Professor mobiliza 1,2 mil alunos e implementa rede de esgoto em comunidade de baixa renda

Reformas, pinturas e criação de espaço público fazem parte dos projetos de ativismo social que Marco Aurélio de Oliveira realiza

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Autor: Rogério Moreira Scheidegger*

professor cria projetos sociais

                            Marco Aurélio é professor do Belas Artes há 20 anos (foto: divulgação)

Professor há 28 anos, Marco Aurélio Alves de Oliveira diz nunca ter separado a docência do ativismo social. Desde as suas primeiras experiências como educador – no princípio com alunos de ensino fundamental e médio – ele já mobilizava a comunidade escolar para realizar atividades de benefício coletivo, como reformas, pinturas e pequenos reparos. Essa postura se mantém até hoje, com a diferença de que o impacto de suas ações tem uma proporção bem maior.

Há 20 anos no curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, Marco Aurélio hoje conta com 1,2 mil alunos e egressos para desenvolver projetos voluntários em comunidades de baixa renda.

O numeroso grupo foi formado ao longo de todas essas décadas, mas cresceu consideravelmente com a popularização das redes sociais. Por volta de 2010, durante as férias, o professor publicou um post em que declarava o desejo de contar com a participação de um número maior de alunos, considerando o potencial que ele enxergava em sala de aula. Para sua surpresa, houve uma forte reação e muitos estudantes se dispuseram a ajudar. Desde então, esse número só vem crescendo.

Também são numerosos os professores que se engajaram ao longo dessa jornada, que desde o princípio ganhou o apoio da instituição.

Comunidades

Um dos projetos de maior destaque foi a implantação de uma rede de esgoto na Favela Spama, em Pirituba. O trabalho, que durou um ano e meio e mexeu com a vida de 384 famílias, foi feito com recursos de indústrias que apoiaram a iniciativa e também da própria instituição de ensino. O planejamento e a execução da obra, contudo, ficaram a cargo da equipe montada pelo professor, composta por alunos e alguns moradores. Ao final, eles também conseguiram da Sabesp uma ligação de água para toda a comunidade.

professor mobiliza projetos voluntários

Projetos voluntários em comunidades carentes com a participação de alunos e egressos (foto: divulgação)

Resolvida a urgência das redes de água e esgoto, Marco Aurélio percebeu a necessidade de criar um espaço público para a realização de atividades educacionais, culturais e de saúde – ideia que foi adotada em outros projetos dados os seus resultados positivos.

A participação dos alunos é intensa e passa por todas as fases, do planejamento à execução propriamente dita. São eles que realizam as maquetes e projeções que encantam as comunidades e as mobilizam a colaborar. E tudo é feito fora do horário da aula. “Atuam como voluntários mesmo”, frisa.

Com diversas ações realizadas ao longo dos anos, Marco Aurélio também aprendeu a lógica de funcionamento interno das comunidades. O elemento-chave para garantir o sucesso de qualquer iniciativa é a conquista das mulheres. “São elas que mobilizam e fazem tudo acontecer. Mas para isso elas precisam entender o porquê do projeto e estar com a autoestima em dia”, explica. Esses detalhes também são percebidos pelos alunos, que assim passam a enxergar os projetos de arquitetura e urbanismo para além do lado técnico.

Atualmente, há um grupo deles participando da criação de uma escola informal na Favela Esperança, na divisa de Osasco. Em paralelo, Marco Aurélio mantém outras ações, algumas bem pontuais, com outros grupos.
É assim que ele fortalece e expande sua rede de arquitetos voluntários.

*Rogério Moreira Scheidegger é gestor educacional especialista na área de retenção de alunos

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