Por que o Brasil ainda lê pouco?

Reflexões sobre como conquistar mais leitores

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Uma leitura convidativa e abrangente sobre um tema complexo no país: o hábito e o prazer por ler livros. A terceira edição da pesquisa Retratos da leitura no Brasil, divulgada em março, chega ao público em um volume que agrupa análises dos dados produzidas por 16 especialistas. Juntos eles compararam índices atuais com os das edições anteriores, a realidade de outros países e, sobretudo, a relação entre as informações desse levantamento com as políticas públicas e ações de incentivo da sociedade civil e dos governos.


Mais do que esmiuçar os perfis do leitor brasileiro, o objetivo do volume é suscitar ou manter viva a busca pela “chave para conquistar novos leitores”, como afirma na introdução do livro a socióloga Zoara Failla, coordenadora técnica da pesquisa, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência. Para tanto, a série de artigos começa com questões do estudo destacadas pela escritora Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras – uma delas é que o ambiente doméstico está deixando de ser a maior influência na formação de leitores.


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A pesquisa, que ouviu 5.012 brasileiros em 312 municípios nas 27 unidades federativas, aponta que o protagonismo da mediação entre cidadão e livros tem deixado de ser dos pais e passado aos professores, informação central na análise do psicólogo Sérgio Antônio da Silva Leite, professor titular do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp, no artigo “Alfabetizar para ler. Ler para conquistar a plena cidadania”. À luz dos conceitos de Vigotski e Wallon, Leite destaca que, ao falar de leitor de livros, reflete-se sobre alguém que provavelmente teve uma “história de mediação afetivamente positiva” com relação às práticas leitoras. Sem esse fator, segundo ele, a leitura acontece meramente por obrigação, ou necessidade.


Ao mesmo tempo que o estudo mostra que a maior parte dos brasileiros associa o ato de ler a valores positivos, provoca uma reação de choque ao apontar a diminuição do índice de leitura. Em 2007, 55% dos entrevistados se consideravam leitores, mas apenas 50% assim se classificavam em 2011. Este e outros recuos, como o da média de livros lidos no ano, são analisados por Maria Antonieta Antunes Cunha, professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do ponto de vista das diferenças nas entrevistas de uma edição para a outra.


Um exemplo é a nova configuração da população brasileira segundo a faixa etária: “em 2007, as três faixas etárias iniciais, as que mais leem, representaram 29% dos entrevistados, enquanto, em 2011, elas corresponderam a 25% das entrevistas”, analisa, mesmo considerando incontestável esse “retrato” do Brasil.

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