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O som ao redor repercutiu pela leitura sociopolítica da vida em metrópoles   Sons do Brasil contemporâneo De longe o filme brasileiro de maior …

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Divulgação / Vitrine Filmes
O som ao redor repercutiu pela leitura sociopolítica da vida em metrópoles

 

Sons do Brasil contemporâneo

De longe o filme brasileiro de maior repercussão na mídia – inclusive no exterior – nos últimos dois anos, O som ao redor (2011, 131 min) teve um público relativamente pequeno nos cinemas, pouco superior a 100 mil espectadores (contra três ou quatro milhões obtidos por diversas comédias brasileiras lançadas no mesmo período). É um caso clássico de “filme de prestígio”: visto por formadores e multiplicadores de opinião, abraçado pela imprensa como objeto de discussão, ele terminou por ocupar um espaço, na agenda cultural do país, desproporcional aos números de bilheteria. Ainda bem que tenha sido assim.

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Em seu primeiro longa-metragem, o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho alinhava diversas histórias paralelas que se desenvolvem em um bairro de classe média de Recife (PE), desfigurado pela especulação imobiliária. O cotidiano dos moradores, pautado por sentimentos como medo da violência urbana e paranoia em relação aos outros, transforma-se com a chegada de um “segurança particular” (Irandhir Santos, que faz o deputado de Tropa de elite 2 e o protagonista de Tatuagem) que forma uma pequena milícia e oferece serviços na região.

Como o título sugere, o filme trabalha o som como um forte elemento expressivo – o que já bastaria para assinalar a sua singularidade no cenário brasileiro contemporâneo, tímido no departamento das experiências de caráter estético. A repercussão provocada por Mendonça, no entanto, está mais relacionada a uma leitura sociopolítica da vida em nossas metrópoles, com destaque para a luta de classes e a tentativa dos estratos burgueses de se manter à parte do restante da população, em trama multifacetada que faz eco, entre outras referências, ao livro clássico Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

Proposta para um novo olhar

Um dos mais recentes títulos a aproximar o cinema da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria, A vida não é filme? (Ed. da Universidade Federal de Uberlândia, 318 págs., R$ 40) reúne dez artigos baseados no princípio de que a linguagem cinematográfica pode ser usada “como um dos instrumentos didático-pedagógicos im­por­tantes na educação”, de acordo com uma das organizadoras, Deborah Rosária Barbosa, doutora em psicologia escolar e desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Qual foi o critério de seleção?
Convidamos professores de psicologia que também são amantes do cinema e que pudessem dar uma visão ampla a respeito da utilização de filmes como recurso para a discussão de temas psicológicos. Escolhemos artigos que pudessem usar diferentes aportes teóricos. Os assuntos giraram em torno de temas gerais, como a família, a escola e a morte, entre outros.

O que os professores de ensino fundamental e médio podem aprender com o livro?
Cada capítulo discute os principais temas abordados em um determinado filme, a partir de um olhar filosófico e psicológico. São indicados que tipo de discussões podem ser feitas com os alunos. Tem filme de animação, de terror, documentários… Durante muito tempo, a escola privilegiou o olhar cognitivo e racional. Ainda é pouca a importância dos aspectos afetivos, relacionais e sentimentais. Acredito que o livro, por tratar dos filmes de forma mais detalhada e delicada, proporcionará ao professor de qualquer nível de ensino uma oportunidade de um olhar mais afetivo, mais subjetivo e sensível para as questões humanas.

Em seu artigo, você analisa o documentário Pro dia nascer feliz (2007). O que destacaria para os professores?
Acredito que os professores do ensino médio têm nesse documentário de João Jardim um excelente material para discussão em sala sobre temas como adolescência e seus conflitos, violência no interior da escola e sexualidade. Outro tema importantíssimo, muito discutido no livro, é a situação atual da educação brasileira. Somos da opinião de que a escola deveria ter uma equipe de profissionais da educação, da psicologia e da assistência social trabalhando conjuntamente para conseguir lidar com as questões que estão além dos aspectos pedagógicos. Os professores do ensino médio têm uma difícil tarefa no mundo contemporâneo. Como diz uma diretora de escola no filme, fora da sala de aula os alunos encontram coisas muito mais divertidas e preferem aprender a partir de outros meios. Muitos não compreendem mais o papel da escola. O professor precisa ter recursos que façam o aluno se envolver com o processo de construção do conhecimento.

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