Os nerds ficaram populares

Crescimento da participação de jovens brasileiros em competições internacionais e a volta para casa com prêmios na bagagem têm aumentado a autoestima de escolas e professores, que percebem mudanças em sala de aula. O caminho para as vitórias inclui projeto político pedagógico consistente e atividades extraclasse

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Gustavo Morita
Vinícius Milani foi campeão em 2009 do prêmio Performance de Robô na disputa internacional First Lego League
Uma vontade de aprender cada vez mais, não importando horários ou outras dificuldades, está levando o estudante mineiro Cristopher Mateus Carvalho, de 16 anos, pelo segundo ano consecutivo aos Estados Unidos. Aluno de uma escola pública estadual no pequeno distrito de Azurita, no município de Mateus Leme, região metropolitana de Belo Horizonte, ele vai participar da International Science and Engineering Fair (Intel Isef), uma das mais disputadas feiras científicas do mundo. Na bagagem, Cristopher leva um projeto sobre o potencial anti-inflamatório e antimicrobiano da planta medicinal pariri (Arrabidae Chica), muito usada na região. 


O projeto, a princípio, era parte da aula de biologia, idealizado pela professora Fernanda Aires Guedes. Mas, ficou “tão bom”, que decidiram inscrevê-lo na competição internacional e agora vai disputar com pesquisas de alunos do mundo inteiro.


O caso de Cristopher ilustra um fenômeno recente, que tem chamado a atenção desde, pelo menos, 2011: o aumento do número de alunos brasileiros que têm participado e se destacado cada vez mais em feiras e concursos internacionais de conhecimento. Para se ter uma ideia, na Intel Isef de 2012, competição que existe desde os anos 50, o Brasil foi o país mais premiado da América Latina. Com uma delegação de 33 estudantes, levou oito prêmios e acabou em quinto lugar na classificação geral, feito inédito desde que os estudantes brasileiros começaram a participar, em 1993. A Intel Isef é considerada a maior feira mundial de ciências e engenharia pré-universitária e reúne a cada ano cerca de 1.600 jovens cientistas de quase 70 países.
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Feitos robóticos
Na RoboCup, que existe desde 1997, o Brasil conseguiu seu primeiro prêmio na categoria pré-universitária apenas em 2011. Na First Lego League (FLL), competição que existe há 50 anos, mas da qual o país participa há dez, os estudantes brasileiros começaram a chegar às primeiras colocações em 2009 e não pararam mais. Desde então já foram dois prêmios na categoria “performance de robô”, um em “avaliação de programação”, além de conquistas na área de pesquisa científica e na chairman’s award, categoria que reconhece o trabalho social mais relevante, que usa a tecnologia para fazer algo positivo para a comunidade. 


O crescimento de competições como a FLL tem sido visto no mundo inteiro, mas no Brasil ainda mais. “Em parte, este crescimento reflete a nova dinâmica do mundo atual, em que é mais importante o saber fazer, realizar tarefas, resolver problemas e trabalhar em equipe do que simplesmente tirar boas notas na escola”, afirma Marcos Wesley, presidente da Lego Zoom, empresa que representa a Lego no Brasil.


Para os professores orientadores, diretores das escolas, organizadores dos prêmios e até mesmo os alunos vitoriosos, a participação crescente dos estudantes nesses eventos é consequência de que, finalmente, os jovens brasileiros estão acreditando no seu potencial de alcançar e produzir conhecimento de altíssimo nível. Marcos Wesley, da Lego, diz que o Brasil está se destacando porque nossas escolas estão percebendo o potencial da produção de conhecimentos, em vez de apenas “consumi-los”.


Além disso, ele relaciona o fenômeno a outros fatores práticos. “Por aqui, o aumento do número de escolas em tempo integral contribui, pois elas precisam ofertar atividades diferentes no contraturno. Além disso, o vestibular tradicional vem perdendo importância. No próprio Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], são mais valorizadas as competências que os conhecimentos”, avalia o responsável por trazer a FLL para o Brasil.


Por outro lado, as escolas têm apostado na “metodologia do questionamento” e visto uma melhora na relação alunos x escola. Mas o que é preciso para criar um ambiente “vencedor”? A cultura da competição também não pode gerar efeitos adversos, principalmente para os que não se identificam com ela?


