Letra viva

Escola do Rio Grande do Sul utiliza estratégias alternativas para ajudar alunos a vencer barreiras que não os deixavam progredir

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Trabalhar o conteúdo baseado em soluções e processos criativos está contribuindo para diminuir as dificuldades de aprendizagem em uma turma especial da rede municipal de Porto Alegre. Na Escola de Ensino Fundamental Mário Quintana, no bairro da Restinga, uma classe formada por alunos de 9 e 10 anos que não conseguiram a progressão no primeiro ciclo, o estudo não está isolado do contexto social e prático, além de ter uma estreita ligação com a expressão artística. De acordo com Marta Quintanilha Gomes, responsável pela turma e doutoranda em educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a principal dificuldade dos alunos está relacionada a problemas de leitura. “Para eles é muito mais difícil ler e escrever do que calcular quantas moedas vão precisar para comprar um ‘salgadão’. Por isso, fugimos da ideia de fazê-los sentar na frente de um papel para escrever”, conta ela, que também dá aulas na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Muitas atividades de alfabetização estão ligadas a questões práticas, que estimulam os alunos a buscar soluções. Para a preparação para uma reunião de pais, as crianças tiveram uma série de “tarefas”: em conjunto, pesquisaram e construíram o texto do bilhete. Em seguida, fizeram um bolo para receber os pais: para isso, tiveram de descobrir como ler a receita. Também prepararam uma apresentação de slides com fotografias do dia a dia – mas, para isso, precisavam dar títulos e legendas para cada imagem. “Cada vez mais, há um distanciamento entre a vida da escola e a vida fora dela. Diante disso, procuramos trabalhar com algo que não seja uma letra morta”, observa a docente.

A expressão artística também tem uma função importante. Marta utiliza a poesia, por propiciar uma experiência sonora e brincar com as palavras, assim como trava-línguas e reinvenção de textos. Ao mesmo tempo, estimula os alunos a interagir no teatro, na dança e em outras atividades artísticas. Como exemplo, cita um aluno com dificuldade se alfabetizar que, usando massinha de modelar, consegue criar narrativas. “O desenho dele é criativo, tem enredo, uma posição espacial diferente. É uma outra habilidade, que muitos que leem e escrevem não têm”, diz Marta.

Para ela, apenas com um projeto político-pedagógico bem amarrado é possível permitir essa postura diferente em relação à lógica de aprendizagem. “Nosso projeto considera as diferenças e o potencial de crescimento. É fundamental ampliar o repertório da criança.” A expectativa é de que em breve alguns alunos possam passar para o próximo ciclo e acompanhar os antigos colegas.


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