Armada docente

Colégio capixaba cresceu com base na imagem do grupo de professores que o fundou há 20 anos e permanece junto até hoje

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Aposta na informática é um dos aspectos destacados pelos gestores do Darwin

Em 1989, um desentendimento afastou os dois sócios do Colégio Nacional, na época o de mais prestígio em Vitória, Espírito Santo. Um deles decidiu abrir outra escola, o Leonardo da Vinci. Desconfortável com a cisão, um grupo de 16 jovens professores, sem experiência empresarial e com um mínimo de capital, também resolveu arriscar-se, com a cara e a coragem.
 
E foi a “cara” que fez a diferença. No início de 1990, um anúncio de página inteira num jornal de Vitória comunicava a inauguração do Centro Educacional Darwin, instalado num imóvel alugado que abrigava apenas o 3º ano do ensino médio e um curso pré-vestibular. Mas o anúncio tinha um diferencial importante: a maior parte do espaço era ocupada pela foto dos 16 professores. O que não se esperava é que, graças à imagem conquistada por eles no Nacional, o colégio recém-aberto conseguisse 1.500 matrículas, o que, já no primeiro momento, criou a necessidade de expansão. Dezoito anos depois, o Darwin transformou-se num fenômeno, em muitos sentidos, a começar pela longevidade da sociedade.      

“As pessoas falam que sociedade com dois já é um negócio complicado. Imagine com 16”, brinca Ricardo de Assis, diretor-geral do Darwin desde a fundação. “Mas com a gente acontece o contrário. Se dois ou três sócios entram em conflito, sempre há vários outros para apaziguar. Quando são só dois e brigam, não tem jeito.” O certo é que, de modo surpreendente, o grupo fundador continua unido. “Um dos sócios morreu, mas a mulher dele o substituiu”, conta Assis.

A fidelidade dos sócios, porém, não basta para explicar o sucesso do Darwin, que hoje possui dez unidades em nove municípios do Espírito Santo, com mais de 7 mil alunos da educação infantil ao pré-vestibular, que contam com boas quadras de esporte e locais para mostras de teatro e música.

Nos últimos anos, o colégio se destacou em indicadores de desempenho como o Enem e o vestibular. “No Enem, considerando apenas as escolas com mais de 400 alunos, pelo terceiro ano consecutivo fomos a quarta melhor do Brasil. Só perdemos para o Bandeirantes e o Etapa, de São Paulo, e o Poliedro, de São José dos Campos”, diz o professor Assis. “No Espírito Santo, no Enem de 2007, entre as 13 melhores escolas particulares estão oito de nossas unidades”, acrescenta, lembrando que 544 alunos do ensino médio do Darwin fizeram o exame do ano passado.  


Proezas no vestibular


No vestibular, os resultados são ainda mais impressionantes. Segundo Ricardo de Assis, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, de São José dos Campos, todos os alunos do Espírito Santo aprovados em 2008 eram do Darwin. “No vestibular de medicina da Universidade Federal Fluminense, que oferecia 160 vagas, aprovamos 37 candidatos neste ano. Nas universidades do Espírito Santo somos o primeiro, disparado. Na Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia, a mais disputada depois da Federal, das 60 vagas oferecidas, 58 foram preenchidas por alunos do Darwin, o que é um número inédito no Brasil. Na Faculdade Federal de Medicina, das 48 vagas, 39 foram nossas”, afirma o diretor-geral.

Para o professor Assis, o que explica esse desempenho é o fato de o Darwin focar resultados e, ao mesmo tempo, preparar o aluno para a realidade do país: “Conseguimos aliar professores que passam o conteúdo necessário para o vestibular, com uma preparação para o futuro do aluno. Aqui, ninguém pensa só no vestibular. Até chegar ao 3º ano do ensino médio muita água passa embaixo da ponte, além da educação formal. Temos privilegiado, por exemplo, a prevenção ao uso de drogas e álcool. Nesta semana mesmo, será encenada uma peça sobre as conseqüências do álcool no trânsito, um problema sério para essa garotada. Em outro projeto, os alunos do 1º ano têm dez aulas com a participação de ex-drogados, que relatam suas experiências. Mantemos também um enfoque forte na área de solidariedade, de ajudar instituições”.

Aos 51 anos, dos quais 32 como professor de matemática, Ricardo de Assis ocupa a direção-geral do Darwin desde a fundação da escola. “Todo ano, em setembro, fazemos uma eleição entre os sócios para escolher a direção para o ano seguinte, e mesmo assim continuo no cargo desde 1989”, explica.


Professores valorizados


O mesmo sentido de permanência se verifica entre o corpo docente. A grande maioria dos professores, segundo Assis, dedica-se integralmente ao Darwin. Alguns dão aula em mais de uma unidade da rede: “Vila Velha, por exemplo, fica ao lado de Vitória, e Colatina está a uma hora e meia. Então, os professores que querem ser exclusivos do Darwin viajam para outras cidades, em alguns dias da semana, e fazem a carga completa no colégio. É um ganho, pois as unidades fora da capital se tornaram formadoras de professores”, explica.

Como contrapartida, o Darwin paga bem a seus professores – mais do que as faculdades do Estado, segundo Assis. O departamento de pessoal do colégio esclarece que a remuneração é calculada com base em um acordo antigo, pelo qual se considera que o mês tem 5,25 semanas, em vez de quatro e meia. Assim, se um professor dá 30 aulas semanais, a R$ 50 reais a aula (valor para o 3º ano do ensino médio), faz-se o cálculo 50 x 5,25 x 30, que resultaria em R$ 7.875,00 no mês.

O Darwin não possui centro de formação de docentes, mas incentiva os professores a participar de cursos, seminários e palestras. “No início de cada ano realizamos um congresso de educadores, além de outros eventos, para estimular o aperfeiçoamento e a atualização”, diz Assis.

Ao mesmo tempo, o colégio utiliza os recursos de informática de forma intensiva, mobilizando alunos e professores. Para o 3º ano do ensino médio, por exemplo, oferece um simulado virtual que o aluno faz em casa, em 100 minutos, pela internet, e de imediato recebe a solução das questões e sua pontuação.

No momento em que prepara a expansão para fora do Espírito Santo, começando com o sul da Bahia, Ricardo de Assis sintetiza o que considera fundamental: “Costumo entrar em sala e dizer aos alunos que o Darwin não é escola da moda, cheia de menina bonita. É uma escola para quem quer crescer e ser alguém na vida, no futuro”.

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