Decisões compartilhadas

Além de ouvir os professores, Bruno Creado, coordenador do curso de Direito do Unisal, também passou a escutar os alunos para tomar decisões estratégicas

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O número de celular do coordenador do curso de Direito do Unisal Lorena não é segredo na instituição. Todos os professores e alunos têm o seu contato e podem ligar para ele sempre que quiserem – e eles ligam. Todos os dias, nos mais diferentes horários, eles telefonam para tratar de questões relacionadas ao curso e à instituição.

Formado no próprio Unisal, Bruno Creado gosta dessa proximidade com os colegas e alunos. Tanto que assim que assumiu a coordenação do curso, criou a campanha “Nós somos a coordenação”. Seu objetivo era romper com o isolamento do cargo e se aproximar dos educadores e dos alunos de forma efetiva. Para isso, o egresso e hoje coordenador instituiu uma agenda de encontros, durante os quais seus interlocutores fazem sugestões, críticas e propõem projetos.

O modelo funcionou e Creado conseguiu implantar diversas iniciativas para melhorar a formação dos alunos que, aliás, hoje têm a melhor taxa de aprovação na prova da OAB na região do Vale do Paraíba.

Práticas inspiradoras
São muitos os projetos criados sob sua coordenação. Entre os seus preferidos está a Competição de Escritórios, um desafio anual que mobiliza os estudantes a montar um escritório com a participação de alunos do 1º ao 5º ano. A cada mês, eles recebem um caso interdisciplinar diferente para resolver. Aqueles que vão “passando de fase” chegam à sustentação simulada no Supremo Tribunal Federal.

“A competição envolve alunos de todos os anos e todas as disciplinas. O detalhe é que os professores não ajudam na resolução dos casos. Os estudantes têm de buscar as informações de que precisam, consultando documentos, livros e profissionais da área”, relata. O jogo requer ainda a definição de um nome e logo para o escritório, além de uma pesquisa sobre os custos envolvidos na montagem do estabelecimento.

Já o Concurso Público Simulado é um projeto exclusivo para os alunos de 4º e 5º anos. Ele é composto de várias fases, sendo a última delas uma entrevista com um júri composto por desembargadores e representantes de entidades, como a OAB. Essas entrevistas acontecem aos sábados e são abertas ao público. “Estudantes e professores de várias disciplinas vão conferir. O processo é rigoroso e se aproxima muito da realidade de um concurso público”, explica.

Creado também menciona o curso “Sustentação nos tribunais superiores”, a disciplina de Casoteca, que leva os alunos a realizar estudos interdisciplinares jurídicos e jurisprudenciais sobre casos específicos, e o Clube de Argumentação como mais algumas de suas iniciativas. “Os professores abraçaram todas elas e as implantaram. Sem eles, nada teria acontecido”, ressalta.

Também há exemplos de ações coordenadas pelos estudantes. De acordo com Bruno Creado, eles pediram, em determinas disciplinas, mais conteúdo e um nível de cobrança maior. “Se engana quem pensa que os alunos só estão pensando em passar de ano. Eles estão preocupados com a qualidade do ensino e querem ser os melhores”, conta.

Também foi ideia deles penalizar os erros de português nas avaliações escritas. Desde então, o estudante que comete deslizes com a língua portuguesa tem sua nota rebaixada em um ponto – medida que os torna mais cuidadosos e, consequentemente, mais preparados para os exames que enfrentarão fora da instituição.

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