Imagem & Som

Memórias da escravidão Engana-se quem pensa que a sociedade norte-americana “passou a régua” na questão racial com a chegada de Barack Obama à Casa …

SHARE
, / 1091 0

Memórias da escravidão

Engana-se quem pensa que a sociedade norte-americana “passou a régua” na questão racial com a chegada de Barack Obama à Casa Branca, como se os dois mandatos do primeiro presidente negro dos EUA atestassem a superação de antigos conflitos. Diferentemente do que supõe essa linha de raciocínio, episódios do passado foram invocados nos últimos anos por Hollywood para saciar demandas do público em torno de um difuso sentimento na linha do “coisas assim não podem ser esquecidas e jamais poderão acontecer outra vez”. Se o alerta precisa ser feito, talvez exista quem ainda precise ouvi-lo.

 Esse grupo de filmes preocupados com o preconceito racial inclui Lincoln (2012), superprodução de Steven Spielberg que reconstitui a batalha política de um dos mais lendários presidentes do país (interpretado por Daniel Day-Lewis em atuação premiada com o Oscar) pela libertação dos escravos, e mais recentemente 12 anos de escravidão (2013, 134 min.), dirigido pelo inglês Steve McQueen (Shame) com base no livro de memórias de Solomon Northup – um cidadão negro e livre que, sequestrado por uma quadrilha de brancos, foi mantido como escravo durante anos, pouco antes da guerra civil norte-americana (1861-1865).

#R#

Pode-se gostar ou não dos procedimentos de McQueen para reconstituir o pesadelo vivido por Northup (interpretado pelo inglês Chiwetel Ejiofor), mas não se pode negar que nunca antes um filme de mercado – que arrecadou, até mea­dos de maio, US$ 187 milhões de bilheteria em todo o mundo – foi tão explícito, como um ultrajante reality show, na exposição do ódio e da violência raciais nos EUA. Nesse drama de sofrimento explícito, uma cena se destaca pela banalidade do horror, quando uma dança de escravos – constrangidos por seus patrões a lhes oferecer um espetáculo exótico – é subitamente interrompida por uma terrível agressão a um deles.

Dentro do filme 

Instalada em Curitiba (PR), a FTD Digital Arena entra no segundo ano de atividades com a perspectiva de ampliar seu uso graças a um convênio que beneficiará alunos de escolas públicas da rede municipal. “É o primeiro espaço digital multidisciplinar estereoscópico com tecnologia 4D fulldome da América Latina”, afirma Diórgenes Mamédio, gerente de negócios da arena, que oferece 120 lugares e uma tela em formato de cúpula semiesférica, com 14 metros de diâmetro, para projeções em 180 e 360 graus. O objetivo é “levar o aluno para dentro do cenário como personagem-espectador”.

Como é planejado o uso pedagógico do espaço?
Os professores, de escolas públicas e particulares, da educação infantil ao ensino médio, devem utilizar a arena como recurso didático-pedagógico dinâmico e de interação interdisciplinar alinhado à grade curricular do país. Para isso, o espaço oferece dez filmes educativos envolvendo as disciplinas de ciências, física, biologia e astronomia, que devem ser trabalhados com o apoio do Guia do Professor. É um material pedagógico alinhado à atual grade curricular do país, contemplando atividades interdisciplinares, que devem ser realizadas em sala de aula antes e depois de cada exibição, com o objetivo de colaborar com o aprendizado e fixação do conteúdo.

Quais os critérios para aseleção de filmes?
Os dez filmes disponíveis foram selecionados com o objetivo de possibilitar uma diversificação de conteúdo em diferentes áreas do conhecimento, além de incentivar exercícios pedagógicos interdisciplinares com outras áreas do conhecimento. Em relação a novos filmes, estamos customizando dois novos conteúdos pedagógicos a partir de demandas específicas solicitadas por algumas escolas. Um deles, denominado Nave Terra, é dedicado exclusivamente para as séries iniciais do ensino fundamental, trabalhando as diversas temáticas da astronomia para esse nível de ensino, como as estações do ano e a posição das estrelas no céu.

Qual a avaliação inicial douso da arena?
Em 2013, ano de inauguração, 17 mil alunos, de escolas públicas e particulares, participaram das sessões educativas apresentadas pelo espaço. Para o ano de 2014, recebemos, até o início de maio, mais de 2.700 alunos. Em todas as visitas, os professores responsáveis destacaram a utilização do espaço audiovisual como intervenção pedagógica capaz de possibilitar uma melhora significativa na formação do aluno, além de motivar os estudantes para o exercício do aprendizado, trazendo a tecnologia ao encontro dos anseios dos professores na busca contínua pela inovação em ambiente educacional. A partir desses resultados, a Secretaria Municipal de Educação de Curitiba fechou uma parceria com o espaço para disponibilizar uma sessão mensal com ingresso gratuito aos alunos de escolas municipais localizadas em regiões de vulnerabilidade social. Consideramos que a arena vem ao encontro da transformação do processo pedagógico das escolas públicas e particulares ao apresentar uma nova possibilidade de ensino por meio de experiências audiovisuais únicas e inéditas na América Latina, como o fulldome.

Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN