme é capaz de abordar uma variedade de temas enquanto acompanha a crueldade e a loucura crescente de Aguirre.

 

Kaspar HauserO enigma de Kaspar Hauser (1974)

Baseado na história real de Kaspar Hauser, um jovem com dificuldades para andar e falar que apareceu perambulando por Nuremberg em 1828 com uma carta nas mãos. Ele contava ter sido mantido preso durante toda sua juventude e não sabia por que havia sido libertado. Sua estranha lógica se transformou em fonte de curiosidade.

 

fitzcarraldoFitzcarraldo (1982)

O barão da borracha Bryan Sweeney Fitzgerald, ou Fitzcarraldo, para os nativos de Iquitos, Equador, onde ele vive no início do século 20, tem um desejo obsessivo de construir uma ópera no interior da Amazônia. Para isso, precisa encontrar um caminho de exploração de borracha e atravessar por terra um navio de toneladas. Com José Lewgoy e Grande Otelo.

 

Homem ursoO homem urso (2005)

O ambientalista americano Timothy Treadwell isolou-se por 13 anos no Alasca para filmar a vida dos ursos-pardos – junto com a namorada, seria devorado por um deles. Por meio de entrevistas e acesso aos vídeos de Treadwell, Herzog investiga a personalidade confusa do seu personagem e tenta entender como essa paixão desmedida pela natureza culminou em tragédia.

cavernaA caverna dos sonhos esquecidos (2010)

Descoberta apenas em 1994, a caverna de Chauvet, no sul da França, guarda pinturas rupestres produzidas há cerca de 30 mil anos. Para Herzog, que foi autorizado a filmar dentro da caverna por pouco tempo e com uma equipe reduzida, apenas a tecnologia 3D seria capaz de revelar as intenções dos ancestrais que desenharam as mais antigas imagens conhecidas.

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