Uma aposta na formação docente

Na contramão do mercado, Faculdade Rudolf Steiner abre as portas no Brasil com 50 vagas presenciais para o curso de Pedagogia

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Aula de desenho em lousa: ênfase na formação humana e artística

O Censo da Educação Superior mostra que mais da metade (56%) das matrículas em cursos de Pedagogia está em programas de ensino a distância. E a tendência é que essa participação cresça ainda mais, como revelam os dados dos anos anteriores.

Na contramão dessa realidade, a Faculdade Rudolf Steiner abriu as portas em São Paulo para oferecer um curso de Pedagogia no modelo presencial – e com apenas 50 vagas. Destas, 35 foram preenchidas no primeiro semestre, ou 64%.

De acordo com Melanie Mangels Guerra, diretora e uma das idealizadoras da faculdade sem fins lucrativos, o plano de viabilidade econômica só foi possível graças ao suporte da mantenedora, a Associação Pedagógica Rudolf Steiner, e ao apoio de duas instituições globais alemãs: a Fundação Software A. G. Stiftung e o Instituto Mahle. “Temos um tempo de estruturação de quatro anos, depois teremos de caminhar por conta própria”, explica. Os cursos de pós-graduação, que já eram oferecidos antes da inauguração da faculdade, também ajudam a financiar a operação da graduação neste começo das atividades, complementa.

Apesar de ser uma faculdade construída sobre sólidas bases da filosofia Waldorf, seu currículo contempla o conhecimento de outras teorias e correntes pedagógicas contemporâneas, promovendo o diálogo entre as muitas linhas educacionais. O corpo docente é formado por profissionais especializados na pedagogia Waldorf, muitos deles formados nos cursos lato sensu da própria IES, e também por professores oriundos de faculdades tradicionais de pedagogia.

O objetivo, conta Mangels Guerra, é a formação de um pedagogo mais humanista e conectado com as necessidades sociais e de interação das crianças e jovens. “A nossa parte teórica é similar à das demais faculdades de Pedagogia, mas com uma ênfase maior para a formação humana e artística, com muito autoconhecimento e sensibilização para preparar os futuros professores a trabalhar melhor com as crianças”, diz. A diretora acredita que apenas a teoria não basta, por isso é preciso valorizar os processos dialógicos, as interações sociais e a prática.

Nesse sentido, a maior parte da carga horária obrigatória de estágio será feita em escolas públicas na região. Depois, os alunos ainda têm de cumprir tempos menores em instituições privadas e em escolas Waldorf. “Valorizamos muito a prática em nosso currículo, é como uma residência mesmo, com muito contato e parcerias com escolas”, explica. A estruturação do currículo levou cinco anos, com pesquisas em centros de formação de professores no Brasil e no exterior.

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