Agente democratizador do ensino

Presidente da Anhanguera mantém o foco na governança e o apoio nas tecnologias como estratégias para manutenção da qualidade Ricardo Scavazza Ricardo Scavazza, CEO …

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Presidente da Anhanguera mantém o foco na governança e o apoio nas tecnologias como estratégias para manutenção da qualidade

Ricardo Scavazza

177_19Ricardo Scavazza, CEO da Anhanguera, é direto. Orgulha-se em participar do crescimento da instituição da qual é o principal executivo. “Ela é inovadora. Tem tamanho, qualidade. Todas as coisas que criamos são pioneiras no contexto da educação brasileira”, diz sem medo de se equivocar. Vai além. O evento da fusão com a Kroton, ele considera como um capítulo fundamental na história de sucesso da Anhanguera. “O que essa nova empresa poderá fazer pelo ensino é algo revolucionário.”

Na nova constituição que surgirá, ele deixará o protagonismo de até então. “Ocuparei um cargo no Conselho e partirei para outros negócios fora do setor educacional”, revela.

Para ele, ter cedido a principal cadeira de executivo a sua contraparte da Kroton não o diminui como profissional. É acostumado a desafios e o futuro não parece intimidá-lo. Pudera. Aos 35 anos, tem um longo caminho à frente. Na bagagem, vai seguir com a sua bem-sucedida história pelos 10 anos de trabalhos dedicados à Anhanguera. Nesse período, começou como diretor administrativo, aos 26 anos, vindo do grupo de investimentos Pátria, quando a instituição ainda era “pequena”, com oito mil alunos.

Deixará o cargo de liderança na Anhanguera quando a fusão estiver definitivamente autorizada pelo Cade, tendo protagonizado ou acompanhado de muito perto diversos momentos relevantes para a instituição, como a entrada na bolsa de valores, o crescimento para mais de 400 mil alunos e o desenvolvimento da infraestrutura tecnológica de apoio aos trabalhos pedagógicos. Tudo isso, a despeito de épocas difíceis que tenha enfrentado. “A Anhanguera contribui para o desenvolvimento do Brasil”, afirma sem pestanejar.

Ensino Superior: Como a junção dos dois grupos impacta o mercado educacional brasileiro?
Ricardo Scavazza: Somos agentes de democratização do ensino. Nossas mensalidades são acessíveis, quando comparadas às cobradas há 10 anos. Oferecemos cursos com alta avaliação pelos indicadores do Ministério da Educação. Preparamos conteúdo de material educacional por valores mais baratos e com qualidade desconhecida pelo mercado anteriormente. Firmamos parceria com pessoas relevantes da sociedade para ministrar aulas a nossos alunos. Caso, por exemplo, do ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, um de nossos professores. Ele dá palestras para nossos alunos.

Na discussão prévia à fusão, qual foi a importância pedagógica de ambas as instituições?
A importância pedagógica foi fundamental. Temos avaliações positivas no MEC. Conhecemos bem o trabalho desenvolvido na Kroton. Do ponto de vista de tecnologia, eles têm uma plataforma fantástica. Do ponto de vista de projetos acadêmicos, também. Com certeza, a gente vai somar o melhor dos dois mundos.

O que é o “melhor desses dois mundos”?
Provavelmente, os projetos pedagógicos mais modernos e tecnológicos do Brasil são da Kroton e da Anhanguera. Principalmente, no sentido de incorporação do currículo voltado ao mercado de trabalho e uso da tecnologia no processo pedagógico. Kroton e Anhanguera são as instituições mais avançadas no Brasil. Os currículos são voltados ao mercado de trabalho e incorporam o uso de tecnologia no processo educacional. O aluno sai de um processo tradicional de ler, ouvir e fazer prova; passa a fazer muito trabalho em grupo, resolvendo situações práticas voltadas ao ambiente profissional. Isso é diferencial em nossos currículos.

Como essa prática pedagógica acontecerá na nova instituição?
Os projetos e ideias pedagógicos desenvolvidos pela Anhanguera e Kroton serão somados. A metodologia de case na Anhanguera, assim como o adaptive learning, da Kroton, talvez sejam os aspectos mais importantes e diferenciadores de nosso currículo. Juntas, essa duas práticas ficarão ainda mais fortes, mais sofisticadas. A visão da instituição do nosso porte é de um foco em governança e qualidade extrema no ensino com cumprimento da regra. Focamos a qualidade para manter indicadores diferenciados no mercado.

O surgimento dessa nova instituição inviabilizará outras?
Em nossa missão, estamos preocupados com o melhor para nosso aluno. A melhor mensalidade, o melhor conteúdo, a melhor educação. As outras instituições não fazem parte de nossa missão. Nosso objetivo é realizar o projeto de vida do nosso aluno. Se a gente der um ensino mais acessível, de maior qualidade, atrairemos mais alunos. A oferta da Kroton e Anhanguera é diferenciada. Nossos alunos acessam um ensino de melhor qualidade e ainda contam com o Fies para financiá-lo. Essa prática democratizou o estudo superior.

Qual a importância do Fies?
É uma das políticas mais apropriadas e inteligentes do governo nos últimos anos. Uma das contribuições mais importantes à educação.

Por quê? 
Em outros países o pagamento à vista das mensalidades escolares no ensino superior é incomum. No Brasil, achamos que o Fies é o novo, mas na verdade ele é uma política dominante em outros lugares. É uma incongruência exigir renda de uma pessoa, que está começando a vida, para custear seus estudos. O Fies coloca o estudante brasileiro em condições semelhantes às de estudantes em outros países.

Então, o Fies é fundamental para as instituições particulares?
O Fies é fundamental para o aluno e para o governo atingir sua meta de 10 milhões de estudantes no ensino superior. Para a instituição não faz diferença. Recebemos a mensalidade seja à vista, pelo pagamento do aluno, ou financiada. O valor recebido pela instituição é o mesmo. O Fies viabiliza o crescimento do número de alunos no Brasil. Permite ao aluno, principalmente, o de baixa renda, financiar seu ensino em longo prazo. Isso, lógico, é uma oportunidade para as instituições aumentarem o número de seus alunos.

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