No centro da pauta

Soluções de personalização do ensino e palestras sobre o uso de recursos tecnológicos na escola foram destaques da Bett Brasil Educar 2015

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Divulgação
Estande de empresa que apresentou produtos de robótica no Educar: presença da tecnologia deu o tom do evento

Plataformas adaptativas, aplicativos, sistemas que integram avaliações e agendas, discussões sobre o uso de dispositivos móveis e redes sociais em sala de aula: as relações entre tecnologia e prática pedagógica estiveram no centro da Bett Brasil Educar 2015, realizada entre os dias 20 e 23 de maio em São Paulo. O evento, considerado o maior da área de educação da América Latina, reuniu 250 expositores, 18 mil visitantes – 43% a mais do que em 2014, segundo a organização – e 165 atividades, que aconteceram simultaneamente em 11 auditórios.

O tema central deste ano foi A escola dos nossos sonhos: horizontes possíveis, desafios imediatos. E grande parte desses desafios – e dos desejos de muitos fabricantes de produtos e serviços – tem uma feição digital. Não à toa, uma das palestras de abertura do evento teve como tema o uso das redes sociais na educação. Para a palestrante Luciana Zaina, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), educadores ainda veem a rede social como uma vilã para o aprendizado, quando na verdade ela deveria ser encarada como parceira. O grande trunfo das redes sociais, afirma Luciana, é permitir que o aluno tenha um papel ativo e seja parte da produção de conteúdo.

Entre as mais concorridas soluções apresentadas estavam as plataformas adaptativas, ferramentas digitais que buscam dar conta dos diferentes perfis e ritmos de aprendizado dos estudantes. O Poliedro, por exemplo, lançou o sistema de ensino P+, que oferece a cada aluno um feedback conforme ele aprende, orientando sobre próximos passos, criando metas individuais e dando sugestões de leitura e estudo.

O funcionamento é semelhante à plataforma Aprimora,  da Positivo Informática: dependendo de suas dificuldades, cada aluno percorre uma trajetória diferente de aprendizagem. A ferramenta tem testes programados para detectar, a partir de respostas incorretas dadas pelo estudante, os tópicos em que ele precisa de reforço. Várias dessas plataformas também permitem que o professor insira conteúdos próprios e tenha acesso a relatórios de performance dos alunos, em formato individual e coletivo – é o caso, por exemplo, do sistema apresentado pela holding Eleva Educação.

“Os recursos de tecnologia viabilizam a coexistência de múltiplos modelos de escola, de ensino e de aprendizagem”, avalia Vera Cabral, consultora de educação da Bett Brasil Educar. “Permitem que alunos de uma mesma turma aprendam por distintos processos e recursos, de forma mais aderente a seus interesses e aptidões.” A consultora destaca também a possibilidade de que a avaliação se torne um processo, “acabando com a figura da recuperação, sempre tardia e custosa”.

Como tendências vistas na feira, Vera aponta a despadronização de modelos e processos educacionais, a otimização do uso do tempo na escola para atividades colaborativas, a formação de comunidades de aprendizagens entre educadores e o fim de papéis predeterminados. “Todos aprendem e todos ensinam. E o professor lidera esse processo.”

Um dos entusiastas da tecnologia que estiveram no congresso foi o professor e pesquisador norte-americano David Cavallo, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Para ele, não é possível cultivar uma postura refratária à tecnologia: ela é parte da nossa realidade, por bem ou por mal. Nesse cenário, não cabe mais se perguntar se o professor terá seu papel reduzido diante dos recursos tecnológicos. O que ocorre é justamente o contrário: cabe ao docente a tarefa, cada vez mais necessária, de orientar os alunos sobre como usar a tecnologia para construir conhecimento.

Cavallo diz que, para desenvolver o pensamento crítico, é preciso fazer e criar – tarefa na qual a tecnologia tem papel essencial. Ele ilustra com um exemplo das aulas de física: é mais eficiente ensinar os princípios do atrito estático em um plano inclinado por meio de um projeto em que os alunos construam um modelo real do que usando apenas desenhos e representações na lousa. A tecnologia, nesse contexto, é um meio para o aprendizado.

A associação entre a argumentação de Cavallo e recursos educacionais como a robótica é quase instantânea. “O objetivo principal da robótica educacional é aumentar a motivação do aluno para o conteúdo curricular. Não é ensinar tecnologia – embora acabe ensinando também”, explica Leon Levi, programador e cofundador da Modelix Robotics, uma das expositoras no evento. A empresa fornece às escolas kits de robótica organizados por projetos. A partir de uma experimentação lúdica, afirma Levi, os alunos aprendem os princípios da ciência, que depois são reforçados em aulas teóricas.

O desafio de empreender

Pela primeira vez, as start-ups tiveram um espaço de exposição exclusivo na Bett Brasil Educar. Entre elas estavam empresas que desenvolvem aplicativos que buscam facilitar a comunicação entre escola e família. É o caso do ClassApp e do KidReports, ferramentas que funcionam como agendas digitais multimídia.

O desafio de desenvolver uma start-up em educação foi o tema da palestra de Alexandre Sayad, sócio-fundador do Media Education Lab. “Talvez o ponto mais promissor das start-ups seja a personalização do ensino, porque é um caminho que não tem volta diante do cenário de tecnologia hoje, e é uma tendência que de fato vai resolver algumas questões que um ser humano sozinho, diante de uma sala com 30, 40 pessoas, não consegue”, diz Sayad. Nesse cenário, o digital deve ser uma ferramenta, e não o objetivo de uma atividade ou projeto pedagógico.

Para a Bett Brasil Educar de 2016, Vera Cabral prevê a ampliação dos espaços para a apresentação de casos práticos do uso de soluções como essas. “Isso, na perspectiva de que, ano após ano, profissionais e escolas demonstrem maior familiaridade e amadurecimento no entendimento e no uso dos recursos de tecnologia disponíveis.”

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