Professores como guias acessíveis, mas sempre no comando

Os educadores não devem ser condescendentes com os alunos, mesmo que eles assumam o papel de protagonistas no processo de aprendizagem, afirma a consultora americana Angela McGlynn

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A psicopedagoga americana Angela McGlynn, autora do livro Teaching today’s college students (Ensinado os universitários de hoje, em tradução livre), é especialista e consultora de faculdades e universidades que a procuram para atualizar seus procedimentos de ensino e aprendizagem. Em entrevista exclusiva à Ensino Superior, ela comentou sobre seu trabalho com professores.

O primeiro ponto que McGlynn destaca é a necessidade do protagonismo e da versatilidade dos professores. Ainda que nas metodologias ativas a participação dos alunos é mais destacada e incentivada, os catalisadores e mentores desse processo devem ser sempre os professores. “O professor do nosso tempo deve usar muitos chapéus, desenvolver múltiplas habilidades. Eles precisam construir formas reais e virtuais de relacionamentos com os alunos para motivá-los e envolvê-los. Os professores precisam se conectar com os alunos por meio de tutoria, assessoria e coaching para motivá-los”.

O processo, porém, não deve ser condescendente, pois é preciso lembrar sempre que os professores detêm o comando das ações. “Não podemos dar motivação aos nossos alunos como presente. Devemos inspirá-los e ensiná-los a buscar sua própria motivação para aprender, para alcançar seus próprios objetivos”. Para a especialista, os professores atuais têm de ser vistos pelos alunos como um “guia, alguém acessível” e não como um “sábio no palco”.

McGlynn explica que, pelas pesquisas, sabe-se hoje que a capacidade média de atenção total dos adultos é de 20 minutos em uma sala de aula ou assistindo a uma palestra expositiva. Portanto, o tempo deve ser utilizado de maneira mais racional e sempre a favor da aprendizagem.

Controlando o tempo, os professores podem intercalar assuntos e atividades para manter o interesse dos estudantes e deixar as aulas mais leves e dinâmicas. “É necessário provocar os alunos, tirá-los da apatia com assuntos e temas de seus interesses. Fomentar discussões, avaliar soluções para um desafio, apontar problemas em uma solução, enfim, manter um diálogo constante e não um monólogo do professor”, explica.

Sobre o fato de os millennials serem constantemente descritos como mais individualistas e egocêntricos, a psicopedagoga diz que isso é muito relativo. “Certamente, muitos estudantes filhos de pais de classe média superprotetores e indulgentes parecem ser mais individualistas e competitivos do que as gerações anteriores. Esse fato, como a maioria das coisas na vida, produz resultados bons e ruins. Felizmente, as estratégias de aprendizagem ativas funcionam bem para todos os alunos, mas funcionam particularmente melhor para estudantes mais desarmados e propensos a trabalhar em grupo.”

Diante de uma geração que consome informações cada vez mais audiovisuais, a exigência de leitura de textos acadêmicos e livros é um desafio considerável. Tendo em vista ainda a heterogeneidade entre os estudantes, McGlynn afirma que o mais importante é ensinar os alunos a lerem com mais qualidade. “Professores têm de se esforçar para ensinar aos alunos serem alfabetizados em termos de informação. Talvez agora, mais do que nunca, precisamos de pensadores críticos que possam analisar fontes de informação e discernir o que é credível e o que não é. Os professores precisam criar tarefas que desafiam os alunos a usar pesquisa de fontes primárias e avaliar diferentes canais de informação.”

Para a especialista, no mundo de hoje é mais importante uma pessoa que leia pouco mas saiba separar o joio do trigo, do que outra que lê muito mas tem pouca compreensão e não reflete sobre as informações que consome. “Aqui novamente os professores devem usar ‘iscas’ para envolver os alunos na leitura. Questionários surpresa que oferecem pontos extras são uma abordagem de que eu gosto, pois os alunos vislumbram recompensas.”

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