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Apesar de dois anos de queda consecutiva, o índice de inadimplência nas instituições de ensino superior particulares ainda preocupa, já que é o mais …

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Apesar de dois anos de queda consecutiva, o índice de inadimplência nas instituições de ensino superior particulares ainda preocupa, já que é o mais alto entre os demais setores do mercado

As páginas seguintes trazem a pesquisa do índice de inadimplência registrado no ano passado no setor da educação superior. Realizada pela assessoria econômica do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), por meio do Sindata – sistema gerenciado pelo sindicato que reúne informações do setor -, a partir deste ano o levantamento traz, além dos dados do Estado de São Paulo, os índices de inadimplência no Brasil.

No estudo obser­va-se que, mais uma vez, houve queda na taxa de inadimplência apurada no Estado de São Paulo e no Brasil. A pesquisa que já havia registrado queda de 0,96% no percentual de mensalidades com mais de 90 dias de atraso no Estado de São Paulo em 2009, registrou redução de 1,58% e 4,60% em 2010 no Estado de São Paulo e no Brasil, respectivamente.

Mas apesar da melhora dos resultados, o nível de inadimplência no setor é considerado crítico. Ao comparar com a taxa de inadimplência total de pessoa física no Brasil, divulgada pelo Banco Central, verifica-se que a inadimplência no ensino superior privado ainda está muito acima dos demais. Enquanto a inadimplência total de pessoas físicas chegou a 5,70% no final de 2010, nas instituições de ensino superior privado a taxa atingiu 9,58%, ou seja, 68% acima dos demais setores da economia. A inadimplência no ensino superior privado chega a ser mais de 65% superior à inadimplência de todos os setores consolidados.

A região metropolitana de São Paulo, que concentra mais de 50% das matrículas do estado, registrou índice de atraso acima de 90 dias de 6,68%, apresentando uma elevação de 3,05% em relação a 2009. Enquanto isso, no interior do estado, o índice chegou a 11,01%, o que significa que houve um recuo de 2,90% em relação ao período anterior.

As instituições de pequeno porte, com até dois mil alunos, registraram a maior taxa de inadimplência acima de 90 dias. Apesar da redução de 4,90%, a taxa de inadimplência ainda ficou 5,13 pontos percentuais acima da taxa para instituições de médio porte, e 2,83 pontos percentuais acima da taxa para as de grande porte. Já as instituições de porte médio, de dois a sete mil alunos, que têm a menor taxa de inadimplência, ao contrário das instituições de pequeno e grande porte, registrou um crescimento de 9,40% em 2010. Veja os números completos nos gráficos a seguir:

Queda no Brasil e estabilidade em São Paulo

A partir deste ano, a pesquisa inclui dados da inadimplência no país. Conforme o levantamento, a taxa de inadimplência acima de 90 dias no Brasil caiu 4,60% em 2010 em relação ao ano de 2009, e recuou de 10,04% para 9,58%. Também a taxa de inadimplência de curto prazo, até 30 dias de atraso, sofreu uma redução de 4,55%, passando de 15,06% para 14,37%. Até 90 dias, o índice baixou de 12,11% para 11,08% de 2009 para 2010.

No Estado de São Paulo o percentual das mensalidades em atraso até 30 dias manteve-se estável, passando de 13,76% em 2009 para 13,77% em 2010. E, acima de 90 dias, registrou uma leve queda de 1,58%, passando de 9,72% para 9,57%. A inadimplência de até 90 dias caiu de 11,74% para 11% no período.

 

A maior taxa de inadimplência do mercado

A inadimplência acima de 90 dias nas instituições de ensino superior particulares no Brasil é muito semelhante à registrada no Estado de São Paulo, no entanto, ambas são muito elevadas, principalmente, quando comparadas com a inadimplência total das pessoas físicas no Brasil, também no período acima de 90 dias.

A inadimplência no ensino superior privado chega a ser 68% superior à inadimplência de todos os setores da economia consolidados, como mostra o gráfico abaixo. Em 2010, a inadimplência total no país foi de 5,7%, enquanto que o setor do ensino superior privado registrou um índice de 9,58%. No Estado de São Paulo, o percentual de inadimplência foi de 9,57% no ano passado.

 

Diminuição expressiva nas grandes
A inadimplência acima de 90 dias das instituições de grande porte – com mais de sete mil alunos – interrompeu uma série de quatro crescimentos consecutivos, de 2006 a 2009, registrando um queda expressiva de 13,27% em 2010. Em 2010, a taxa de inadimplência acima de 90 dias nessas instituições ficou em 8,8%, enquanto que no ano anterior o percentual era de 10,15%. Chama atenção, porém, a taxa de inadimplência de curto prazo para instituições de grande porte. O percentual de pessoas que deixam de pagar a mensalidade no período de 30 dias ainda é muito elevado, acima de 16%. Já, até 90 dias, o percentual de inadimplentes foi de 12,88% em 2010 contra 14,9% em 2009.

 

Pequenas instituições têm índice maior
As instituições de pequeno porte – com até dois mil alunos –
são as que mais sofrem com a inadimplência acima de 90 dias. Enquanto as instituições de grande porte (acima de sete mil alunos) e de médio porte (de dois a sete mil alunos) registraram índices de 8,80% e 6,50%, respectivamente, o atraso nas mensalidades acima de 90 dias das instituições de pequeno porte atingiu 11,63%, em 2010. A partir do levantamento é possível verificar que a taxa de inadimplência para essas instituições teve uma redução de 4,9% em relação a 2009, mas ainda ficou 5,13 pontos percentuais acima das instituições de médio porte e 2,83 pontos acima da taxa para as de grande porte. Já a inadimplência de curto prazo ficou em 14,07% no ano passado, abaixo do índice das grandes instituições (16,21%).

 

Menor taxa está nas médias
As instituições de porte médio – que têm de dois a sete mil alunos – apresentaram a menor taxa de inadimplência do setor, porém, ao contrário das instituições de pequeno e grande portes, o índice registrou um crescimento de 9,40% em 2010. Acima de 90 dias, a inadimplência nessas instituições foi de 6,5% no ano passado e de 5,94% em 2009.

 

Metrópole registra alta
A região metropolitana de São Paulo, que representa 57% das matrículas do estado, registrou aumento de 3,05% na inadimplência acima de 90 dias, atingindo um total de 6,68% em 2010. A inadimplência de curto prazo, que em 2009 era de 10,98%, também cresceu e chegou a 11,23% no ano passado, o que corresponde a uma alta de 2,29% no período.

 

Em queda, interior ainda tem a maior taxa
Apesar de os índices de inadimplência serem mais elevados no interior do estado, os três índices mensurados apresentaram queda, com destaque para mensalidades em atraso até 90 dias cuja taxa caiu 8,43% em 2010, passando de 12,91% em 2009 para 11,82% no ano passado. Já a taxa de inadimplência acima de 90 dias nas instituições localizadas no interior, apesar de mais alta, acompanha a estabilidade registrada no Estado de São Paulo, e também se manteve praticamente no mesmo patamar nos últimos três anos, com leve redução no último período. Em 2008, o índice era de 11,29%, passando a 11,34% em 2009 e caindo para 11,01% no último ano.

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