Dedicação para formar pessoas

Instituições de ensino investem no departamento de recursos humanos e aperfeiçoam os resultados no ensino por Cristina Morgato Na Fundação de Rotarianos de São …

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Instituições de ensino investem no departamento de recursos humanos e aperfeiçoam os resultados no ensino

por Cristina Morgato

Na Fundação de Rotarianos de São Paulo (FRSP), mantenedora das Faculdades Integradas Rio Branco, ao invés de recursos humanos, a nomenclatura da área responsável pelas pessoas é de relações humanas (RH). A gestão do setor está estruturada em três grandes áreas: seleção e capacitação, departamento pessoal/remuneração, benefícios e qualidade de vida. O princípio básico de todo o trabalho realizado é o respeito, a ética e o cuidar das pessoas, no caso, de seus colaboradores. Um dos diferenciais da área é a seleção e contratação docente. “Em nosso processo, os professores passam por uma ‘aula teste’, ou seja, uma aula experimental, ministrada para uma comissão avaliadora. Isso acontece com todos, independentemente da titulação ou tempo de docência do professor candidato”, conta Magda Macedo Cintra, gerente de RH da FRSP. Nessa simulação de aula são observados, além do domínio em sala de aula, a capacidade de motivação dos alunos, as ferramentas e recursos tecnológicos usados em aula, além de outras práticas.

“Sabemos que motivação também é um fator individual, mas aspectos como: estrutura oferecida pela empresa, segurança nas condições de trabalho, programa de benefícios, bom ambiente de trabalho com os pares e a direção, além da oferta de um plano de carreira, são fatores que contribuem para mantê-los motivados”, esclarece Magda. Segundo a responsável pelo RH, o papel dos coordenadores é fundamental para a motivação, já que eles dominam as áreas de conhecimento relativas aos cursos de sua responsabilidade, e são capazes de entender melhor as necessidades de seu corpo docente. “A identificação e confiança nos valores da instituição também são fatores essenciais de motivação”, acrescenta.

Presente na avaliação
A área de RH do Centro Universitário Carioca (UniCarioca) existe desde 2010, vinculada à diretoria de Operações, e conta com oito colaboradores. Entre as suas funções estão o treinamento e desenvolvimento da equipe, o recrutamento e seleção de novos colaboradores e o departamento pessoal. Um ponto de destaque na instituição é que a área de RH tem assento permanente na Comissão Própria de Avaliação (CPA) e no Conselho Regulatório, órgão vinculado diretamente à reitoria, e participa de todas as bancas de escolha de novos docentes, auxiliando na orientação sobre o perfil desejado. “Penso que os professores devem atuar em sintonia com o perfil do público-alvo da instituição, e a presença do RH nas bancas de seleção de docentes é fundamental para isso”, explica Celso Niskier, reitor do UniCarioca e diretor de Tecnologia da Informação da ABRH.

Desde a fundação do UniCarioca, em 1990, é realizada uma avaliação semestral dos professores pelos alunos e o resultado final é divulgado a cada professor. O objetivo é sempre melhorar a qualidade de ensino, oferecendo aos que demonstrem baixo desempenho oficinas de capacitação docente, com foco em novos métodos e técnicas de ensino. Os professores de melhor desempenho são premiados com bônus semestrais. “Entretanto, notamos que o mais importante é o reconhecimento público pelo bom trabalho desempenhado. Qual o professor que não fica orgulhoso quando é bem avaliado pelos seus alunos?”, completa o reitor.

Investimento em pesquisa
Voltada para a Educação na Saúde, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo está atenta à necessidade de cuidar de seus colaboradores, e afirma possuir uma área de RH que está constantemente procurando aperfeiçoar-se para gerir pessoas com maior qualidade possível, sempre atualizada com práticas do mercado. Com cinco profissionais dedicados, a área está dividida em dois grupos, um responsável pela administração de pessoal e outro por recrutamento e seleção, remuneração e benefícios.

Por se tratar de uma entidade filantrópica, o maior desafio relacionado à motivação está na remuneração. “Ainda assim, tentamos remunerar nossos colaboradores de acordo com o mercado (na média ou superior). Para o grupo de docentes, como temos o apoio da Irmandade da Santa Casa de São Paulo, nosso maior atrativo é o constante investimento (inclusive externo) em pesquisas”, afirma João Antônio do Rosário, supervisor de recursos humanos da instituição. Ele acrescenta que a faculdade está sempre incentivando a participação dos professores em eventos externos, como congressos e simpósios. Para o grupo administrativo, os principais benefícios de retenção são o convênio médico e o auxílio educacional que, em alguns casos, chega a custear 100% das mensalidades de um curso de graduação ou pós.

Novos desafios
Inicialmente focada em cursos de pós-graduação, MBA e extensão, a FIA, Fundação Instituto de Administração, passou (em 2010) a oferecer também cursos de graduação. Surgiu, então, mais um desafio para a área de recursos humanos, que atuava apenas para a mantenedora. A área acompanhou a criação da Faculdade FIA de Administração e Negócios desde o início do projeto e, desde então, vem especializando seus funcionários quanto às normas e diretrizes específicas da contratação e remuneração do corpo docente. O RH apoia o diretor geral da faculdade e o coordenador do curso de graduação nos processos seletivos e na gestão do corpo docente, trabalhando constantemente no aperfeiçoamento e aprimoramento destes professores. “Nossos professores contam com um ambiente de trabalho agradável e são motivados a atuarem em atividades de extensão junto aos alunos”, diz Juliana Armentano, gerente de recursos humanos da FIA.

Ela conta que a instituição passou a conviver com uma figura nova, que é a Faculdade FIA de Administração e Negócios e, com isso, sua gestão mudou bastante. “Trabalhamos desde a simples alteração de Sindicato até a criação de um Plano de Carreira específico. Diversos setores foram divididos ou criados com a finalidade de atender as necessidades da Faculdade”, completa. Para Juliana, encontrar profissionais qualificados para a área da educação é um grande desafio, que a faculdade tenta superar a cada dia, com ações específicas para esse público.

Profissionalização da área
Em 2011, a consultoria Great Place to Work (GPTW) teve pela primeira em sua lista de Melhores Empresas para Trabalhar a presença de uma instituição de ensino superior. O Centro Universitário UNA, de Minas Gerais, foi o primeiro do Brasil a estar entre as 100 escolhidas daquele ano. Para Luiz Edmundo Rosa, diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), as instituições de ensino demoraram para estruturar áreas de RH, mas vêm se tornando mais efetivas. “É preciso ter estratégia, planejar ações e querer ser uma das melhores empresas para se trabalhar, mesmo não estando no mundo corporativo, mas em um mercado tão peculiar como a Educação”, ressalta. A seguir, confira a entrevista com o consultor e analista de Estudos do Great Place to Work® Brasil, Bruno Mendonça:Ensino Superior: Como manter os colaboradores das instituições de ensino superior motivados?
Bruno Mendonça: Como avaliamos todas as empresas globalmente com os mesmo critérios, podemos verificar a existência de excelentes ambientes de trabalho em qualquer lugar no mundo, seja nos Estados Unidos, na Índia, na Alemanha ou no Brasil. Isso serve também para os setores e ramos de atividade. Para nós do GPTW, a motivação é gerada pelo estabelecimento da confiança entre colaboradores e gestores, pelo orgulho dos funcionários de trabalharem onde trabalham e pelo sentimento de camaradagem entre os colaboradores. Práticas diferenciadas dessas empresas geram ambientes com essas características.

Qual o nível de gestão de pessoal nas instituições de ensino superior?
Embora o aumento no número de inscrições de centros universitários e faculdades em nossas listas não serem expressivos, notamos ao longo dos anos um crescente interesse na melhoria do ambiente de trabalho nessas instituições de ensino.

É possível apontar quantas instituições do segmento de educação superior estiveram entre as inscritas nos últimos anos?
Em torno de 10 a 15 instituições de ensino superior se inscreveram nos últimos anos.

A que você atribui esse interesse?
As causas desse interesse provavelmente são as mesmas que outras organizações de outros setores têm demonstrado. Cada vez mais são mostradas pesquisas e estudos provando a importância de gerar excelentes ambientes de trabalho, não só pelo impacto positivo no dia a dia dos trabalhadores, mas também pelos resultados superiores que as empresas premiadas apresentam em relação a média do mercado.

As faculdades estão mais preocupadas com a motivação e bem-estar de seus colaboradores, incluindo professores?
A sociedade em geral está cada vez mais consciente da importância da construção de um excelente ambiente de trabalho. Através de práticas de gestão de pessoas, as faculdades motivam e garantem o bem-estar de seus colaboradores.

A quais fatores você atribui a conquista da UNA, especificamente?
O Centro Universitário UNA é a única instituição de ensino premiada na Lista GPTW® Brasil 2012. No início da década passada, o UNA era formado por não mais que 600 funcionários e quatro mil alunos, distribuídos em duas unidades, com uma gestão altamente centralizadora. Com a chegada do grupo Anima, em 2003, iniciou-se um processo de aprimoramento contínuo do modelo de gestão participativa, de forma a garantir que todos os colaboradores tenham canais para se comunicar, com transparência e ética, com os diretores e líderes imediatos, abordando todo e qualquer assunto relacionado à instituição. A gestão deixou de ser vertical e passou a contar com a participação efetiva dos colaboradores. Com isso o UNA conseguiu, em 2012, alcançar a marca de 20 mil alunos, em dez unidades, contando com equipe de 1.585 colaboradores e profesores. É a instituição de ensino superior que mais cresceu em Belo Horizonte na última década e também o melhor centro universitário privado de Belo Horizonte, pelos critérios do MEC/IGC. Em suma, a participação efetiva dos funcionários na gestão do UNA tem feito a diferença na geração de um excelente ambiente de trabalho.

 

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