De portas abertas

Com uma política ampla de acolhimento, Nilza Pinheiro, da Unifac, melhora o processo de formação dos alunos e os ajuda a superar dificuldades

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ajudaHá 33 anos, Nilza Pinheiro está à frente do curso de Serviço Social da Unifac, em Botucatu. Desde que o programa foi criado, é ela quem responde pela coordenação pedagógica e pela criação da política de portas abertas para os alunos: todos são bem-vindos em sua sala, seja para tratar de questões acadêmicas ou pessoais.

Essa postura se estende aos docentes do curso – muitos deles estão há décadas na Unifac, assim como Nilza. “Não dá para ser professor só nos 90 minutos da aula, pois é na hora dos intervalos que muitos querem conversar”, resume. Por isso, todos precisam saber olhar para os alunos para além da sala de aula. Quando há um processo seletivo para contratar docentes, esse é uma das primeiras características observadas nas entrevistas. “Não basta apenas a titulação. O professor também precisa ter essa sensibilidade”, conta.

A importância dada ao acolhimento também motivou a criação de programas especiais, como o de apadrinhamento de calouros por alunos veteranos e a criação da figura do professor-ouvidor. Este é eleito pelas turmas e, geralmente, seu papel recai sobre os docentes que têm mais empatia, ou seja, sobre aqueles que estão dispostos a ouvir os alunos e a ajudá-los a superar eventuais dificuldades. Com tantas ações, Nilza garante que a prática do bem receber está incorporada à cultura do curso.

A motivação para implantar essa política partiu do perfil dos estudantes. Com o cuidado de não fazer generalizações, Nilza afirma que muitos deles vêm de famílias desorganizadas e, até inconscientemente, são atraídos ao curso em busca de ajuda pessoal. Ao longo de três décadas de atuação, a professora relata ter atendido diversos alunos com esse perfil. Quando isso ocorre, ela dá aconselhamento e os ajuda a buscar soluções para seus problemas.

Mas a ajuda não precisa partir deles.Se ela ou os professores percebem uma queda no rendimento ou uma mudança negativa no comportamento do estudante, ele é abordado. “Também orientamos aqueles que sinalizam ou declaram a intenção de desistir do curso. Damos todo o suporte para evitar que isso aconteça. Já conseguimos trazer muitos de volta”, conta.

Produção acadêmica

O trabalho de Nilza Pinheiro também se destaca pelos resultados acadêmicos. Há 18 anos, os estudantes são incentivados a desenvolver projetos de iniciação científica. Mesmo não sendo uma atividade obrigatória, 70% deles participam – e com bons resultados. Muitos ficam entre os finalistas e diversos são premiados. Além da Jornada Científica, evento organizado pelo curso de Serviço Social da Unifac, eles também participam do Congresso Nacional de Serviço Social em Saúde (promovido por Unesp, USP e Unicamp), do Congresso Brasileiro de Serviço Social, do Congresso de Iniciação Científica (Conic, promovido pelo Semesp), entre outros.

“A atividade de iniciação científica é importante porque desenvolve nos estudantes a habilidade de fazer investigações e buscar soluções, características fundamentais para a prática da profissão que escolheram”, destaca Nilza, que também procura despertar nos alunos a consciência do papel que exercem na sociedade. A professora conta que, especialmente no 1º ano, são comuns as queixas ao comportamento dos seres humanos e à degradação da sociedade. “Eles falam como se não pertencessem a esse meio, como se não tivessem participação nisso”, relata.

A mudança de ponto de vista acontece gradativamente. E quando eles entendem o efeito de suas ações e a contribuição que podem dar ao mundo, se tornam preparados para a prática profissional. A conclusão do curso é marcada pela defesa oral da monografia, que necessariamente precisa ser feita com a participação de um orientador convidado – que serve tanto para aproximar a instituição do mercado como para tornar a avaliação mais construtiva.

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