Para não “cair do mapa”

É preciso aprender a construir e ler mapas e, assim, compreender e agir no espaço geográfico

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Um grupo de alunos e professores saiu pelos arredores da escola comparando a realidade vivida com sua representação em um mapa. Quando avistaram uma ladeira à sua frente, os alunos foram questionados: aonde chegariam se continuassem descendo a rua? A resposta de um aluno foi “A gente cai do mapa”. Esta história contada por Elza Passini dá a dimensão do quanto tem sido difícil para os alunos entenderem mapas. Mapas que, aliás, são demandas dos estudantes nas aulas de geografia, uma vez que associam esta disciplina com copiar e colorir mapas.
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A dificuldade deste aluno, assim como a de tantos adultos que ficam perplexos e não sabem como fazer para chegar aonde querem diante de um mapa da rede de transportes de sua cidade, reside justamente nas aulas de geografia em que o mapa é utilizado como mera ilustração, sem que o aluno consiga desenvolver um raciocínio espacial a partir da representação do espaço. 


Diante deste quadro, a autora trabalha a “alfabetização cartográfica” como uma metodologia em que o aluno é levado a desenvolver habilidades de codificar e decodificar os símbolos, extrair informações e interpretar a espacialidade da realidade que o cerca.  Além do mapa, a autora destaca também outra forma de representação, os gráficos, propondo situações em que o professor pode mediar pesquisas, com coleta, tratamento e sistematização de dados do cotidiano para elaborar gráficos. Sugestões de atividades com mapas (redução proporcional e escala, orientação, elaboração de legenda, entre outros) também podem ser encontradas no capítulo 7 do livro.


A Cartografia e a Geografia são saberes estratégicos na formação do cidadão, pois desenvolvem a capacidade de análise da realidade, dos fatos e fenômenos em um contexto socioespacial. Assim, esses conhecimentos precisam ser alçados ao mesmo patamar na escola que ocupam as atividades de ler, escrever e realizar operações matemáticas. Se desde Yves Lacoste em seu livro A Geografia: isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra (1985) já sabíamos da importância estratégica da geografia para que os EUA atacassem o Vietnã, o que dizer das estratégias de governos, organismos internacionais e empresas de atuação global para controle e domínio do espaço? É para o entendimento desta realidade que a cartografia e a geografia contribuem.


Denise Rockenbach Nery é doutora em geografia humana pela USP, professora da Faculdade Estácio UniRadial e Professora da E. E. Júlio de Mesquita Filho

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