Aprendendo com os aviões

A partir da observação de uma brincadeira dos alunos no intervalo, professora cria projeto para trabalhar conceitos matemáticos com aviões de papel

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Em uma sala de 1° ano do ensino fundamental do Colégio Vera Cruz, em São Paulo, uma das brincadeiras favoritas das crianças durante o intervalo era se juntar em torno de papeis sulfite, dobrá-los em formato de avião e arriscar manobras pela escola, como fazê-los planar perto de um toldo ou voar por cima de uma jabuticabeira. Confeccionar aviões de papel não é nenhuma novidade entre as crianças; provavelmente, a cena descrita se repete em diferentes escolas, mas o olhar atento da professora Silvia Mendonça possibilitou que uma simples brincadeira se transformasse em aprendizagem.








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Os alunos tentam fazer com que seus aviões atravessem a quadra
A professora constatou que a atividade gerava um consumo excessivo de papel, já que as dobraduras eram constantemente perdidas ou danificadas. Silvia combinou, então, que cada aluno teria direito a um avião, o que fez com que as crianças inventassem novas brincadeiras e explorassem os aviões de papel, com objetivo de aperfeiçoar seu modelo e arremesso.  Era comum ouvir dos alunos frases como “se as asas têm tamanhos diferentes, o avião dá piruetas” ou “se arremessar no vento o avião não voa bem”.  As descobertas das crianças se aproximavam a conteúdos de matemática e física. “Se ficássemos apenas na esfera da brincadeira, elas talvez não ampliassem suas pesquisas”, conta Silvia.


Devido ao envolvimento dos alunos com a atividade no tempo livre, a professora decidiu levar a brincadeira para a sala de aula e instigá-los a testar novas possibilidades com os aviões. A partir da reflexão sobre aerodinâmica e arremesso, ela introduziu alguns conceitos de geometria que estavam implícitos na fala das crianças, como o estudo da simetria e dos ângulos. “Tivemos o cuidado de adequar o conteúdo à faixa etária deles”, explica.








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Estudando a simetria no corpo humano
Foram selecionadas, por exemplo, imagensque apontavam a simetria em aviões convencionais, na natureza e na arte, como nas obras de Escher. Os alunos puderam perceber que a simetria das asas colabora para o equilíbrio do avião e passaram a utilizar esse conceito na confecção das dobraduras.


Em um segundo momento, os alunos foram desafiados a fazer seus aviões de papel atravessar a quadra esportiva da escola e sobrevoar uma cerca. Para isso, eles precisavam decidir qual modelo de avião era o mais adequado, o tipo de arremesso a ser realizado e qual a trajetória esperada.


Apesar de nenhum aluno ter conseguido fazer seu avião voar a distância e altura necessárias, Silvia afirma que o fracasso do voo foi determinante para o sucesso do projeto, pois os alunos tiveram que justificar o que não deu certo e criar novas hipóteses para serem colocadas em prática em um novo desafio.








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As descobertas da turma foram registradas em um livro
Todas as descobertas feitas durante a atividade foram registradas em um livro escrito coletivamente pela sala. Para a professora, o projeto contribuiu de forma positiva não só para as crianças, que avançaram em uma experiência que realizavam com pouca intencionalidade e reflexão, como para ela.


“A escuta para as demandas que os alunos trazem é um instrumento poderoso que pode potencializar a aprendizagem. O projeto me motivou ainda mais para investir na minha formação”, diz.

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