O novo termômetro

Provinha Brasil avaliará escrita e leitura de alunos das primeiras séries do ensino fundamental

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Com o objetivo de detectar no início do processo escolar os problemas e vácuos do processo de alfabetização, mais uma avaliação começa a ser feita a partir de abril. Instituída pelo Ministério da Educação (MEC) e formulada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Provinha Brasil, o novo exame, será feita por alunos que estejam cursando do 1º ao 3º ano do ensino fundamental I.

A prova, cuja aplicação ficará a cargo das redes municipais e estaduais de ensino, irá avaliar a capacidade de leitura, de interpretação de texto e habilidades básicas dos estudantes. Com 22 questões alternativas e duas escritas, está orçada em R$ 1 milhão. A partir do ano que vem, a idéia do MEC é instituir a Provinha Brasil em todo início de ano letivo.

O calendário deste ano ainda é incerto. Só no final de fevereiro o MEC começou a distribuir apostilas impressas (que trazem as regras e o exame) aos 1.242 municípios prioritários para a realização do exame. São aqueles que  apresentaram os piores desempenhos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Nenhum município é obrigado a participar. Os 4.322 restantes ainda não sabem a data para receber a apostila, nem a definição se ela será enviada por e-mail ou se será disponibilizada num link no site do Inep.

As questões foram criadas a partir de um pré-teste com 22 mil alunos de 12 Estados brasileiros, realizado no final de 2007, com 25 itens. As perguntas eram lidas pelo professor e respondidas pelo aluno. A idéia é manter essa mesma estrutura – o professor ler e o aluno responder – para a Provinha Brasil. "O pré-teste serviu para esclarecer possíveis dúvidas acerca das questões elaboradas pelos técnicos. Por isso, vamos sempre fazer uma avaliação-teste, pois a cada ano a provinha terá um conteúdo diferente e não queremos correr o risco de oferecer questões dúbias", explica Amaury Gremaud, diretor de avaliação da Educação Básica do governo federal. A meta é que nenhuma criança chegue ao 5º ano do ensino fundamental, aos nove ou aos dez anos, sem domínio da leitura e da escrita, como ocorre hoje em muitos municípios.

A prova servirá somente para estabelecer parâmetros de avaliação – não haverá um ranking dos melhores alunos. "A Provinha é um instrumento colocado à disposição das redes para auto-avaliação. Ao oferecê-la no início do ano letivo, o objetivo do MEC é dar instrumentos às escolas para comparar o aprendizado dos alunos do ciclo de alfabetização e, se necessário, oferecer reforço escolar", explica.


Material de apoio

O material oferecido às redes esclarece as formas de aplicar a prova e recolher os resultados. O conteúdo da apostila é dividido em seis tópicos. O primeiro explica o objetivo da prova e o que ela avalia. O segundo traz sugestões como o mês para a aplicação e os meios para que o professor aplique o exame. O terceiro tópico é a prova em si e o quarto traz um material explicativo para o aplicador. O quinto apresenta um guia de correção e o sexto traz propostas de intervenção teórica de acordo com cada resultado.

Para a diretora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da UFMG, Francisca Maciel, o exame é uma maneira de realizar um diagnóstico sem punir a criança. "É necessário que saibamos a etapa em que o aluno se encontra. O problema é que muitas vezes a instituição desconhece o aprendizado que já obtido antes da escola. A prova servirá como amostragem de como podemos intervir de forma eficaz na educação dessa criança", acredita Francisca.

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