Para Javier Firpo, diretor de Programas de Educação para a América Latina da Intel, independentemente dos prêmios, o aumento da participação brasileira já é a grande vitória. “O que se aprende pela memória é esquecido prontamente. O que se aprende pelo descobrir não é esquecido jamais. Ainda que os estudantes não ganhem, o mais importante é o caminho que percorrem, as aprendizagens, os êxitos e fracassos que enfrentam”, afirma. Segundo ele, as escolas que participam de feiras e competições acabam incorporando a metodologia do “questionamento” e o ensino por projetos, como um mecanismo de atrair os jovens.


Criando vencedores
O processo que leva um estudante regular a um nível de excelência internacional não costuma ser rápido e, muitas vezes, tampouco é barato. Pode ser comparado ao esforço de preparar um atleta de nível olímpico: é preciso unir jovens talentosos – e também dispostos a muita dedicação – a uma boa infraestrutura, bons técnicos e treinamento por vários anos consecutivos. Se qualquer um dos “ingredientes” da receita falhar, a medalha não vem.


Mas uma escola não pode ser um simples “centro de treinamento”, no qual só se incluem os melhores. Portanto, o caminho dos colégios campeões tem sido o de oferecer um ensino bom e, sobretudo, estimulante para todos os alunos. Para os que mais se destacam e desejam alcançar a excelência em alguma área do conhecimento, há opções extraclasse, como projetos ou grupos de estudos no contraturno. É uma forma de permitir que eles cheguem tão longe quanto desejarem. Seguindo esses passos básicos, os bons resultados têm chegado para escolas de todos os perfis, públicas ou particulares, das capitais e ou do interior, e das diferentes regiões do país.


A experiência da Fundação Liberato, uma escola técnica de nível médio fundada há 45 anos em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, mantida pelo governo gaúcho, comprova que conseguir destaque internacional depende de um conjunto de fatores, como um projeto político-pedagógico consistente, uma estrutura curricular que contemple a interdisciplinaridade e a realização de eventos e atividades extras. E, claro, que tudo isso seja mantido por um longo prazo.


Na Fundação, o estudo é em tempo integral – os cursos técnicos são integrados ao ensino médio e duram quatro anos -, mas o principal diferencial segundo o diretor-executivo da Fundação, Leo Weber, é o uso da metodologia científica em sala de aula. “Desde o primeiro ano, ao ingressarem no colégio, os estudantes fazem projetos, aprendem a pensar na resolução de problemas, a pesquisar. O professor é um orientador”, explica Weber. “Ou seja, o conhecimento é sempre mostrado de forma integrada, com articulação entre as diferentes disciplinas. Os professores ganham, portanto, muita liberdade para trabalhar”, diz ele, um engenheiro e pedagogo que começou na Fundação Liberato há 23 anos como professor.


O colégio ainda é o organizador da Mostratec, uma feira internacional de ciências e tecnologia que chega em 2013 à sua 28ª edição e que serve como fase classificatória para a concorrida Intel Isef. No ano passado, dois estudantes da Fundação – Eduardo Thadeu Rodrigues e Juliana Hoch – foram o principal destaque brasileiro da Intel Isef, com o terceiro lugar na categoria Bioquímica e com a quarta colocação no prêmio da American Chemical Society (cada prêmio no valor de US$ 1.000).  Não é à toa que jovens de todo o Rio Grande do Sul migram para Novo Hamburgo e que, para tentar estudar lá, eles participem de uma seleção com em média oito candidatos por vaga.


Outra medida essencial para o sucesso é apostar pesado nos talentos internos, tanto em termos de tempo quanto de destinação de recursos. “Conseguir um título exige persistência. Nosso trabalho com o Renato [Ferreira Pinto Júnior, líder da equipe que venceu a RoboCup em 2011] começou quando ele estava no 6º ano e veio dar resultado quando ele estava no 2º do ensino médio”, diz Luís Rogério da Silva, coordenador dos cursos especiais de robótica e informática do Objetivo na capital paulista.


O processo de formação começou em 2006 com uma seleção entre as diversas unidades da rede. Foram escolhidos seis jovens de 11 anos que demonstraram interesse, aptidão e disponibilidade de tempo para um estudo rigoroso fora do horário de aulas. Nos primeiros anos eles foram preparados na parte da computação e até entraram em maratonas universitárias nacionais. Só então foram iniciados na parte mecânica e eletrônica, ou seja, pegaram em ferramentas para montar os robôs.


