Pela primeira vez em 55 anos, UnB tem o cargo de reitor ocupado por uma mulher

Para Márcia Abrahão, é preciso criar mecanismos de promoção e respeito à diversidade – dentro e fora das instituições de ensino

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Márcia Abrahão, primeira reitora da UNB

Márcia Abrahão, primeira reitora da UNB

Um levantamento realizado pelo portal UOL revelou que apenas um terço das universidades federais têm reitoras mulheres. Essa realidade não é muito diferente no exterior. Recentemente, a Universidade de València, na Espanha, anunciou que, pela primeira vez em 520 anos de história, a instituição será liderada por uma mulher.

A Universidade de Brasília (UnB), que tem 55 anos, quebrou uma tradição de mais de cinco décadas ao eleger Márcia Abrahão para o posto mais alto da instituição. Na entrevista que segue, Márcia dá a sua opinião sobre a ausência de mulheres nos cargos de liderança e fala da importância de criar mecanismos de promoção e respeito à diversidade.

Um levantamento do UOL de 2016 mostra que somente 1/3 das universidades federais no Brasil tem mulheres no cargo mais alto. Como vê esse dado numa perspectiva histórica?
É um dado que chama a atenção, uma vez que nós somos maioria no ensino superior e, em média, alcançamos mais anos de escolaridade. Para ter uma ideia, na UnB, dos 26 institutos e faculdades, apenas sete são chefiados por mulheres. Por que não chegamos aos cargos de liderança? Minha hipótese é que muitas mulheres se sentem desencorajadas a trilhar esse caminho, porque são erroneamente tachadas como sensíveis demais, despreparadas para lidar com desafios – quando isso não poderia estar mais distante da realidade. Nesse sentido, a figura de uma reitora também tem um papel inspirador, uma vez que jovens estudantes conseguem visualizar essa possibilidade para suas carreiras.

Sua campanha levantou pontos como diversidade, temática de gênero e inclusão. De que modo esses temas serão traduzidos no cotidiano da instituição?
Queremos que esses assuntos permeiem a construção de todas as políticas durante a nossa gestão. Para isso, criamos o Conselho de Direitos Humanos da UnB, que tem papel consultivo, propositivo e executivo. A proposta é que esse grupo seja um fórum de discussões sobre o assunto, que avalie e proponha ações de promoção aos direitos humanos no âmbito da UnB, que realize pesquisas, sugira parcerias e subsidie as decisões da administração superior nessa temática. A UnB tem uma comunidade muito diversa e precisa criar mecanismos de promoção e respeito a essa diversidade. Queremos que o assunto “direitos humanos” sensibilize a todos, não apenas aos que, tradicionalmente, lidam com o tema na Universidade.

Em termos conceituais, que desdobramentos a diversidade pode trazer para ambientes organizacionais, especialmente numa universidade?
Acredito que a promoção da diversidade só traz benefícios às organizações. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade carregada de preconceitos e estereótipos, e isso também é refletido no ambiente universitário. A nossa vantagem, digamos assim, é que estamos em uma instituição educadora. É nosso papel refletir sobre mecanismos de promoção da diversidade, envolver nossos especialistas, apontar caminhos e estratégias eficientes e, efetivamente, educar para a cidadania.

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