Endereço certo para inovar

Com o crescimento das startups no país, diversos centros de inovação abriram as portas na capital paulista para acolher os novos empresários. Conheça os diferenciais e o perfil de atuação de cada um deles

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Campus São Paulo: empreendedores de 22 startups já fizeram residência no local, onde tiveram acesso à rede de experts do Google

Campus São Paulo: empreendedores de 22 startups já fizeram residência no local, onde tiveram acesso à rede de experts do Google

Os espaços dedicados ao empreendedorismo estão proliferando na cidade de São Paulo.

Coworkings, aceleradoras e, mais recentemente, centros que concentram os diversos players do ecossistema empreendedor estão abrindo as portas para as pessoas, inclusive estudantes, que queiram inovar e desenvolver o seu próprio negócio. Cada um dos locais tem um perfil diferente, bem como um modelo próprio de atuação.

Dentre as opções, a residência pode ser gratuita ou paga, fixa ou estabelecida em turmas com duração predeterminada e ainda selecionada por estágio de desenvolvimento do negócio. Já, ao contrário das condições, os benefícios oferecidos são bastante semelhantes, o que inclui mentorias, acesso irrestrito a especialistas e uma vasta rede de contatos.

Um dos centros pioneiros na capital paulista acaba de completar dois anos e vem apresentando números bastante expressivos. O Cubo Itaú, formado por uma parceria entre o Itaú Unibanco e o fundo de capital de risco Redpoint eventures, já abrigou, em sua sede na Vila Olímpia, 73 startups – atualmente mantém 54 – que faturaram sozinhas mais de R$ 200 milhões.

Além disso, juntas, as residentes receberam aproximadamente R$ 150 milhões em investimentos e geraram cerca de mil postos de trabalho. Para o ano que vem, essas cifras prometem ficar ainda maiores. O Cubo Itaú deve se mudar para um prédio de 12 andares no primeiro semestre de 2018 e com isso expandir sua capacidade de atendimento para 210 startups e 1.250 pessoas residentes.

Direcionado a empreendimentos mais consolidados e que tenham emitido ao menos a nota fiscal de número 1, o Cubo Itaú opera num modelo de aluguel de espaço. Pelo contrato, cada pessoa paga uma mensalidade de aproximadamente R$ 1 mil [caso a startup tenha duas pessoas, serão R$ 2 mil] e tem direito a utilizar a estrutura física do local, o que inclui uma mesa, uma cadeira, água e banheiro.

Atualmente, metade da receita do Cubo Itaú advém dessas locações e o restante é financiado por seus mantenedores. Porém, o grande diferencial do centro não está em suas dependências e sim nas conexões que oferece.

“Nosso objetivo principal é ajudar as startups a ir para o mercado e conseguir clientes”, afirma o diretor do Cubo Itaú, Flavio Pripas. Para isso, a instituição concentra seus esforços em conectar os empreendedores residentes a possíveis parceiros e desta forma gerar novas oportunidades.

Nestes dois anos de atividade, mais de 200 negócios foram firmados entre as startups e grandes empresas. Porém, o caminho para conquistar uma vaga de residência não é tão simples. O Cubo Itaú não trabalha com turmas e nem abre edital de inscrição. O ingresso é feito por meio de indicações. Assim, um dos caminhos possíveis para o candidato apresentar o seu negócio é frequentando o local e participando dos eventos realizados por lá diariamente.

Vencida essa etapa, a empresa entra na lista de admissão que tem como pré-requisitos a apresentação de um produto, um modelo de negócio a ser testado e a exigência de ter clientes. Além disso, o empreendimento precisa, necessariamente, estar de acordo com a definição de startup utilizada pelo Cubo Itaú.

Ou seja, nas palavras de Flavio Pripas, deve ser “uma empresa que resolve um problema real, do mundo real e com escala”. Assim, caso seja aprovado, o empreendedor pode comemorar a conquista da residência. Somente neste primeiro biênio de atividades, mais de 850 empresas passaram por este mesmo processo e apenas 73 foram selecionadas, ou seja, menos de 9% dos candidatos.

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Para todos os perfis

Outro grande player do mercado financeiro está prestes a lançar a sua plataforma de empreendedorismo. O Bradesco ainda não anunciou a data, porém, até o final deste ano deve inaugurar o Habitat, espaço de coworking e inovação com foco no desenvolvimento de novos negócios. Localizado nas imediações da Avenida Paulista, o prédio com 10 andares e 22 mil m2 de área deve reunir diversos atores do ecossistema de inovação, incluindo startups, fornecedores de tecnologia, aceleradoras e investidores.

O que se sabe até agora é que as empresas selecionadas serão divididas por andares conforme o setor de atuação. E ao contrário do Cubo Itaú, que não restringe o foco da atividade, o Habitat dará prioridade às áreas de Big Data e algoritmos, Internet das Coisas, inteligência artificial e plataformas digitais. O banco ainda não divulgou o número de residentes e nem como será o processo de seleção.