Quando se trata de competições de tecnologia, como no caso da robótica, o investimento financeiro também conta bastante. “É uma área muito sensível a investimentos. Um robô para uma competição como a RoboCup custa entre R$ 30 mil e R$ 40 mil”, afirma Silva. “Por isso, os estudantes receberam formação em gerenciamento de projetos, para saber avaliar custos, prazos etc.”, explica.


Montar turmas especiais, de acordo com os interesses de cada aluno, também foi a fórmula encontrada pelo Colégio Paraíso, de Juazeiro do Norte. Essa escola particular do interior do Ceará com cerca de 1.300 alunos já conquistou prêmios em olímpiadas e outras competições internacionais, como a Intel Isef, graças à criação do chamado “núcleo preparatório para olimpíadas”. Trata-se basicamente de grupos de estudos formados em horários extraclasse e orientados por professores da casa de acordo com o tema.


“Participamos anualmente de cerca de 30 olimpíadas, concursos e feiras. Cada vez que sai um edital, passo em cada classe convidando os alunos a se inscreverem”, explica Leonardo Sousa Silva, idealizador e coordenador do núcleo. “Sou formado em física e durante toda minha vida acadêmica participei de concursos. Quis levar essa oportunidade a todos os alunos”, conta. Além da motivação pessoal e acadêmica para os estudantes participarem, a escola oferece bolsas aos que se destacam.


Para Silva, porém, mais do que prêmios e concursos, o importante é a escola incentivar e ajudar cada aluno a realizar o seu projeto pessoal. “Temos um grupo de 13 alunos que sonham em estudar no ITA. Montamos um curso especial para eles; são 40 aulas por semana a mais”, diz.


Efeito pedagógico
Para a escola – e também para o professor – que consegue levar seus alunos aos melhores lugares nas premiações internacionais, as conquistas servem de vitrine. Mas os que chegaram lá são unânimes em dizer que o objetivo nunca deve ser a competição e, sim, estimular os jovens a querer aprender sempre. As vitórias vêm como consequência desse trabalho pedagógico. Para os estudantes, no entanto, a possibilidade de um prêmio internacional serve como um estímulo imenso para se empenharem cada vez mais.


“Um prêmio desses pode mudar a vida do estudante. Ele se sente protagonista do processo de obtenção de conhecimento, vê que pode mudar o mundo e ser valorizado por isso”, afirma Sandra Tonidandel, professora de ciências e coordenadora do programa de pré-iniciação científica no colégio particular paulistano Dante Alighieri. E a motivação se estende a toda a comunidade escolar, garante a professora. “Ao voltar para casa, os ganhadores tornam-se figuras positivas, que servem de inspiração para os colegas. Os “nerds” viram os populares, afinal, vão para fora do país, são premiados, fazem novos amigos.”


Um exemplo claro de como as premiações têm efeito positivo vem do próprio programa de pré-iniciação científica, que é voluntário, no contraturno da escola, e não conta nota, nem conceito para nenhuma disciplina. Ao ser criado em 2008, ele teve “poucos adeptos”, conta Sandra. Mas com as primeiras conquistas dos alunos participantes, o interesse foi crescendo a cada semestre. Os “nerds” se multiplicaram e, no ano passado, a escola obteve 35 prêmios nacionais e internacionais, nas mais diversas áreas.  “Hoje temos 20% das turmas de 9º ano e 1º do ensino médio participando do programa. São adolescentes que, por conta própria, querem estudar mais – e ir além do estudar para o vestibular. E mesmo nas férias, alunos me procuraram para pedir autorização para usar os laboratórios”, orgulha-se Sandra.


Madrugando para estudar
Cristopher Mateus Carvalho, o aluno do começo da reportagem, e mais dois colegas foram convidados no fim de 2011 por uma professora de biologia a estudar o potencial anti-inflamatório e antimicrobiano da planta medicinal pariri (Arrabidae Chica).  “Para fazer uma das partes da pesquisa a gente conseguiu usar emprestado um laboratório da UFMG [Universidade Federal de Minas Gerais]. Era preciso acordar às 5h30 da manhã para pegar o ônibus e, em geral, a gente só chegava em casa umas 22 horas”, conta Cristopher. Tudo, porém, foi realizado com grande prazer. “Deu para ver que estudar pode ir além de quatro paredes, que a gente pode ir muito mais longe. Hoje quero ser engenheiro ambiental”, diz o aluno da escola estadual Manoel Antônio de Souza. 


