Bandeira antiga

Apesar de ser lembrada como um “passado glorioso”, a história da profissão docente no Brasil sempre foi atrelada à baixa remuneração

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CPDOC/ Arquivo Otávio Marcondes Ferraz (OMF)
Sala de aula em escola da Bahia, em 1949


Na história da profissão docente no Brasil, alguns períodos foram mais difíceis do que outros. Durante a ditadura militar, por exemplo, as condições de trabalho e os salários se tornaram precários. E os professores, silenciados pela repressão, perderam a possibilidade de se manifestar por melhores remunerações, como tinham feito seus colegas na década de 60.


Mas o fato é que a questão salarial “nunca foi pacífica”, como define a professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Rosario Lugli, especialista no tema e autora do livro Histórias da profissão docente no Brasil.

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“As pessoas costumam falar de um passado glorioso em que os professores eram valorizados e tinham bons salários. Mas a gente não encontra evidência de que isso existiu”, aponta a pesquisadora.


Na década de 40, ser professor do secundário – o que corresponderia aos anos finais do ensino fundamental e o médio – garantia um certo respeito social. Mas o status social não necessariamente se revertia em benefício financeiro, já que os professores desse nível eram profissionais de outras áreas que tinham o magistério como uma renda complementar.


Em meados da década de 50, um período de grande crescimento da inflação deixou os docentes em situação financeira ainda mais difícil e se intensificaram as queixas de que a remuneração não era suficiente para o sustento. “Até a década de 60 era muito tradicional que os filhos dos professores virassem professores, você tinha famílias inteiras na profissão. Um sinal de que as condições estavam difíceis é que a partir desse período isso começa a desaparecer porque a carreira não é mais atraente”, conta Rosario.


Após a ditadura, a década de 80 foi marcada pela precarização não só do salário, mas das condições de trabalho. Os professores voltaram a se mobilizar e as greves passaram a ocorrer todos os anos. A partir da redemocratização do país, o modelo de escola começa a mudar e as condições de trabalho também. A recuperação salarial tem um impulso importante a partir da década de 90, destaca Rosario, com as mudanças no financiamento que vão disponibilizar mais dinheiro para os estados e municípios.


Agora, com a Lei do Piso, a categoria vive um novo momento de luta para que as regras sejam cumpridas em mais uma nova tentativa de alcançar a sonhada valorização do professor. “Quando se fala em história não dá para falar em continuidade. São diferentes momentos e cada um deles tem uma característica. Agora, com a questão do piso é um novo problema”, comparando com outras dificuldades na carreira que os professores viveram em outros períodos.

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