Quais habilidades devem ser privilegiadas

Estudo mostra quais são as características profissionais e pessoais que serão mais valorizadas no mercado de trabalho em 2030

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Estratégias de aprendizado, discernimento para tomar decisões, fluência de ideias, aprendizado ativo e originalidade. Essas são as cinco habilidades que serão mais importantes no mercado de trabalho em 2030. Isso é o que aponta uma pesquisa inédita realizada pela Pearson, uma das maiores empresas do mercado de educação no mundo, em parceria com a fundação britânica de inovação Nesta e Universidade de Oxford. O estudo O futuro das habilidades: empregabilidade em 2030 joga luz sobre as demandas que serão exigidas dos profissionais do futuro nem tão distante assim.

“Todas as habilidades identificadas como importantes nos mercados americano e britânico [locais da pesquisa] também são relevantes para a realidade brasileira, pois são qualidades valorizadas globalmente”, afirma Vincent Bonnet, líder de Eficácia da Pearson. “O dinamismo dentro e entre as áreas profissionais vai aumentar, mas pelo fato de o Brasil estar ainda em desenvolvimento, o processo aqui tende a ser mais lento que nos Estados Unidos e Europa”, complementa.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores aliaram conhecimento humano — um painel de especialistas — e inteligência artificial para criar uma projeção mais realista das tendências de empregabilidade para o futuro. Essa nova abordagem dividiu o mercado de trabalho em 23 áreas e/ou carreiras, analisou tendências globais (urbanização crescente, mudanças demográficas, crescimento da desigualdade, sustentabilidade, avanços tecnológicos, incertezas políticas e globalização) e identificou as ocupações que devem crescer, diminuir e outras em que ainda há indefinição.

Evidentemente, as carreiras de baixa especialização técnica, que exigem menos criatividade e são mais repetitivas, estão seriamente ameaçadas pela automação. Também é esperado um declínio na empregabilidade em áreas relacionadas a transporte, logística e fabricação tradicional.

Por outro lado, engana-se quem pensa que só os profissionais que atuam em carreiras que fazem parte do acrônimo STEM (sigla inglesa para science, technology, engineering e mathematics— equivalente às nossas ciências exatas) terão espaço. Ocupações que hoje não são vistas como muito especializadas ou nobres, como hospitalidade, cuidados com idosos ou preparação de alimentos, terão uma valorização no futuro guiadas por, respectivamente, exigência por serviços mais humanos, envelhecimento da população e padrões de consumo mais conscientes.

Os trabalhos artesanais sustentáveis e com retorno social para os locais onde estão inseridos, como fabricação de queijos, cervejas ou mesmo peças de vestuário, também tendem a ganhar relevância, assim como a área educacional, as ocupações relacionadas ao setor público e os setores criativos e digitais. Surpreendentemente, o conhecimento em áreas como história, filosofia, sociologia, antropologia e administração estão, em geral, associados a ocupações que preveem um aumento na participação de mão de obra.

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Ensino por competências

Para aqueles que estão estudando carreiras sobre as quais pairam dúvidas em relação ao futuro, não é preciso se desesperar. Eles podem melhorar suas perspectivas de empregabilidade se investirem na aquisição das habilidades certas. Neste sentido, o ensino por competências é um importante aliado para melhorar a formação profissional, já que a metodologia combina a aquisição de conhecimento técnico com o desenvolvimento de habilidades, atitudes e competências profissionais e socioemocionais.

Observando o ranking das dez habilidades que serão mais valorizadas, é possível concluir que as competências sociais serão uma das chaves para o sucesso à medida que a procura por capacidades exclusivamente humanas cresce junto com a ascensão da tecnologia. Também apresentam tendência de valorização a perceptividade social, originalidade, capacidade de transmitir conhecimentos, dentre outras.

Na lista das cinco primeiras, duas delas chamam a atenção por estarem intimamente ligadas com o processo educacional autônomo: estratégias de aprendizado e aprendizado ativo.

Trocando em miúdos, cada vez mais será importante saber estudar e aprender por conta própria para se manter atualizado e progredir profissionalmente.

A coordenadora do inovador curso de pós-graduação A Moderna Educação, da PUC-RS, Márcia Andréa Schmidt da Silva, corrobora essa percepção da valorização de competências ligadas à autonomia, gestão inteligente do tempo de trabalho e aprendizado por meio de interações sociais. “Hoje há todo um debate sobre as novas demandas na contemporaneidade, o savoir-faire [saber fazer] isolado já não basta, é preciso saber como fazer. E isso envolve mais proatividade do aluno e das instituições, que estão procurando aliar metodologias ativas com os novos recursos tecnológicos existentes, além de competências que vão além dos conteúdos tradicionais “, pensa ela.

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