Entenda como a revolução digital transformou o ensino superior e o perfil dos alunos

Elevada competição e crise no financiamento também foram fatores de transformação do setor

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revolução digital no ensino superior

PUC Paraná alterou seu currículo e logo no primeiro semestre o aluno já possui matérias práticas, os chamados cursos hands-on (foto: Shutterstock)

Muita coisa mudou nos últimos 20 anos no país. A tecnologia digital chegou com força e transformou de vez o modo como as pessoas se relacionam, aprendem e percebem o mundo. A internet ganhou velocidade e ocupou todos os cantos com a implantação dos dados móveis. Os grandes computadores ficaram enxutos e abriram caminho para dispositivos portáteis. O começo da era da instantaneidade impactou a sociedade como um todo, principalmente os mais jovens, e essa mudança refletiu-se diretamente no fazer acadêmico das instituições de ensino superior, que vinham habituadas a fornecer um ensino centrado em aulas expositivas e na transmissão de conteúdo.

O perfil do aluno mudou e com isso gestores em educação precisaram repensar seus modelos para que as instituições seguissem relevantes. Foi então que a tecnologia encontrou um espaço fértil para, ao lado de metodologias de aprendizagem ativa, iniciar uma revolução na forma do aprender.

A presença física do estudante em sala de aula deixou de ser indispensável. O ensino a distância se tornou uma ferramenta mais acessível e deu sequência para um modelo híbrido. Todo um aparato tecnológico passou a fazer parte do cotidiano acadêmico. Com ambientes providos de redes sem fio, conteúdos das antigas ‘pastas do professor’ migraram para armazenamento em nuvem. A tecnologia tornou possível um ensino mais individualizado e com monitoramento de desempenho através de plataformas adaptativas.

Mas não foram somente o advento da tecnologia e as mudanças no perfil do aluno que incitaram a necessidade de novas metodologias. Para Fábio Reis, diretor de Inovação Acadêmica do Semesp e presidente do Consórcio STHEM Brasil, o aumento da oferta – que elevou a competitividade – e a posterior crise no setor causada pela redução do Fies exigiram soluções inovadoras para que as instituições de ensino mantivessem ocupadas suas vagas até então oferecidas.

Antenados com a realidade

A PUC do Paraná, por exemplo, investiu fortemente na formação de seu corpo docente e na atualização dos currículos, que passou a ter uma abordagem mais voltada a competências. A nova grade busca simular a realidade e aproximar o aluno da área de atuação já no primeiro semestre. “São cursos hands-on, ou seja, mão na massa. O estudante mergulha no universo profissional sem muitas introduções”, explica a pró-reitora acadêmica Maria Beatriz Duarte.

Uma das novidades da PUC-PR é o projeto Vida Universitária. Nele, o aluno realiza um projeto em que o foco é sua própria vida, desenvolvido ao longo de todo o período de graduação em paralelo com as questões acadêmicas. No último ano de curso, o estudante conclui a atividade com a realização de um Projeto Comunitário, onde mergulha nos problemas da sociedade e aponta possíveis soluções. Outro programa inovador é o American Academy, iniciado em agosto. Em parceria com a Kent State University, o aluno cursa dois anos de Liberal Arts no campus paranaense e depois tem a possibilidade de concluir a graduação na universidade americana.

Já na ESPM, as ações mais recentes se dedicam a pesquisas de letramento digital e ao recém-lançado Laboratório de Inovação Pedagógica (LIP). Com 100% dos ingressantes nativos digitais, a escola apostou na tecnologia e ofereceu um espaço totalmente inovador para alunos e professores. O novo laboratório investe na cooperação ao disponibilizar sete nichos de aprendizagem, equipados com telas de TV, computadores e telões, que podem funcionar simultaneamente. “A ideia é induzir os professores a trabalharem com outros colegas. Queremos implantar uma cultura colaborativa”, explica Manolita Correia Lima, coordenadora do Núcleo de Inovação Pedagógica.

E investir em tecnologia não teria sentido se professores e alunos não dominassem as ferramentas virtuais. Para isso, a ESPM iniciou uma política de letramento digital. O objetivo da escola é determinar o nível de ‘alfabetização digital’ de seus professores e alunos, para então aprofundá-lo e, caso necessário, fazer ajustes curriculares.

Por falar em currículo, este é um dos pilares centrais da política acadêmica do Insper. O instituto, com sede em São Paulo, segue o princípio de escola integrada e disponibiliza a seus alunos diversas disciplinas eletivas comuns a todos os cursos. A proposta é que os estudantes passem a ter visões mais abrangentes, consigam desenvolver trabalhos em equipe e apontem soluções inovadoras.

Nesse ponto entra outra característica importante da instituição: o desenvolvimento de projetos. O professor do curso de Engenharia Frederico Augusto Barbieri conta que grande parte das disciplinas é avaliada com base em resultados de projetos, que demandam aos alunos enfrentar contextos de aplicações reais.

E aqui se entende real como um problema já existente, não apenas no campo teórico, trazido por empresas parceiras. “Temos uma disciplina em que o aluno de engenharia produz um coração para transplante e com isso resolve um problema da área da medicina. Nosso objetivo com isso é que o aluno passe a ter uma visão de contexto, que inclua a parte econômica, social e ambiental”, completa o professor.

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