De olho (eletrônico) nos alunos

Escolas optam pela adoção de circuitos de câmeras para monitorar suas dependências e cercanias; tecnologia digital passa a substituir analógica

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Lauro Spaggiari: troca de mais de uma centena de câmeras dentro e fora do colégio pelo sistema digital

Os bedéis presenciais ainda continuam na ativa, mas, em nome da segurança dos estudantes, o olho eletrônico do Grande Irmão vem sendo quase presença obrigatória na grande maioria das instituições de ensino privadas do país. “Recentemente, trocamos mais de uma centena de câmeras instaladas dentro e fora do colégio pelo sistema digital e estamos estudando outros itens de segurança”, explica Lauro Spaggiari, diretor pedagógico do tradicional colégio paulistano Dante Alighieri, no bairro de Cerqueira César. Para completar, todas as imagens são centralizadas em uma sala blindada com acompanhamento 24 horas por dia. “Esse investimento pode nos auxiliar a descobrir possíveis falhas e perigos nas áreas públicas da instituição e em todo o quarteirão que pega o colégio”, justifica.

As catracas eletrônicas foram descartadas pelo Dante, pois poderiam causar filas de estudantes nas entradas do colégio, pondera Spaggiari. A mesma decisão foi tomada em outra tradicional instituição do ensino médio, o Colégio Bandeirantes. “Modernizamos o sistema de câmeras, mas, no nosso entender, ainda não é possível deixar de lado o velho método de colocar pessoas, na entrada do colégio, que conheçam pais e alunos”, sublinha Sério Américo Boggio, diretor de tecnologia aplicada à educação. Em compensação, nas salas de aula do Bandeirantes, os professores contam com terminais de computador para seu dia-a-dia, nos quais podem até preencher a lista de presença.

Já na Escola Barifaldi, também em São Paulo, a troca das câmeras analógicas pelo CFTV digital ainda possibilitará, em breve, que os pais tenham acesso a distância a imagens de locais como corredores, cantina e quadras, entre outras. “Principalmente os pais de alunos da educação infantil querem muito essa possibilidade de acesso virtual”, explica Carolina Hirs, diretora da instituição. Igualmente, na unidade de Olinda (PE) do Colégio Atual, tudo ainda se resume ao olhar das câmeras. “Esse sistema é de grande utilidade para nós, pois monitoramos dia e noite as redondezas do colégio. Só o tempo dirá se, no médio prazo, vamos investir em outro sistema eletrônico para ficar de olho nos mais de 5 mil alunos das três unidades da instituição”, diz Arnaldo Mendonça, diretor da unidade.


Segurança da informação preocupa universidades

Algumas instituições de ensino procuram dar novos passos em direção ao futuro. Nesse campo, faculdades e universidades particulares já adotam soluções inovadoras. Pioneira na instalação de câmeras e do controle de acesso, que também registra a presença do aluno, a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) hoje faz atualizações periódicas para que o sistema não fique obsoleto e não pára de desenvolver novos planos nesse sentido. “Ainda temos lista de presença para nos certificarmos de que o estudante foi para a sala de aula, mas em breve deveremos mudar para a biometria”, adianta Valdemar Bassetto, diretor de infra-estrutura da instituição. No que diz respeito ao ambiente virtual, a universidade investiu recentemente cerca de US$ 1 milhão na compra de um novo servidor, que garante uma base segura para todo o sistema de informação e comunicação interna e externa da instituição. “Aliás, em setembro inauguramos um sistema de telefonia mais seguro contra possíveis ‘grampos’ nos nossos aparelhos”, adiciona.

A preocupação não é isolada. Em 2006, levantamento feito pelo Gardner Group com 1,4 mil empresas de 30 países indicava que o investimento em ferramentas de segurança deveria ser 4,5% maior neste ano.

Todo esse cuidado é compartilhado por outras grandes instituições, como é o caso do Grupo Veris, que congrega o Ibmec do Rio e de Belo Horizonte, além da Faculdade IBTA. “Desenvolvemos um trabalho cotidiano para garantir que os dados armazenados nos sistemas internos das instituições estejam seguros e, preventivamente, atuamos para assegurar o bom desempenho dos nossos portais e da nossa internet, tanto no que se refere ao que recebemos quanto ao que enviamos para fora da entidade”, assinala Luiz Teixeira, gerente de TI do grupo. Para ele, o sucesso desses dois trabalhos no Veris baseia-se em políticas de segurança muito bem descritas, de forma que alunos, educadores e funcionários conheçam bem as possibilidades e os limites de tais sistemas. “Essa clareza permite que o monitoramento das entradas e saídas de informação seja o mais claro possível”, arremata Teixeira.

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