Inadimplência no ensino superior deve crescer

O percentual de alunos com mensalidades atrasadas deve encerrar este ano em 9,05%. Instabilidade econômica e política e novo corte do Fies são elementos que poderão contribuir com o aumento

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A 12ª Pesquisa de Inadimplência do Semesp revela que o percentual de alunos com mensalidades atrasadas há mais de 90 dias registrou uma leve queda em todo o Brasil e também no Estado de São Paulo, registrando 8,9% . O recuo foi de 1% em 2017 em comparação com 2016. Os dados foram levantados pela Assessoria Econômica da entidade por meio do Sindata – Sistema de Informações do Ensino Superior Particular.

Apesar do recuo, a inadimplência das instituições de ensino superior privadas permanece acima do índice de endividamento total das pessoas físicas, calculado em 5,25%. Esse indicador ainda teve uma queda de 12% no mesmo período.

Mesmo em um ano de crise econômica e drástica redução do Fies, a ligeira redução no universo de alunos devedores pode ser explicada pelo esforço feito pelas instituições de ensino para renegociar as dívidas e ampliar a oferta de crédito estudantil próprio por meio do parcelamento das mensalidades por períodos superiores aos dos cursos de graduação.

Por outro lado, as projeções da Assessoria Econômica do Semesp, realizadas com base em indicadores de atividade econômica, número de contratos do Fies e entrevistas com mantenedores de IES, apontam para o aumento da inadimplência para mensalidades com mais de 90 dias de atraso, que deve ficar em torno de 9,05% em 2018.

Essa projeção se deve ao prolongamento da crise econômica, agravada pelo cenário político totalmente indefinido, e mais uma redução drástica da oferta de vagas do Fies. Além disso, a capacidade das IES em ofertar crédito próprio aos alunos vem se esgotando e a tendência, portanto, deverá ser de ligeiro aumento da inadimplência, avalia a entidade.

A pesquisa do Semesp traz dados de 2017 em comparação a 2016 sob diversos aspectos, como por localidade (Brasil, Estado de São Paulo, região metropolitana e interior), por porte (pequeno – até dois mil alunos, médio – de dois mil a 7 mil alunos, e grande – acima de 7 mil alunos) e por diferentes períodos de atraso (até 30 dias, até 90 dias e acima de 90 dias), oferecendo um retrato bem detalhado dos índices de inadimplência. Confira os gráficos a seguir.

A taxa de inadimplência no Brasil
O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de alunos com mensalidades atrasadas até 30 dias, até 90 dias e
mais de 90 dias. O indicador referente ao atraso de curto prazo foi o que mais subiu em 2017.
Estado de São Paulo
O percentual de mensalidades com mais de 90 dias de atraso também registrou leve redução em 2017 no Estado de São Paulo.
Região metropolitana de São Paulo
Na região que concentra mais da metade (55%) das matrículas no ensino superior privado do estado, houve aumento de 6,5% na inadimplência acima de 90 dias.
Interior de São Paulo
No interior do Estado de São Paulo, a taxa de mensalidades vencidas há mais de 90 dias apresentou queda de 4,8%, registrando 10,6% em 2017. Já a taxa de inadimplência para mensalidades com até 30 dias de atraso chegou a 18,7%.
As instituições menores são as mais prejudicadas
As instituições de ensino superior de pequeno porte registraram as taxas mais altas de inadimplência em mensalidades com mais de 90 dias de atraso em 2017, atingindo 12,6%, bem acima das IES de médio porte (6,5%). Já as IES de grande porte registraram aumento de 6,7% em 2016 para 7,2% em 2017.
Inadimplência de pessoas físicas
Em 2017, a taxa de inadimplência do ensino superior privado no Brasil se manteve bem acima da taxa de inadimplência de pessoas físicas medida pelo Banco Central. A diferença ficou em 3,7 pontos percentuais.
Projeção para 2018
A Assessoria Econômica do Semesp projetou, por meio de modelo econométrico, com base na evolução histórica da intenção do consumo familiar, dos contratos de Fies, da inadimplência acima de 90 dias no ensino superior, e dos índices de atividade econômica, a inadimplência para o ano de 2018. A previsão é de crescimento na taxa de inadimplência, que deve atingir 9,05%.

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