Formação de leitores

Livro reúne análises e reflexões sobre projetos que buscam desenvolver o gosto pela leitura

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Em um dos capítulos do livro Como um romance, o escritor francês Daniel Penac ressalta que qualquer adulto que queira desenvolver nas crianças o gosto pela leitura deve, antes de tudo, gostar sinceramente de ler. Se ele próprio não tiver uma relação prazerosa com os livros, dificilmente conseguirá engajar outra pessoa no universo literário. Professores de português e literatura certamente reconhecem a importância desse aspecto, mas sabem que nem sempre isso é suficiente em sala de aula. São necessárias metodologias e técnicas para promover a leitura, o que torna o Manual de reflexões sobre boas práticas de leitura indicado para os docentes da área.

A obra é assinada por três autoras, Eliana Yunes, Daniela B. Versiani e Gilda Carvalho, e resulta de uma pesquisa sobre 5,8 mil projetos de formação de leitores espalhados pelo Brasil. Todos foram analisados pelas especialistas e por pesquisadores convidados, que do extenso material conseguiram extrair análises e recomendações práticas. Segundo as informações contidas na introdução, muitos dos projetos ainda foram avaliados in loco por pesquisadores da Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio, que percorreram 17 estados no total.

As informações estão apresentadas na forma de pequenos verbetes que podem ser lidos segundo os interesses e necessidades de cada leitor. Eles cobrem três grandes temáticas: conceitos, práticas e espaços privilegiados de promoção de leitura (bibliotecas, salas de leitura e acervos).

Entre os diversos tópicos apresentados, as autoras falam sobre a utilidade das teorias literárias nas escolas; da importância de trabalhar com textos de interesse dos alunos, e não apenas com livros de autores socialmente consagrados pela academia; da necessidade, cada vez mais premente, de os professores se voltarem para os textos não verbais e para a “gramática” das imagens a fim de ensinar as crianças e os adolescentes a ir além do que os sentidos oferecem; e dos efeitos negativos que uma avaliação comum, envolvendo questionários, resumos e quaisquer outras atividades que valham nota, pode ter na relação dos jovens com os livros.

Considerando que o principal influenciador de leitura no Brasil é o professor, segundo a pesquisa Retratos da leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, reflexões como essas têm potencial para contribuir com a prática diária, bem como as sugestões das atividades propostas pelas autoras.

Outras leituras

O pequeno lorde, de Frances Hodgson Burnett (Editora 34, 208 págs., R$ 34) Ilustração ao lado
Livro considerado um dos grandes clássicos da literatura infantojuvenil e comumente apontado como o Harry Potter de sua época. A história se passa no século 19 e conta a trajetória de Cedric Errol, um garoto pobre de oito anos que descobre ser herdeiro de um rico conde inglês. Tradução de Tatiana Belinky.

A grande onda, de Véronique Massenot (Melhoramentos, 32 págs., R$ 39)
A gravura A grande onda de Kanagawa, do artista Katsushika Hokusai, serviu de inspiração para esse conto, que narra a história de um bebê trazido por uma onda a um casal de pescadores. O livro integra a coleção Ponte das Artes, composta por outros quatro volumes, todos baseados em obras de arte.

A sorte de Pipo, de Matze Doebele (Peirópolis, 32 págs., R$ 32)
Publicada originalmente em alemão, a nacionalidade de seu autor e ilustrador, o título explora temas como a diversidade cultural e o respeito às diferenças. Pipo, o personagem central, não consegue voar como os demais e, por isso, vive ouvindo comentários maldosos. Mas, com o apoio de sua família, ele sai em busca da felicidade.

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