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Regras mais flexíveis no ensino a distância estimulam as instituições a buscar o apoio de fornecedores de produtos e serviços

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Por Evirelto Tadeu

Doze meses após a aprovação das novas regras de credenciamento e oferta de cursos a distância, os fornecedores já sentem os efeitos positivos do novo cenário. “A regulamentação estimulou bastante a demanda por ferramentas para a gestão do ensino a distância”, confirma Ricardo Santos, gerente regional da América Latina para o setor de educação da Cisco Systems.

“O nível de exigência anterior ao decreto acabava gerando muitas despesas. A expansão do EAD é muito boa para o Brasil, porque dá oportunidade de acesso à educação”, acrescenta o gerente da companhia, que, entre outros serviços, fornece uma plataforma de vídeo e colaboração, denominada WebEx, que funciona como um complemento aos sistemas de gestão de aprendizagem (LMS, na sigla em inglês) e reúne, em um único ambiente, videoconferência, salas virtuais de grupos, recursos de mensageria, telefonia, compartilhamento de arquivos e lousa digital.

Além de acelerar e baratear os processos, as normas atuais permitem que as instituições atuem exclusivamente na modalidade a distância, incentivando a entrada de novos competidores, ressalta Pedro Filizzola, diretor de marketing da Sambatech. “Essa mudança favoreceu o acesso ao ensino superior, e beneficiou o mercado como um todo”, resume o executivo da startup mineira, que desenvolveu uma plataforma para a transmissão e distribuição de vídeos pela internet, utilizando a tecnologia streaming. A ferramenta faz desde a transferência do arquivo bruto de vídeo, até a hospedagem com segurança e a disponibilização do conteúdo em qualquer lugar do mundo.

De acordo com Filizzola, a empresa já vinha registrando crescimento no segmento de ensino a distância, um dos principais mercados da empresa, antes mesmo da edição do decreto. “O mercado de vídeo tem crescido como um todo, inclusive no EAD, onde a expansão se deve ao aumento da confiança dos alunos na modalidade, à qualidade dos conteúdos e às tecnologias inovadoras de engajamento”, aponta Filizzola.

O mesmo impacto positivo nas vendas também já é sentido na Totvs. “Nos últimos 12 meses, houve uma aceleração muito grande nos projetos de EAD. Percebemos um movimento bem grande dos nossos clientes para ampliar a oferta de cursos a distância”, afirma Eduardo Pires, diretor dos segmentos de Construção & Projetos, Educacional e RH da Totvs.

A expansão do EAD, na realidade, já vem acontecendo há alguns anos, mas se acelerou a partir da portaria, enfatiza Pires. “Vários clientes começaram a nos procurar, e a gente percebe nas conversas que eles estão se estruturando muito mais. Nossa expectativa para os próximos anos é de uma curva de crescimento mais acentuada do EAD. Naturalmente, haverá uma consolidação do mercado, tal como aconteceu com os cursos presenciais”, calcula.

O executivo observa que, além das soluções de LMS, as IES necessitam de ferramentas de gestão para dar suporte à estrutura do ensino a distância, desde o registro dos alunos nas turmas, o controle financeiro até a emissão de notas fiscais. “Todo o processo de crescimento e expansão do EAD traz também uma necessidade de organização das instituições, porque a dinâmica é muito grande.”

Em razão disso, Pires explica que a Totvs desenvolveu uma solução que cobre todo o ciclo de gestão acadêmica e se integra aos sistemas de LMS do mercado e ao ERP da própria empresa. “Ela abrange desde a captação do aluno, fazendo toda a parte do processo seletivo em si, passando pela gestão do currículo acadêmico do aluno até a gestão financeira”, explica. No ano passado, a solução passou a integrar a ferramenta Retenção de Alunos by Carol, plataforma de dados de qualidade e inteligência artificial da empresa.

Alta disponibilidade

Essa movimentação do mercado é de mão dupla, como gostam de ressaltar seus participantes. Assim como o crescimento das instituições aquece o mercado de serviços e soluções de EAD, o desenvolvimento desse mercado também influencia as estratégias do setor educacional. A oferta de cursos a distância demanda muito da infraestrutura de TI, já que a plataforma tem de estar disponível 24X7 e operar com muitas transmissões ao vivo, observa Lars Janér, diretor da Instructure para América Latina, multinacional criadora do Canvas, um dos sistemas de gestão de aprendizagem mais populares do mercado.

A indisponibilidade dos sistemas, juntamente com a falta de interatividade e a qualidade dos conteúdos, aliás, estão entre as principais causas de evasão. Segundo dados compilados pela Totvs, no Brasil, a taxa de desistência no ensino superior é de aproximadamente 25%, mas em alguns cursos esse índice chega a 50% nos três primeiros semestres. Os números são alarmantes e trazem consigo uma série de consequências, entre elas perda de receitas. Em uma faculdade com até 5 mil alunos, a perda semestral pode atingir cerca de R$ 6,75 milhões, segundo estimativas.

A receita para evitar essa situação está justamente na alta disponibilidade do sistema, e na incorporação de novas tecnologias e ferramentas educacionais, ressalta Rubens de Oliveira, diretor de operações da DOT digital group, que acaba de lançar o StudiON, um sistema de gestão de aprendizagem do tipo SaaS (software como serviço), hospedado em uma estrutura de nuvem de alta disponibilidade.

Um aspecto desfavorável desse mercado, na opinião do executivo, é que as plataformas de LMS não evoluíram de acordo com as necessidades. “Algumas ainda nem são responsivas [ou seja, não operam em qualquer dispositivo] ou integram apps, por exemplo”, diz ele, acrescentando que, em geral, continuam com as mesmas funcionalidades tradicionais, níveis de acesso, chats, fóruns, etc. “Não são integradas. Poucas incorporaram as redes sociais, gamificação, processos automatizados, soluções e recursos educacionais tecnológicos como por exemplo simuladores e inteligência artificial. A flexibilização do novo marco regulatório foi boa, porém, estimula a concentração nos grandes grupos educacionais.”

Para Oliveira, o impacto da regulamentação nas vendas da DOT também foi positivo, “No geral, melhorou. Porém, não somos uma empresa que atua no mercado de educação formal e regulado. Prestamos alguns serviços e soluções educacionais às instituições de ensino que são nossos clientes. Para este ano esperamos uma taxa de crescimento menor”, avalia.

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