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Tainá – A origem completa a trilogia sobre a carismática personagem, cujo destino é proteger a floresta amazônica  Em defesa da AmazôniaOs herois cinematográficos …

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Divulgação / Sincrocine
Tainá – A origem completa a trilogia sobre a carismática personagem, cujo destino é proteger a floresta amazônica

 
Em defesa da Amazônia

Os herois cinematográficos de crianças brasileiras são majoritariamente estrangeiros porque, entre outras razões, a produção infantil no país é pouco numerosa e sujeita a instabilidades de distribuição e exibição. Nesse cenário ainda desolador, um feito notável foi alcançado por uma personagem indígena que protagonizou três longas-metragens em um período de 10 anos e se tornou familiar para milhões de espectadores: Tainá, a brava guerreira de uma tribo amazônica. Em suas aventuras, ela está sempre integrada à natureza da região e procura defender a floresta de agressões variadas.

De grande empatia com crianças até 12 anos, especialmente, ela retornou em Tainá – A Origem (Brasil, 2011, 83 min), dirigido por Rosane Svartman (que assinou as comédias Como Ser Solteiro e Desenrola). Como o título sugere, a história volta no tempo para
revelar como foi que a personagem – interpretada pela estreante Wiranu Tembé – ficou órfã, sendo criada pelo avô, um sábio que apresenta a ela os valores e segredos da vida na floresta. Sabemos também, em uma chave mitológica, por que a proteção da Amazônia está prevista em seu destino.

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Svartman, o produtor Pedro Carlos Rovai e a roteirista Claudia Levay mantêm essencialmente os traços da personagem já apresentados nos filmes anteriores, mas exploram mais, neste terceiro longa, as peripécias infantis. Tainá ganha, por exemplo, a companhia de duas crianças em seu esforço (e em suas aventuras) contra a exploração desenfreada do meio: um índio aculturado que usa um computador para suas descobertas
(Igor Ozzy) e uma menina da cidade grande (Beatriz Noskoski) em visita ao avô (Nuno Leal Maia). É com essa “urbanoide” deslocada na floresta que as crianças mais tendem a se identificar.

Mazzaropi, ícone do caipira

Da ideia inicial à finalização, o jornalista e publicitário Celso Sabadin dedicou três anos e meio ao documentário Mazzaropi, agora disponível em DVD. Ao reconstituir a trajetória do ator, diretor e produtor Amácio Mazzaropi (1912-1981), um dos mais populares na história do cinema brasileiro, o filme presta importante contribuição ao entendimento do conceito de “caipira” em nossa cultura popular.

O que mais lhe chamou a atenção na trajetória de Mazzaropi?
O lado empresarial dele. Acredito que a grande maioria das pessoas conhece apenas o Mazzaropi cômico, ator. Eu sabia que ele tinha sido produtor também, mas não sabia que ele era tão sagaz, tão esperto em relação aos históricos problemas de distribuição e exibição do cinema brasileiro. Problemas, aliás, que persistem até hoje. Tanto que, ao assumir a distribuição e fiscalizar a exibição, ele consegue resolver esses problemas. Mas, depois dele, parece que quase ninguém se importou mais com isso.

Qual a importância dos filmes de Mazzaropi na propagação do conceito de caipira que circula entre nós ainda hoje?
Enorme, porque ele foi um dos maiores difusores dessa cultura, se não o maior (em penetração e alcance). Claro que houve muitos outros: as duplas Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, o humorista Simplício na TV Record e mais tarde no SBT, o próprio Nerso da Capitinga, bem mais recentemente. Mas Mazzaropi começa sua carreira praticamente nos anos 1930 (em circos), vai para o rádio, a televisão, chega ao cinema nos anos 1950 e faz nas telas um sucesso de 32 filmes em praticamente 30 anos. É um ícone muito forte. Até hoje, se você fala “Mazzaropi”, imediatamente nos vem à mente a figura do caipira. E ninguém fala “Qual Mazzaropi?”.

Por que a importância de voltar a Mazzaropi?
É a mesma importância de voltar a grandes ícones da cultura popular brasileira que são muito recentes (historicamente falando), mas que já começam a cair no esquecimento de um público mais jovem, bombardeado por modismos e consumismos que parecem durar apenas poucas semanas. Será que ainda se lembram de Ronald Golias, de Renato Corte Real, de José Vasconcellos, de Ankito, Zilda Cardoso, Walter D´Ávila, Walter Stuart? Eu, se pudesse, gostaria de voltar a todos eles e apresentá-los tanto às novas gerações, como reapresentá-los para os mais antigos, com novas informações que não circulavam na época do sucesso deles.

O que você diria a um professor que não conhece os filmes de Mazzaropi, com o objetivo de o estimular a conhecê-los?
Através dos filmes de Mazzaropi e das grandes massas de espectadores que ele levava aos cinemas, é possível traçar um belíssimo pano de fundo para o fenômeno da migração rural brasileira, principalmente a partir dos anos 1950, com o crescimento vertiginoso da capital paulista, que absorvia mão de obra rural. Também é possível, através de seus filmes, estudar a formação da cultura caipira, abordando Monteiro Lobato, com o filme Jeca Tatu (1959). Há também as adaptações literárias Candinho (1954), baseado em Cândido, de Voltaire, e As Aventuras de Pedro Malasartes (1960). Os filmes de Mazzaropi formam um belo apanhado da formação da cultura paulista da segunda metade do século 20.

Qual foi a sua relação como espectador com os filmes do Mazzaropi?
Por incrível que pareça, nenhuma. Quando eu era garoto, tinha visto pouquíssima coisa dele,
apenas na televisão, e gostava de ver a São Paulo de antigamente, nada mais. Só fui conhecer mesmo Mazzaropi nos anos 1990, já como crítico de cinema, quando aproveitei que toda a obra dele havia sido lançada em VHS e dediquei algumas semanas para estudá-lo, com interesse meramente profissional. Na época, cheguei a ir ao Museu Mazzaropi, em Taubaté, e nunca mais tive contato com a obra dele. Só a partir da pesquisa do documentário é que eu realmente me joguei no tema. E adorei.

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