Fonte de futuro

Os prognósticos são unânimes em prever que o pré-sal tem tudo para alçar o Brasil a uma nova posição econômica, social, geopolítica e tecnológica

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Agência Petrobrás
Os reservatórios do pré-sal brasileiros alcançaram, em julho, a segunda maior produção da história. Segundo anúncio da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a produção do pré-sal em julho foi de 172,8 mil barris ao dia de petróleo e de 5,7 milhões de metros cúbicos, num total de 208,9 mil barris de óleo equivalentes por dia, um aumento de 9% em comparação ao mês anterior. Apesar de estar longe da expectativa de produção nacional para 2020, de 5,2 milhões de barris ao dia,  os números relativos à exploração de petróleo e produção de biocombustíveis no Brasil são tão expressivos quanto os desafios que o país terá de enfrentar se quiser vê-los transformados em realidade. Apontado em diversos estudos como a nação do futuro na produção de energia verde, ou renovável, assim como uma das bolas da vez na finita exploração de petróleo desde a descoberta da camada do pré-sal, o Brasil parece ter à disposição a oportunidade única de dar um enorme salto econômico, gerando emprego e renda para milhares de trabalhadores.

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Especialistas em energia concordam que a exploração petrolífera nas próximas décadas em regiões da Ásia Central, na África (em países como Sudão e Nigéria) e agora no pré-sal brasileiro são as últimas três fronteiras mundiais do cobiçado ouro negro. Sabedores de que a principal fonte energética que move o mundo está com seus dias contados, os mais ricos países do planeta estão com os olhos voltados para as profundezas de nossas águas oceânicas e do quê sairá lá debaixo.


Próximo do fim
Tanta atenção explica-se pelo contundente prognóstico de que a atual taxa de consumo mundial de petróleo, próxima dos 85 milhões de barris/dia, faz com que os dois trilhões de barris remanescentes em recursos convencionais conhecidos chegarão ao fim dentro de três ou quatro décadas. Anualmente, a economia petrolífera movimenta cerca de US$ 2 trilhões ao ano. Tais cifras astronômicas dão a exata medida do que está em jogo. 


É neste cenário de números altos que a Petrobras aprovou no último mês de junho seu novo plano de negócios para o período 2012-2016, no qual projeta investir US$ 236,5 bilhões, com uma média anual de investimento de US$ 47,3 bilhões até 2016. A função de exploração e produção (E&P) recebeu a maior parcela, com US$ 141,8 bilhões, ou 60% do total que será investido. Do volume final de E&P, o pré-sal ficou com 51%, pouco mais da metade de todo o investimento projetado nos próximos quatro anos para a exploração e produção de petróleo no Brasil, um indicativo claro de sua importância para a economia do país. Os prognósticos são unânimes em prever que o pré-sal tem tudo para alçar o Brasil a uma nova posição econômica, social, geopolítica e tecnológica.


Emprego à vista
Tanta injeção de dinheiro demandará novos equipamentos e serviços associados à cadeia produtiva do petróleo, resultando assim na necessidade de formação e capacitação de mão de obra especializada. Analistas estimam que cerca de dois milhões de empregos serão criados até 2020, considerando todos os níveis educacionais, do fundamental até os pós-doutores que atuam no topo do desenvolvimento tecnológico; da cadeia produtiva do aço até as refeições servidas nas plataformas. No curto prazo, cerca de dois ou três mil empregos já serão gerados para engenheiros e geólogos, seja por meio de concursos públicos da Petrobras ou contratações de empresas privadas que participarão dos projetos na camada do pré-sal.


A grande questão, motivo de discórdia entre especialistas, é a origem desses novos trabalhadores. Desde 2003, o governo federal adotou uma política conhecida como Lei de Conteúdo Local, uma série de regulamentações que obriga as petroleiras a contratarem dentro do Brasil entre 55% e 65% dos serviços e equipamentos. A proposta, bem-intencionada e justa, infelizmente ainda não está em concordância com a realidade da indústria local, que não tem capacidade de suprir a demanda e pode colocar em risco o cumprimento das ousadas metas de produção. Como exemplo, basta dizer que em recente estudo do Instituto de Economia da UFRJ, a indústria local só tem condições de atender 5 das 24 categorias de equipamentos tidos com vitais para a exploração e produção do óleo do pré-sal.


