Gestores em formação intensiva

Para contornar a dificuldade de capacitação em massa de seus quadros administrativos e acadêmicos, instituições apostam nos cursos in company

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Coordenadores de curso das Faculdades Integradas de Ourinhos: treinamento customizado para 40 profissionais

A profissionalização dos gestores de instituições de ensino superior não é um assunto novo no setor. Ao contrário: o tema está em discussão há mais de uma década, mas continua em alta porque muitas IES ainda não adotaram princípios de governança corporativa, principalmente aquelas que são ou foram comandadas por famílias.

Além disso, muitas profissionalizaram a administração geral e o departamento de finanças, por exemplo, deixando de lado áreas como o RH, a comunicação ou o próprio ensino, que, cada vez mais, exige um corpo docente familiarizado com novas metodologias pedagógicas e preparado para trabalhar em sintonia com a alta direção.

Há outro entrave de cunho geográfico nessa história: os cursos de capacitação são escassos e permanecem concentrados nas grandes cidades. Uma instituição regional não consegue treinar todos os seus coordenadores pedagógicos de uma só vez se tiver de deslocá-los para outro município. Além de inviável, a proposta sairia muito cara.

É nesse pano de fundo que estão ganhando relevo os cursos in company, como os oferecidos pela Universidade Corporativa Semesp, que ao longo de três anos já formou mais de 1,8 mil profissionais nas mais diversas áreas, entre elas RH, finanças, direito e marketing.

A Unifenas (Universidade José do Rosário Vellano), localizada em Alfenas, a 345 km de Belo Horizonte (MG), é uma das instituições que aderiu aos programas in company. Criada pelo professor Edson Antônio Velano, em 1988, a universidade tinha um perfil de gestão tradicionalmente familiar até 2014, quando começou a perseguir a profissionalização de seus líderes.

Mário Sérgio Oliveira Swerts, reitor acadêmico, explica que, naquele ano, a IES chegou ao consenso de que precisava renovar seus coordenadores: “Tínhamos de passar por uma reciclagem; precisávamos de novas ideias”, resume.

Conclusão: a partir do primeiro semestre de 2017, a Unifenas desenvolveu com a UC Semesp um programa de capacitação para mais de 20 coordenadores de cursos de graduação de todas as áreas da universidade. Entre os assuntos abordados figuram conhecimentos de marketing e endomarketing, legislação educacional e gestão acadêmica; desafios do EAD e estratégia para reduzir a evasão de alunos.

Mais recentemente, a IES decidiu reformular seu curso de Direito, visando “uma interação dialógica entre alunos e professores através das metodologias inovadoras”, como explica Swerts. Para tanto, foram destacados 40 professores para o curso in company de Formação Docente em Metodologias Ativas em Direito. Dividido em três módulos, ele versou sobre temas como “Formação docente em metodologias ativas no Direito”, “Como escrever casos para o ensino jurídico” e “Como utilizar casos nos cursos de Direito”.

Sem parar no tempo

Também em meados do ano 2000, outra instituição de ensino superior, a Universidade do Sagrado Coração (USC), de Bauru, iniciou “um processo de modernização de sua estrutura acadêmico-administrativa com o objetivo de fortalecer e ampliar sua produção acadêmica e os serviços prestados à sociedade”, como esclarece a reitora Irmã Susana.

Fundada no interior de São Paulo em 1953, a partir da pioneira Faculdade de Letras, Pedagogia, Geografia e História, e mantida pelo Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (Iascj), com sede em Roma, a USC passou a adotar uma postura de mercado mais agressiva há 15 anos, quando começou a oferecer novos cursos de graduação, bacharelado e licenciatura. Hoje, possui mais de 7 mil alunos matriculados em 41 cursos de graduação, 39 de especialização e quatro programas de mestrado e doutorado.

O processo culminou com o estabelecimento de um perfil institucional mais profissionalizado, que o curso in company de Capacitação de Coordenador Gestor, ministrado em três módulos, veio consolidar. “Ele atendeu à necessidade que tínhamos de poder revisitar nossas práticas de gestão, paradas no tempo; reafirmar nossos valores institucionais, discutir o papel de cada um em relação à nossa missão e tonificar a motivação pessoal e profissional dos nossos quadros”, explica a reitora.

Ao todo, 45 profissionais se debruçaram sobre temas como o “Papel do coordenador de curso como gestor acadêmico e administrativo” e “Gestão de pessoas para coordenadores de curso”.

Irmã Susana argumenta que a capacitação do profissional de ensino superior é um caminho sem volta no Brasil. “Não é só uma exigência de mercado. É uma necessidade institucional.”

A conquista de resultados

A percepção de que as instituições educacionais precisam conquistar seus alunos, tal como uma empresa depende da satisfação de seus clientes, é o que também motivou as Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO) a encomendarem o Programa de Formação de Coordenação de Curso à UC Semesp. Rodrigo Capelato, diretor executivo do sindicato, ministrou a primeira aula presencial que tratou do tema “Ensino superior no Brasil: panorama, tendências e indicadores de qualidade”.

Segundo o professor Bianor Colchesqui, diretor-geral da FIO, o resultado foi além das expectativas: “Não esperávamos tanta receptividade. A reflexão e a discussão mediadas por especialistas trouxeram para dentro da instituição uma nova visão do ensino e com isso conseguimos projetar a escola que queremos ter daqui a dez anos”, avalia.

Confrontados com novas tendências pedagógicas, permeáveis aos cases de sucesso relatados e munidos de informações atualizadas, os 40 professores-coordenadores que acompanharam as 20 horas-aulas propostas se tornaram “mais abertos ao conhecimento, mais motivados e sensibilizados”, conclui Colchesqui, lembrando que em 2009, a FIO registrava “um dos piores IGCs (Índice Geral de Cursos), o indicador de qualidade que avalia as instituições de educação superior.

“A partir de 2014, começamos a nos aproximar cada vez mais da pontuação 4”, comemora o diretor da IES, adiantando que a parceria com a US Semesp deve render novos cursos que possam pavimentar a transição da metodologia tradicional para a sala de aula invertida. “Estamos investindo em qualidade e atentos aos melhores projetos pedagógicos adaptados aos alunos que recebemos e ao perfil que desejamos que tenham ao devolvê-los para a sociedade”, afirma. Entre os programas customizados que a FIO pode encomendar ao Semesp está em avaliação um MBA de Gestão Financeira para Coordenadores de Cursos.

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