Autonomia e outros temas para filosofar

Usando a experiência acumulada em sala de aula, professores lançam publicações para apresentar pensadores e conceitos filosóficos ao público juvenil

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Reconhecendo que a obediência é invariavelmente e universalmente contestada por alunos do mundo inteiro, principalmente quando estão na adolescência, a professora de filosofia Valérie Gérard aproveitou para iniciar uma reflexão filosófica em torno do tema e apresentar ao público jovem o que grandes pensadores escreveram sobre liberdade, autonomia, autoridade e outros conceitos relacionados.

A discussão está no livro Obedecer? Rebelar-se?, que integra a série Jovem Pensador, recém-lançada pela editora Alaúde. Professora de ensino médio, Valérie conhece a linguagem de seu público e aponta situações bem cotidianas para introduzir o pensamento de Rousseau, Hannah Arendt, Kant e, como não poderia faltar, La Boétie, o pensador que com apenas 18 anos escreveu um dos textos mais importantes do Ocidente sobre o assunto, o Discurso da servidão voluntária.

Em um dos trechos, a autora lança a seguinte pergunta: “como a educação, que é uma relação desigual e baseada na autoridade, pode conduzir as crianças da dependência à autonomia, do costume de obedecer à capacidade de julgar?”. Por conta de críticas como essa, a autora foi questionada em uma entrevista se o seu discurso não poderia incitar mais desobediência por parte dos jovens, ao que ela respondeu que eles tinham o direito de analisar criticamente a questão e, even­tualmente, se posicionar contra as ordens estabelecidas.

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Amar um pouco, muito… loucamente? é outro título já traduzido da série, originalmente publicada pela Gallimard. A autora desse livro, Anissa Castel, também é professora de filosofia e, assim como sua colega, usa o sentimento mais popular de todos para introduzir algumas noções do pensamento de Montaigne, Pascal e Descartes.

Coincidentemente, chegou ao mercado editorial na mesma época outra obra assinada por um professor de filosofia de nacionalidade também francesa, Charles Pépin. Em o Planeta dos sábios, que o autor assina com o cartunista Jul, a filosofia é tratada de forma bem-humorada, mas sem perder o rigor (tirinha ao lado). O conteúdo abrange três milênios de filosofia e traz informações, como em uma enciclopédia, sobre alguns dos principais pensadores do Oriente e do Ocidente. Para cada filósofo, a dupla criou um verbete e um cartum. A narrativa começa nas tirinhas e termina no divertido e irônico texto de Pépin.

OUTRAS LEITURAS
A volta do garoto, de Jorge Emil (Editora Peirópolis, 48 págs., R$ 38)
Em sua primeira incursão pelo universo infantil, o autor usou suas próprias memórias para dar vivacidade ao narrador dos 33 poemas do livro, um garoto observador que descreve situações vivenciadas em seu cotidiano. Ilustrações de Renato Moriconi e prefácio de Ziraldo.

A viagem da Senhorita Timothy, de Giovanna Zoboli (Pequena Zahar, 36 págs., R$ 39,90)
Uma alegoria estimulante sobre uma ovelha que decide partir em busca do autoconhecimento. Saindo de Yorkshire, no Reino Unido, Timothy visita diversas cidades, onde conhece museus e pontos turísticos encantadores. Porém, nada será mais importante que a imersão em si.

Memórias de um burro, da Condessa de Ségur (Autêntica, 208 págs., R$ 38)
Muito conhecida no século 19 por seus livros de literatura infantil, esta escritora russa conta a história de Cadichon, um burro sábio, que, por causa de sua esperteza e inteligência, acaba ensinando muito aos humanos sobre a importância de refletir sobre as próprias ações e de procurar corrigir os erros cometidos. Publicado pela primeira vez em 1860.

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