Um embate histórico

Estudos sobre a importância dos afetos para a aprendizagem remontam a vários séculos e ganharam impulso com movimentos como a psicanálise

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Pintura de Karl Grob retrata Pestalozzi ensinando as crianças

Vem de longe o ideal ocidental que busca a separação entre razão e emoção. Ainda na Antiguidade, na Grécia, Aristóteles (384-322 a.C.) já afirmava categoricamente: “os sentimentos residem no coração e o cérebro tem a missão de esfriar o coração e os sentimentos”. Na chamada Idade Moderna, o pensamento de René Descartes (1596-1650) serviu para extrapolar esta dicotomia. O método proposto por ele foi revolucionário para as ciências e aprofundou um olhar mecanicista e racional do funcionamento do universo – influenciando todas as áreas do conhecimento. Esta visão ganharia reforço com outros pensadores influentes como Imannuel Kant (1724-1804) para quem “a razão é superior e as emoções e sentimentos são a enfermidade da alma”. “Tinha-se neste período uma ideia muito instrumental da escola, como um local para a obtenção de tipos específicos de conhecimento capazes de possibilitar o avanço do pensamento e a perpetuação da cultura através do estudo da língua e das artes”, aponta o professor Luciano Mendes de Faria Filho.

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Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) é considerado um dos grandes precursores do pensamento sobre a importância dos afetos para a aprendizagem. Ele acreditava que o amor, sobretudo o amor materno, era capaz de desenvolver potenciais e fazer com que as crianças encontrassem dentro de si sua fagulha divina. A escola devia ser, nesse sentido, uma extensão do lar, um ambiente de acolhimento e afeto.

Ideias capazes de questionar seriamente o pensamento racionalista dentro do campo da Educação só viriam, porém, no fim do século 19 e início do século 20, quando o Ocidente foi sacudido por conceitos como o inconsciente (trazido pelo movimento psicanalítico), que colocava em xeque a ideia dicotômica de sujeito. Além de mais complexo, o sujeito também passaria a ser entendido como ativo dentro do processo de aprendizagem, uma visão que seria explorada por pensadores como Lev Vigotski e Jean Piaget e levaria a movimentos como do da Escola Nova. As interações culturais, também acrescidas de complexidade, entram nesta baila conceitual­ levando a escola a pensar sobre si mesma e suas práticas.

“Aqui no Brasil nós assistimos, a partir dos anos 30 do século passado, a diversas iniciativas de escolarização apontando para um modelo que valorize as relações e os afetos – não apenas entre alunos e professores mas também desses com o seu meio. Até hoje é possível encontrar várias iniciativas deste tipo – ainda que, proporcionalmente, elas sejam pouquíssimas”, afirma o professor Mário Sérgio Vasconcelos.

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