Seja como for, esforços estão sendo feitos para privilegiar os profissionais brasileiros. O curso de engenharia de petróleo da Poli-USP, por exemplo, está quintuplicando o número de vagas para este ano. Além disso, não é difícil identificar diversas empresas do setor abrindo vagas e clamando por profissionais qualificados. A dificuldade em encontrá-los já faz com que algumas destas empresas estejam firmando convênios com universidades para ter acesso mais rápido a essa nova mão de obra que está sendo formada.


A vez da energia verde
Acostumado com os superlativos referentes ao rio Amazonas, o maior do mundo, ou a própria floresta amazônica, a maior de todas as florestas, o Brasil desponta também como um dos principais produtores de energia renovável do planeta, com reais possibilidades de já nas próximas décadas liderar esta lista. Tanto otimismo deve-se ao potencial energético em biocombustíveis do país, verificado em seus rios, no bem-sucedido programa do etanol e, mais recentemente, com o biodiesel, extraído de oleaginosas como o girassol, palma de dendê, mamona, canola, amendoim, soja e algodão, além de matérias-primas de origem animal, tais como o sebo bovino e a gordura suína.


Quando o programa de produção de biodiesel começou, em 2005, o Brasil gerou cerca de 700 mil litros do biocombustível. Apenas seis anos depois o volume alcançado foi de 2,7 bilhões de litros, tornando-se o segundo maior produtor mundial – atrás apenas da Alemanha -, e movimentando com tal quantidade US$ 6,5 bilhões em sua economia. E a tendência segue sendo de alta. No último mês de agosto, as duas principais entidades do setor, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) anunciaram a previsão de que o país investirá R$ 28 bilhões até 2020.


Os números otimistas estão em concordância com o novo marco regulatório do setor, atualmente em estudo por parte do Governo Federal, e que prevê o limite de mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comum. Desde 2004, quando passou a vigorar o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, a percentagem de adição é de 5%. Agora, tal valor deverá aumentar para 10% em 2014 e atingir 20% em 2020.


Se todas estas perspectivas se concretizarem, o Brasil poderá transformar-se, nas próximas décadas, no principal produtor de biocombustíveis do mundo. Segundo estudo realizado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as exportações de etanol poderão aumentar de 1,8 bilhão de litros na safra 2011/2012 para 10,2 bilhões em 2021/2022, um salto impressionante de 457%. O principal comprador do etanol brasileiro são e deverão continuar sendo os Estados Unidos, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional exportada.


Trabalho limpo
Em janeiro deste ano, a empresa Bloomberg New Energy Finance apresentou, no Fórum Econômico de Davos, o relatório intitulado “Rumo a uma economia de etanol de próxima geração”. O estudo tratou de estimar as perspectivas socioeconômicas do desenvolvimento de biocombustíveis, também chamados de energias limpas ou renováveis, em oito das maiores regiões agrícolas do mundo: Argentina, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, México e União Europeia.


Segundo o estudo, o Brasil tem condições de criar aproximadamente um milhão de novos empregos na cadeia produtiva do biodiesel. Atualmente, o país tem 889 mil trabalhadores no setor.


Embora a agricultura familiar tenha sido um dos pilares da produção e geração de empregos na cadeia do biodiesel, com o cultivo de mamona, dendê e girassol, cerca de 96% do biocombustível produzido no Brasil advêm da soja (82%) e do sebo bovino (14%). Isso demonstra um claro apoio em duas cadeias produtivas bem estabelecidas no país e o quanto ainda há de espaço para ampliar a geração de empregos na agricultura familiar.









Matriz energética


As vantagens econômicas e tecnológicas da exploração de petróleo do pré-sal não devem desacelerar o avanço das energias renováveis no país. Afinal, o Brasil tem a oportunidade de ser o primeiro país exportador de petróleo em harmonia com uma matriz energética limpa. O avanço ocorrerá mesmo com a expansão na produção de petróleo, que deve passar dos atuais 2,2 milhões de barris/dia para 5,3 milhões de barris/dia em 2020 – 2,8 milhões já abasteceriam o mercado interno.


Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as fontes renováveis somaram, em 2011, 44,1% da matriz energética brasileira, acima da média mundial de 13,3%. Entre as renováveis, os produtos da cana-de-açúcar lideram com 35,5%, seguido pela energia hidráulica (33,2%). Entre as não renováveis, petróleo e derivados responderam no último ano por 38,6% do total.

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