Fernanda Aires Guedes, a professora que idealizou o projeto, garante que participar de mostras ou competições nunca foi sua meta. “O objetivo inicial era fazer uma pesquisa de qualidade. Mas o resultado ficou tão bom que não poderia ficar restrito a Mateus Leme”, conta ela, explicando que só depois decidiu inscrever o projeto em feiras. E toda a escola colhe os frutos da conquista dos três estudantes. “Melhorou a relação dos alunos com a escola, o interesse nas aulas. E não tem melhor forma de aprender”, afirma a bióloga.


A diretora da escola, Maria Regina de Oliveira Ramos, também comemora o aumento da autoestima de seus alunos e professores. “Temos um grande potencial, mas precisamos acreditar e buscar meios. Quando se trata de uma escola pública, como o nosso caso, esse tipo de motivação é ainda mais importante”, ressalta. Afinal, mesmo tendo a “melhor estrutura do município” – a escola conta com sala de informática, vídeo, laboratórios novos e uma biblioteca “fantástica” -, Maria Regina reconhece que não tem como oferecer os mesmo recursos que uma grande escola particular da capital.


Entre as vantagens pedagógicas de se envolver em projetos e feiras internacionais está o fato de que os estudantes desenvolvem novas competências, para além das exigidas pelo currículo tradicional. “Estamos formando cidadãos empreendedores, competentes e inovadores”, diz Terezinha Cysneiros, diretora do Colégio Apoio, de Recife (PE). Afinal, mais de que decorar ou reproduzir conhecimentos, os projetos para essas disputas exigem a habilidade de encontrar soluções para problemas. O colégio, que sempre teve como um dos seus pilares o ensino de ciências, criou em 2010 o Clube da Robótica, para alunos do 6º ao 9º ano. Como resultado, obteve o título de Campeão Mundial de Robótica na categoria Pesquisa, no torneio Open European Championship, da FLL, do ano passado.


Capacidade de liderança, organização e trabalho em equipe também são aprendizados fundamentais para algumas vitórias, como foi o caso do grupo da Escola Técnica Professor Everardo Passos (Etep), de São José dos Campos, interior de São Paulo, que conquistou em 2012 o Chairman’s Award, o prêmio máximo na FLL. Em conjunto, os 30 alunos do time desenvolveram uma torre com um sistema que identifica enchente e dá um alerta mediante um sistema de radiofrequência.


“Quem entra na equipe é para trabalhar. Então fica tudo muito fácil. Os jovens são divididos em quatro subequipes, cada uma com seu líder”, explica o professor Sérgio Aranha, coordenador do Grupo de Estudos de Robótica Avançada da Etep, criado em 2004.


Um lugar para as artes
Embora a maior parte das premiações se destine às ciências, sejam das áreas de exatas, da natureza ou humanidades, também há espaço para quem se destaca no campo das artes plásticas e literárias. Da mesma forma, conquistar prêmios depende de esforço extraclasse e engajamento a longo prazo.


Com um projeto iniciado em 2003, a escola estadual Almirante Tamandaré, em Japeri, na Baixada Fluminense (RJ), teve neste ano, pela segunda vez consecutiva, a tela de um aluno premiada no Concurso Internacional de Pintura Infantojuvenil, promovido pelo Memorial Lidice, da República Tcheca. A disputa escolhe as 50 melhores obras entre quase 30 mil trabalhos inscritos, de estudantes de 53 países.  “Não adianta descobrir um talento e deixá-lo guardado em Japeri. Por isso, inscrevo meus alunos em todas as mostras, exposições e concursos que tenho conhecimento. Atualmente, temos trabalhos concorrendo em uma disputa na China”, conta o professor de educação artística Peter Jean Cohen.


Na escola baiana filantrópica Maria Carvalho, mantida pela metalúrgica Febrasa no município de Pojuca, o incentivo à leitura e à escrita recebe grande ênfase desde o início da alfabetização. Como reconhecimento desse trabalho intenso e contínuo, a estudante Joyce Lima Moreno conseguiu no ano passado uma menção honrosa no 41º Concurso Internacional de Cartas, promovido pela União Postal Universal (UPU) e realizado no Brasil pelos Correios. Embora não tenha sido oficialmente a vencedora, o feito é invejável. Foi a segunda vez na história que os organizadores do prêmio concederam tal menção a um participante – e Joyce concorreu com mais de 1 milhão de crianças e adolescentes de 55 países.







