Meninos de ouro

Após primeira etapa da Olimpíada Brasileira de Matemática, estudantes se preparam para a segunda fase em setembro e para competições internacionais

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Gustavo Morita
Alessandro Pacanowski, vencedor da Olimpíada Brasileira de Matemática: “vejo as olimpíadas mais como uma diversão”

Algoritmos, probabilidades, equações, aritmética, geometria, combinatória, porcentagem. Para algumas pessoas, a simples menção desses termos já é o suficiente para desencadear uma sensação de mal estar ou, até mesmo, pânico. Já para o carioca Alessandro Pacanowski, estudante do primeiro ano do ensino médio e vencedor da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) de 2011, isso tudo é, como ele mesmo define, diversão.


O jovem começou a participar de competições matemáticas quando tinha apenas 11 anos. Depois de seu primeiro ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), ele não parou mais. “No sexto ano fui ouro, no sétimo também. No ano seguinte, fui chamado para participar de um programa de matemática para olimpíada em uma escola particular do Rio de Janeiro e foi aí que eu comecei a estudar de verdade”, lembra.


Alessandro está se preparando agora para segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), que acontece no dia 22 de setembro. Ele faz parte de um grupo de 24 alunos selecionados a partir do desempenho obtido na OBM e em provas aplicadas ao longo do ano para participar, durante três semanas, de um treinamento preparativo para a competição.


Entre esses alunos, foram convocadas as equipes que representarão o Brasil em torneios internacionais, como a Olimpíada Internacional de Matemática, a Olimpíada de Matemática do Cone Sul e a Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Até o dia 6 de julho, o seleto grupo permanece em São Paulo realizando simulados no período da manhã e assistindo às aulas durante a tarde. 


Mas para quem pensa que a vida dos participantes de olimpíadas se resume aos estudos, Alessandro esclarece que o ritmo intenso de trabalho do treinamento não interfere em sua rotina. “Eu estudo bastante, mas também faço outras coisas, como esportes, inglês, espanhol. Eu não me comprometo em ser o primeiro lugar”, pondera.


Pai e filho professores


Filho de professor de matemática, Daniel Santana Rocha, 15,descobriu as olimpíadas por meio do IMPA, onde seu pai fazia um curso chamado Programa de Aperfeiçoamento de Professores de Matemática do Ensino Médio.


Depois de conseguir resolver, ainda no sétimo ano, uma das questões do curso, ele foi orientado a se inscrever na Olimpíada de Matemática do Estado do Rio de Janeiro (OMERJ), na qual ganhou medalha de prata. No ano seguinte, ganhou bronze na OBM e ano passado conquistou o ouro. Neste ano, além do campeonato nacional, o estudante foi selecionado para participar da Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que acontece no final de julho, em Salvador (BA).

Aos 12 anos, Daniel tinha a ambição de estudar no Colégio Naval, cuja prova de admissão é uma das mais difíceis e concorridas do país. Como o estudante já tinha facilidade para aprender matemática, seu pai, Fernando da Rocha, o ensinou em casa toda a matéria que ele veria somente dali a alguns anos no ensino médio.








Gustavo Morita
Carlos Gustavo Moreira, coordenador da OBM, e Daniel Rocha: o estudante assumiu o papel de professor e criou um grupo de estudos para olimpíada em sua escola
Hoje, o carioca admite: não há muito mais o que aprender nas aulas de matemática. “Em geral eu ajudo o professor a dar aula”, conta. Com o objetivo de estimular mais jovens a se envolver com a disciplina, pai e filho montaram um projeto no Colégio Estadual Engenheiro Bernardo Sayão, onde Daniel estuda e Fernando dá aulas.


Os dois dão aula de matemática com foco nas olimpíadas para um grupo de 10 alunos desde o começo do ano. Fernando aponta que as aulas estimulam o aluno a usar a criatividade para resolver um problema matemático, diferentemente de uma aula tradicional que, segundo o professor, é focada apenas no que está nos materiais didáticos e não estimula o aluno a pensar.


O professor atribui o sucesso das aulas ao seu objetivo final: ganhar uma medalha nas olimpíadas. “A competição é um estímulo aos alunos, como em um jogo de futebol. Os estudantes querem o prestígio e o reconhecimento. O ensino público tenta recompensá-los com dinheiro, mas isso não adianta. Eles querem disputar”, avalia Fernando.


O mesmo projeto foi colocado em prática em 2011 na Escola Municipal Denise Maria Torres com alunos de quinto ano do ensino fundamental. A dupla lembra a história de uma aluna que apresentava resistência à matéria, porque foi desestimulada por um professor. Depois de alguns meses de aula, ela conquistou a medalha de prata na categoria escola pública municipal da OMERJ. “A minha intenção é transformar esses alunos em exemplo para os outros. Tornar o ensino mais atrativo para que eles percebam que o estudo tem futuro”, planeja o professor.


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