Sedução da imagem

Grupos educacionais apostam no poder da tecnologia

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A tecnologia, ao que parece, continua a ser pedra de toque para as empresas que oferecem serviços no âmbito da educação. A aposta é que a capacidade de sedução de dispositivos como computadores e câmeras, além de softwares assemelhados a jogos eletrônicos, sejam os novos propulsores do conhecimento.

É o que se depreende de dois lançamentos, anunciados no final do ano por duas grandes empresas com tradição no ramo de publicações didáticas e educativas, os Grupos Positivo e Saraiva.

O Positivo, por meio da Positivo Informática, seu braço educacional, passou a oferecer um conjunto de serviços denominado "Escola do Século 21", cuja principal atração é o Classmate, um pequeno computador portátil que pesa cerca de um quilo. O equipamento foi testado no ano passado em escolas do interior de São Paulo, além de integrar as primeiras experiências do programa Um Computador por Aluno, do governo federal, na cidade de Macaé, no Rio de Janeiro.

Além disso, a Escola do Século 21, cujo modelo completo está disponível em um showroom em Curitiba, sede do Positivo, oferece outros serviços como lousa interativa, mesa educacional e câmeras que captam imagens de microscópios, que podem ser contratados em separado.

Segundo Betina Von Staa, coordenadora de Pesquisa em Tecnologia Educacaional, as escolas de perfil tradicional foram as primeiras a se interessar pelo Classmate. "O uso tende a ser maior no nível 1 do ensino fundamental, quando os professores têm mais tempo de utilizar a ferramenta. O recurso permite também que os docentes remetam os alunos a outras atividades", assegura.

Já a editora Saraiva, por meio de sua divisão de Educação Multimídia, licenciou produtos da irlandesa Riverdeep Interactive Learning, que produz a série Destination (Destino). Nesse primeiro momento, a empresa licenciou as séries de matemática, voltada ao ensino fundamental 1 e 2, e inglês (Destination Reading), a ser utilizada a partir dos 3 anos. O conteúdo da série de matemática foi adaptado para a realidade brasileira, ganhando tradução em português e ilustrações com animais da nossa fauna, entre outras mudanças.

Os produtos vêm acompanhados de um sistema de gerenciamento, com provas, exercícios e análise de desempenho dos alunos. Segundo Paulo Silvestre Jr., gerente de produto, "é um recurso didático que pode ser mesclado com outras mídias". "O professor pode parar a aula, problematizar, ouvir questões dos alunos", completa Carminha Branco, diretora editorial da Saraiva.

Tanto uma empresa como outra se reportam a pesquisas feitas fora do Brasil para atestar a eficiência dos produtos. O problema de algumas delas é que não há cruzamento de variáveis ou relevância em termos de abrangência. Um estudo, por exemplo, diz que alunos de diversos países que cresceram assistindo ao programa televisivo Vila Sésamo têm melhor desempenho de leitura e melhores atitudes em relação à escola. Mas não relaciona esses dados ao universo cultural dos pais, cujo ambiente poderia influir, inclusive, na escolha de programas com viés educativo, como é o caso de Vila Sésamo.

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