Principais feiras internacionais

“Todas as feiras e espaços de divulgação são importantes, porque o conhecimento não deve ficar fechado na escola”, afirma Sandra Tonidandel, coordenadora do programa de pré-iniciação científica no colégio Dante Alighieri. Além disso, ela defende que apenas com a existência de muitas feiras, mesmo as pequenas e regionais, o país vai alcançar a qualidade e treinamento adequados para estar cada vez mais presente nas feiras grandes e internacionais.


Mas a “Copa do Mundo” dos concursos internacionais é a Intel Isef (International Science and Engineering Fair), nos Estados Unidos. Para chegar até lá, os projetos passam por uma rigorosa pré-seleção em seus países de origem. O total de prêmios distribuídos chega a US$ 4 milhões, além de estágios e bolsas de estudos. Outro diferencial da feira é que há espaço para todas as áreas do conhecimento, desde comportamento e ciências sociais até o campo tecnológico. No Brasil, se classificam para a feira os premiados na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) e na Mostratec.


Na área da robótica, a First Lego League (FLL) é o maior evento; com suas quatro ligas internacionais e diversas seletivas regionais, chega a mobilizar 260 mil estudantes de mais de 70 países. No total, são distribuídos mais de 20 troféus. Também merece destaque a RoboCup, que para os jovens do ensino médio conta com desafios de dança, resgate e futebol. Quem quiser concorrer no evento global precisa vencer a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).


Outro campo que vem crescendo em importância internacionalmente é o da sustentabilidade. Para projetos verdes há pelo menos três disputas mundiais de peso, a Genius Olympiade o I-Sweeep (International Sustainable World Energy Engineering Environment Project), ambos dos Estados Unidos, e a Inespo (International Environment & Scientific Project Olympiad), na Holanda.








Quando o apoio vem da família

Nem sempre o estímulo e o espaço para trabalhar em projetos que acabam vencedores em concursos internacionais têm origem na escola. Para Vinícius Milani e seus colegas da equipe campeã em 2009 do prêmio Performance de Robô da disputa internacional First Lego League (FLL), o grande incentivo veio mesmo das famílias e da vontade de fazer um bom trabalho. “A escola mesmo não ajudou. A gente fez tudo no quintal da minha casa; minha mãe tinha de preparar lanches para a galera todos os dias”, lembra Milani, hoje estudante de engenharia de automação. Milani continua envolvido não só com a robótica, mas com campeonatos: foi juiz na última edição do torneio classificatório para a FLL em São Paulo.


Os pais dos jovens do time batizado de Terradroide também precisaram patrocinar o projeto, ou seja, arcar com os custos do material usado e das viagens da equipe. “Mas quando a gente voltou da Dinamarca com o troféu, fomos recebidos no aeroporto como heróis por nossos pais. Valeu o esforço de todo mundo”, diz.


Segundo Milani, além de terem pais que acreditaram nos sonhos dos filhos, foi importante que eles mesmos acreditassem que eram capazes. “O segredo para se sair bem é saber que você é tão capaz, tem tantas chances quanto estudantes de qualquer outro lugar do mundo. O que vai fazer a diferença é mesmo a dedicação. Tem de estudar muito, dedicar horas e horas, inclusive nas férias e fins de semana.”








Efeito olimpíadas

Olimpíadas realizadas em diversas disciplinas também têm refletido o bom desempenho dos brasileiros em competições internacionais. Em janeiro desse ano, Matheus Camacho, 14, foi o brasileiro mais novo a ganhar uma Olimpíada Internacional de Ciências, competição que começou em 2004 e reúne principalmente estudantes com 15 anos.  Após dez dias de provas, ele voltou do Irã com a medalha de ouro por equipes na prova prática, a principal da competição. Em 2012, o estudante Rodrigo Sanches Ângelo, de 16 anos, conquistou medalha de ouro na 53ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO). O evento, considerado o mais importante da área pela Unesco, reuniu 551 estudantes de 100 países na Argentina. Os efeitos das Olimpíadas no cotidiano escolar também são comemorados por quem coleciona medalhas. O município de Cocal dos Alves (PI), por exemplo, usou a competição como estratégia pedagógica e aumentou, ainda em 2009, seus índices no Ideb: saltou de 3,4 e 3,6 (de 5 e 9 anos, respectivamente) em 2005, para 5 e 4,5 em 2009, metas projetadas pelo MEC para 2015.

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