Para trabalhar, não basta conhecimento

Alunos desenvolvem competências para o exercício profissional e começam a se destacar no mercado

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Celso Lisboa: treinamentos intensos para preparar os professores

Quando conseguem o primeiro emprego, muitos estudantes experimentam a incômoda sensação de que não sabem fazer nada, ainda que tenham dedicado os últimos quatro ou cinco anos de suas vidas ao exercício daquela profissão. Como isso é possível? Maitê Russo, gerente de Inovação Pedagógica do Centro Universitário Celso Lisboa, tem a resposta: no mercado, as pessoas não trabalham com o saber em sua forma pura. Os conhecimentos precisam ser aplicados e combinados, o que é muito mais complexo.

Para realizar uma pesquisa de marketing, por exemplo, o egresso do curso de Administração precisará resgatar o que aprendeu nas aulas de matemática, introdução ao marketing, estatística e sociologia, para citar algumas delas. Porém, de maneira geral, essas disciplinas estão distribuídas ao longo dos períodos, na maioria das vezes sem qualquer conexão. A competência para realizar uma pesquisa de marketing, portanto, não é trabalhada, apesar de sua importância.

A constatação desse problema motivou a instituição carioca a adotar no segundo semestre de 2016 o ensino por competências. Para cada um dos cursos, foi definido um conjunto delas. Desenvolver modelos de negócios inovadores, escaláveis e sustentáveis é um exemplo de competência trabalhada no curso de Administração. Estruturar programas de alta performance em esportes olímpicos e paraolímpicos está no programa de Educação Física. Em todos, busca-se desenvolver o pensamento crítico, a colaboração e o tripé autonomia, responsabilidade e solidariedade.

Para conseguir isso, os conhecimentos foram reagrupados, mudança que trouxe uma série de impactos. Os professores agora planejam em conjunto as aulas, que, aliás, mudaram radicalmente com o emprego das metodologias ativas. A avaliação também foi alterada. “Hoje a nossa avaliação é holística”, garante Maitê.

Como o conteúdo não é a única coisa que importa, os professores mensuram, inclusive a aquisição de habilidades e atitudes que integram as competências trabalhadas em cada período. Como uma análise unilateral desse tipo poderia se tornar subjetiva, a escola adotou o modelo de avaliação 360 graus. Os alunos são avaliados por seus pares e pelos professores, além de se autoavaliarem.

O perfil de professores também foi remodelado, tanto que todos passaram por um extenso e intenso programa de capacitação. Os novatos levam, no mínimo, quatro meses para entrar em sala de aula, tamanha a carga de treinamentos. Os resultados já apareceram. Muitas empresas foram convidadas para conhecer o novo modelo de ensino e agora estão disputando os alunos no mercado de trabalho.

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