Repetência e abandono

Estudo levanta os principais desafios do EM e traz a opinião dos jovens sobre o problema

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Lidar com os adolescentes que estão retidos no ensino fundamental é um dos principais desafios do ensino médio, como destacou o estudo feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com o Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Como atestam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), uma expressiva parcela de 35,2% dos jovens de 15 a 17 anos encontra-se matriculada no ensino fundamental. A maioria está nos anos finais do EF, mas em torno de 327 mil ainda estão frequentando classes dos anos iniciais do EF (veja abaixo).
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Para compreender as barreiras que dificultam a permanência na escola e a progressão nos estudos em idade adequada, os pesquisadores realizaram dezenas de entrevistas com os jovens. De acordo com os relatos, uma das principais causas da repetência é a falta de interesse nos estudos, problema que leva os alunos a se envolver em situações de indisciplina e gradativamente perder as condições de acompanhar as aulas. A falta de incentivo dos professores e diretores é mais um dos aspectos, assim como a reprovação. Esta, contudo, tem um potencial ainda mais devastador, pois em geral é o estopim para o abandono da escola.

Entre as meninas, a gravidez representa um problema grave. Muitas entrevistadas que passaram pela situação disseram ter enfrentado a falta de compreensão por parte dos professores e criticaram a ausência de um mecanismo que lhes permitisse acompanhar as aulas a distância. Muitas também deixaram de frequentar temporariamente a escola por vergonha.

Como é amplamente conhecido, a necessidade de conciliar estudos com o trabalho também dificulta o acompanhamento das aulas pelos alunos. Mas a pesquisa mostrou que junto com os jovens que precisam trabalhar por uma questão de sobrevivência, estão também aqueles que vão para o mercado de trabalho para conquistar a autossuficiência necessária para a vivência de relações afetivas e sociais.  Segundo os estudiosos, a distorção idade-série e o abandono precisam ser enfrentados não apenas com ações de curto e médio prazo para atingir os jovens que hoje são alvo do problema, mas também com iniciativas de longo prazo – que comecem na educação infantil – para impedir que as crianças vulneráveis sigam essa trajetória frequente na educação brasileira.

Fonte: IBGE/PNAD

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