O homem na educação

O tema da reportagem de capa da edição de setembro de Educação foi suscitado pela dissertação de mestrado de Joaquim Ramos da PUC-Minas, Um …

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O tema da reportagem de capa da edição de setembro de Educação foi suscitado pela dissertação de mestrado de Joaquim Ramos da PUC-Minas, Um estudo sobre os professores homens na educação infantil e as relações de gênero na rede municipal de Belo Horizonte (MG). Em sua pesquisa Ramos verificou que somente 14 de 1.837 profissionais em creches e pré-escolas da capital mineira eram homens em 2009. O dado municipal chama atenção para o nacional, que não é muito diferente. Os professores do sexo masculino são a minoria em todas as etapas da Educação Básica já faz algum tempo e a “feminização” do mercado tem implícitas outras questões que afetam a todos os envolvidos com o espaço escolar.


Chama atenção na pesquisa de Joaquim Ramos o fato de que os professores de crianças pequenas sofrem preconceito de diferentes formas: ou não são considerados “homens de verdade” por estarem numa profissão vista como feminina ou representam perigo para os alunos. Além disso, eles levam mais tempo para comprovar que “são tão bons quanto as mulheres”. Por outro lado, são percebidos com naturalidade quando ocupam cargos de gestão. Isso já foi abordado pela professora Marília Pinto de Carvalho, da Faculdade de Educação da USP, e, mais recentemente, por Daiane Pincinato, também da Feusp, em sua tese de doutorado Homens e masculinidades na cultura do magistério: uma escolha pelo possível, um lugar para brilhar (1950-1980). Como se pode ver no trecho dessa tese, não é algo recente:


A partir do estudo pioneiro de Luiz Pereira (1969), observa-se que no final da década de 1960 já era nítida a grande participação das mulheres nas atividades docentes do antigo curso primário, cujo índice alcançava àquela época 93,4% entre as 289.865 pessoas filiadas a essa atividade profissional na sociedade brasileira. (…) Pereira comenta que a expansão do nosso sistema escolar acarretou um aumento significativo no mercado de trabalho feminino. Segundo ele, tal situação devia-se principalmente às possibilidades que o magistério primário sempre ofereceu “à acomodação ou integração entre os papéis domésticos e profissionais”. Outro aspecto importante ressaltado por esse autor refere-se à “predominância feminina nas posições de ‘execução’ e masculina nas de ‘direção'”. Ele mostra que no interior do sistema escolar, bem como em outras áreas como saúde, assistência social, secretariado etc., encontrava-se, já àquela época, um número muito maior de mulheres desempenhando atividades “subordinadas” em vez de atividades de caráter administrativo.


Todas essas questões serão aprofundadas na reportagem que estamos produzindo e estará nas bancas em setembro. Aqui no blog, você acompanha o que achamos de interessante durante a apuração.

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