Estranho no ninho

Crianças e jovens que sofrem com a ideia de afastamento da figura familiar podem desenvolver fobia escolar, transtorno de ansiedade que pode levar à depressão

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A resistência que muitos estudantes apresentam no simples hábito de frequentar a escola pode não ser mera preguiça a partir da perspectiva de se tratar de um “mal necessário”. Crianças e adolescentes muito apegados à família podem desenvolver o quadro de fobia escolar, um desdobramento da fobia social, caracterizada pela inadequação ao ambiente no qual se está inserido, gerando o temor na convivência com estranhos, em ter de se expor em sala de aula etc.


De acordo com a psicopedagoga Carmem Fidalgo, a fobia escolar tem um escopo amplo de possibilidades: embora apareça com maior ênfase em estudantes na faixa dos 10 anos, pode atingir desde crianças de 5 anos até universitários. “A fobia escolar pode evoluir para um quadro de depressão, se não tratada adequadamente, pois a criança torna-se apática, retraída, tem baixo rendimento escolar, dificuldades de aprendizagem e um desinteresse geral, abandonando o que lhe dá prazer”, explica Carmem, lembrando que tais sintomas tendem a ser vistos por pais e professores como preguiça.


Por outro lado, ela acrescenta, o distúrbio também pode se manifestar na forma de agressividade, contra colegas e professores. “Embora estes ímpetos emocionais façam parte da oscilação normal do desenvolvimento, devemos ficar atentos com a frequência e a desproporção”, aponta. Ela explica que a fobia escolar é um transtorno de ansiedade, gerada por um sofrimento da criança ou do adolescente com a ideia de se afastar da figura de vinculação – pais, irmãos, quem quer que seja o responsável. As crianças menores podem apresentar medo excessivo de ficar sozinhas sem a presença de um adulto, além de ter problemas com o sono: pesadelos, incapacidade de dormir fora de casa, etc. Também podem apresentar queixas de dores abdominais, vômitos, náuseas e dores de cabeça.


A psicopedagoga diz que a insegurança do fóbico escolar pode ser reflexo do comportamento familiar. “Pais ansiosos que temem assaltos ou desastres, que têm preocupações excessivas, acabam por contaminar seus filhos”, ela diz. O transtorno também pode ser gerado a partir de um desencadeante traumático, como um episódio de estresse emocional do qual o jovem tenha sido vítima. “Essas situações ocorrem sem o conhecimento dos professores, às ocultas, causando grande pavor na vítima, sendo-lhe imposta a lei do silêncio sob pena de piorar sua situação. Isso origina o medo de retornar à escola. Ela fica retraída e perturbada”. Intervenção psicotrópica só deve acontecer em casos extremos. Segundo Carmem, os pais devem estimular a criança a ir à escola com base no diálogo, sendo firmes, mas sem autoritarismo, “ouvindo-a e auxiliando-a a dominar suas emoções, a transpor obstáculos e a vencer medos infundados”.

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