Já a área de educação tem em São Paulo ao menos uma aceleradora dedicada exclusivamente ao desenvolvimento de startups do setor. Lançado neste ano, o EdTech Growth tem como objetivo contribuir para a criação de novos modelos pedagógicos utilizando a tecnologia, e para o desenvolvimento de escolas mais inovadoras.

O programa, com sede em um coworking em Moema, abriu a segunda turma no final do mês de setembro e já soma 16 startups inscritas – oito em cada uma das turmas. A participação funciona mediante pagamento de mensalidade. Para as empresas em fase inicial – categoria Starter – o valor é de R$ 950,00 e para as mais avançadas – categoria Scale –, R$ 1,5 mil.

Cofundador do Future Education, empresa à qual pertence o EdTech Growth, Thiago Chaer explica que a aceleradora mantém inúmeras parcerias com instituições de ensino, incluindo as de nível superior, o que facilita na validação dos projetos desenvolvidos.

Além disso, a startup matriculada recebe um plano de ação personalizado, com metas e indicadores, e amplo acesso a mentores, fundos de investimento e investidores-anjo. Alguns negócios já deram o primeiro passo e conquistaram clientes importantes. Este é o caso da Kanttum, empresa mineira que atua na formação de professores por meio de metodologias digitais. A carteira de clientes da startup já atende o Grupo Anima, o Insper e a escola de idiomas Cultura Inglesa.

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Network

Para o diretor do comitê de EdTech da Associação Brasileira de Startups, Daniel Machado, o EdTech Growth, assim como os demais centros de empreendedorismo, têm um papel importante na consolidação do setor e sem eles os diversos atores desse ecossistema retrocederiam para uma fase de isolamento.

“Esses centros têm uma missão muita clara e inspiram os jovens. Eles indicam que há alternativas profissionais que passam pela inovação. Há um potencial enorme com o crescimento exponencial da tecnologia e o jovem tem um papel importante porque entende isso. Ao criar esses espaços, abre-se uma janela de oportunidades e lá se consegue debater, trocar experiências e criar uma rede de inovação. Sem eles, voltaríamos para o ‘cada um por si’”, acredita Machado.

Aceleradora EdTech Growth: apresentação
para investidores de negócios que mesclam
educação e tecnologia

O Campus São Paulo, do Google, é outro centro importante que promove programas de residência na capital paulista. A gigante da área de tecnologia mantém a unidade – a única no continente americano – nas proximidades da Avenida Paulista desde junho de 2016.

Diferentemente dos seus concorrentes, a empresa americana arca com todas as despesas e oferece o serviço de forma gratuita aos empreendedores. Para participar, a startup deve estar em estágio avançado de crescimento e, preferencialmente, atuar nas áreas de soluções mobile, inteligência artificial e machine learning, realidade virtual e tecnologias com alto potencial de impacto voltadas a mercados emergentes.

A residência tem duração de seis meses e oferece acesso à rede de experts do Google, oportunidades para participar de atividades de nível global, além de eventos e conteúdos exclusivos. Ao todo, 22 startups já passaram pelo programa e atualmente o campus está com inscrições abertas para a terceira turma.

Uma das startups residentes é a Lean Survey. O empreendimento formado em meados de 2015 por dois ex-alunos da Escola Politécnica da USP já rendeu os primeiros frutos e conquistou recentemente a terceira rodada de investimentos.

A empresa paulistana encontrou o seu nicho de mercado desenvolvendo soluções tecnológicas para pesquisas face to face. Para o cofundador Fernando Salaroli, uma boa forma de entender o modelo de negócio é comparando com o Uber. A empresa desenvolveu um aplicativo onde qualquer pessoa pode se cadastrar para trabalhar como pesquisador. Os colaboradores são treinados e acionados a ir para a rua conforme a demanda. Todo o processo é digital, inclusive as pesquisas, que são feitas utilizando smartphones – nada de papel e caneta. Atualmente, a Lean Survey soma 17 mil pessoas mobilizadas no país que recebem por trabalho.

Mas esse sucesso inicial não foi conquistado com pouco esforço. Fernando e o seu colega Alessandro de Andrade abandonaram os estágios, no último ano de faculdade, para se dedicar exclusivamente à startup. O passo inicial foi estudar a fundo temas ligados ao empreendedorismo, o que incluía livros, participação em palestras e eventos e por aí vai. Para ganhar experiência na prática, Fernando decidiu trabalhar por quatro meses no 99 Taxis. Enquanto isso, Alessandro dedicou seu Trabalho de Conclusão de Curso a pesquisas na área.

Após desenvolverem o projeto e validarem um primeiro piloto, a empresa conquistou uma vaga de residência no Campus. “Esta foi a melhor experiência que tivemos até agora. As startups precisam gerar sistemas consolidados para conhecer pessoas, clientes, players, para poder se ajudar. Não estamos competindo, como no mercado de empresas. E vir pra cá foi o ápice da cooperação. Aqui tivemos acesso a inúmeros especialistas do Google que nos ajudaram em nossos desafios”, conta Fernando.

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