Educadores e gestores desenvolvem uma trilha para instituições se transformarem

Framework de Inovação para IES foi elaborado por especialistas reunidos pelo Semesp e chega para auxiliar o setor

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Mantenedores e diretores precisam repensar o propósito institucional e, se necessário, refundá-lo com outros valores (foto: divulgação)

Não faltam fontes de inspiração para inovar, poderiam dizer diretores acadêmicos e coordenadores pedagógicos de centenas – talvez milhares – de instituições de ensino pelo Brasil. As notícias, as missões técnicas e os eventos na área da educação sempre destacam casos de instituições que estão mudando o jeito de ensinar e de se gerenciar e, com isso, conquistando o engajamento dos alunos, a aprovação do mercado de trabalho, entre tantas outras vantagens.

Mas entre o desejo de mudar e a implantação propriamente dita das mudanças há um longo percurso, quase sempre problemático. Muitos não chegam ao final, provavelmente a maioria. Quantos diretores e coordenadores que pararam pelo caminho não poderiam dizer que faltou colaboração dos professores? E quantos não apontariam a escassez de recursos e a falta de apoio da alta direção da IES?

Por se tratar de um problema recorrente, um grupo de especialistas reunidos pelo Semesp desenvolveu o Guia Framework de Inovação para IES. De acordo com Fábio Reis, diretor de Inovação Acadêmica e Redes de Cooperação do Semesp, o objetivo do material é ajudar as instituições a inovar tanto em sala de aula, quanto nas atividades de gestão, apresentando um caminho implantado com sucesso por algumas universidades, faculdades e centros universitários.

A trajetória começa com a reformulação, se preciso, do propósito institucional (veja todas as etapas no gráfico abaixo). Nesta etapa, a alta direção, os gestores e mantenedores devem refletir sobre como gostariam de se inserir nessa sociedade em transformação, pensando, inclusive, no impacto que gostariam que seus profissionais tivessem no mercado. Esse processo pode ser bastante complexo, principalmente se houver o entendimento de que é preciso refundar a instituição, adotando nova missão, visão e valores.

Feito isso, é preciso inspirar os demais diretores e toda a comunidade acadêmica para que a postura da instituição como um todo mude. Incentivar a participação em missões técnicas, além de congressos nacionais e internacionais, e a realização de visitas a instituições de ensino inovadoras e/ou espaços de inovação, como incubadoras, podem contribuir com esse processo, aponta a experiência.

Rápido e barato

Os passos seguintes são a realização e a validação de projetos nos moldes das empresas mais inovadoras. Primeiro elas definem os projetos que serão implantados (bem como os recursos que serão necessários para realizá-los e seus objetivos), para depois realizar testes em pequena escala.

O objetivo é verificar a viabilidade dos projetos na prática sem causar grandes prejuízos caso eles se mostrem inviáveis ou problemáticos. A estratégia também confere agilidade e, principalmente, confiança aos gestores que estão liderando os processos. “A validação torna o caminho para a inovação mais firme”, resumiu Wagner Sanchez, diretor acadêmico da Fiap, durante a apresentação do framework no evento O Futuro do Ensino Superior, realizado pelo Semesp.

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Guia mostra o caminho seguido pelas instituições que conseguiram inovar

Os projetos-piloto bem-sucedidos podem ser finalmente implantados. Apesar da validação anterior, a etapa é uma das mais críticas justamente por envolver grupos maiores de pessoas e mudanças que afetam todos os departamentos. As IES que já passaram por essa experiência contam que é importante conduzir as transformações de forma transparente, compartilhando o cronograma e os responsáveis por cada etapa, por exemplo.

Também é fundamental colher o feedback dos professores, gestores e demais envolvidos para que os processos sejam aprimorados. No Guia elaborado pelo Semesp (disponível para download no site da instituição) , sugere-se a criação de canais próprios para isso de forma que as pessoas possam opinar, inclusive de forma anônima.

A avaliação é a etapa seguinte e consiste na análise dos resultados obtidos. É importante que essa parte do trabalho esteja fundamentada em dados e que os gestores tenham flexibilidade para fazer as alterações necessárias. Quando o projeto assume uma forma acabada, ou seja, se mostra adequado para os objetivos propostos, o momento é de compartilhar o framework para que outras equipes, inclusive de outras instituições, possam adotá-lo. Essa fase também implica comunicar os resultados para a sociedade, a fim de reforçar o novo posicionamento da instituição.

Toledo 4.0

Uma das instituições que adotaram o framework de inovação foi Centro Universitário Toledo Prudente. Sua reitora, Zelly Machado, contou no seminário O Futuro do Ensino Superior que havia uma discrepância entre o que era praticado em sua instituição e a realidade do mercado de trabalho mundial. Dentro da proposta de repensar o propósito institucional da Toledo Prudente, ela criou o projeto “Toledo 4.0 Prudente – Transformação digital”, cujos pilares são a tecnologia, a inovação e o empreendedorismo.

Iniciado em 2017, o projeto já rendeu inovações no currículo, nos ambientes de aprendizagem, no modelo de gestão e no uso de metodologias e tecnologias. “Muitos projetos não deram certo, mas não descartamos todos estes. Alguns vão receber mentoria. E há os que já foram implantados no início de 2018”, conta a reitora.

Neste momento, ela e sua equipe se preparam para iniciar o processo de avaliação. A ideia é criar indicadores para analisar se os egressos estão preparados para a 4ª Revolução Industrial, se a evasão está caindo, se a captação está aumentando, enfim, se os objetivos estão sendo cumpridos. O processo é complicado, ela reconhece. “Porém, é compensador.”

Leia também: 

Regulação e avaliação do ensino superior: o que mudou nos últimos 20 anos

 

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