Conteúdo ensinado nas universidades americanas entra na mira dos congressistas

As investidas visam promover o estudo da civilização ocidental e de seus pensadores

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campiOs congressistas republicanos estão especialmente interessados nas universidades estaduais, mais precisamente no conteúdo de seus cursos. Na opinião deles, há um excessivo liberalismo nos campi americanos que precisa ser atacado. No estado do Arizona, os legisladores estão usando os recursos públicos para financiar iniciativas como a Escola de Pensamento Cívico e Econômico e Liderança, criada na Universidade do Estado do Arizona, e o Departamento de Política Econômica e Ciência Moral, instalado na Universidade do Arizona.

De acordo com o jornal The New York Times, as medidas ferem o direito das instituições de decidir como gastar o recurso público e reforça a ideia, retomada de tempos em tempos, de que é preciso uma intervenção governamental para conter a suposta doutrinação liberal dos professores.

Em linhas gerais, os programas promovem o estudo da civilização ocidental e de seus pensadores, o que inclui os gregos antigos, os “pais fundadores” (Founding Fathers of the United States), como os americanos se referem aos políticos e pensadores que assinaram a Declaração de Independência, e os teóricos do livre comércio.

Na opinião de alguns professores, essas iniciativas são um retrocesso, pois promovem uma visão unilateral dos fenômenos, especificamente, a de homens e brancos. Os teóricos representativos das minorias raciais e das mulheres saem enfraquecidos nesse contexto.

Os protestos nos campi também estão no alvo dos legisladores. Com base em incidentes recentes envolvendo a apresentação de pensadores considerados conservadores, os congressistas de Nebraska apresentaram um projeto de lei que estabelece a criação de comitês nas universidades para monitorar “barreiras” ao livre discurso.

Segundo o jornal, essas intervenções refletem a polarização hoje existente em torno do ensino superior nos Estados Unidos. Uma pesquisa realizada pela Pew Research mostrou que, para 58% dos republicanos, o ensino superior tem um efeito negativo sobre o país. Há dois anos, esse indicador era de 37%. Entre os democratas, contudo, o índice daqueles que acreditam nos efeitos positivos dos programas de graduação e pós-graduação é de 72%.

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