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Capa/Empregabilidade/Estados Unidos | Edição 198

Entidades acreditadoras validam funcionamento de cursos e medem empregabilidade; critérios são variados, dependendo da área de atuação

por Christina Stephano de Queiroz

© iStockphoto

Universidade Princeton (acima) monitora quantidade de egressos no mercado de trabalho e detalhes sobre as vagas conquistadas

Com um sistema diferente do brasileiro, em que o Ministério da Educação avalia e valida o funcionamento dos cursos de nível superior, nos Estados Unidos são as agências acreditadoras que se encarregam do procedimento. Mary Reeves, diretora da Commission on English Language Program Accreditation, explica que as agências são divididas em especializadas e nacionais. Estas últimas credenciam instituições que recebem recursos do governo federal – ou com estudantes cujas bolsas sejam concedidas pelo poder público.

“As faculdades vinculadas às agências nacionais, em geral, medem seus níveis de empregabilidade, algo que nem sempre acontece com as instituições associadas às especializadas”, explica Mary.

A Association of Specialized and Professional Accreditors – que representa cerca de 60 agências acreditadoras norte-americanas – sugere às organizações filiadas que controlem anualmente os índices de empregabilidade dos egressos, como forma de medir os resultados obtidos pelos cursos e programas de ensino superior. Apesar dessa orientação, a associação diferencia os cursos superiores voltados às formações mais básicas de outros que fornecem habilidades mais avançadas.

“Nas formações de qualificação mais complexa, os alunos provavelmente já estão empregados, de maneira que o indicador de empregabilidade não dirá muito sobre a sua qualidade”, ressalta Joseph Vibert, diretor executivo. Algumas agências acreditadoras vinculadas à associação estabelecem níveis mínimos de empregabilidade, porém isso não é uma regra, já que cada agência define os parâmetros de qualidade a ser observados e analisados nas faculdades em questão.

Para garantir a qualidade dos programas submetidos a seu processo de acreditação, a American Occupational Therapy Association mede anualmente não somente os índices de empregabilidade dos cursos de terapia ocupacional dos quais se encarrega, como a satisfação dos empregadores com os egressos. Heather Stagliano, diretor da associação, explica que as faculdades vinculadas devem coletar dados de alunos seis meses após sua formação, incluindo informações sobre seu desempenho nas companhias contratantes. “Cada curso que avaliamos coleta esses dados de forma independente, por e-mail ou telefone”, detalha. A associação orienta, ainda, as universidades vinculadas sobre a melhor forma de medir a satisfação dos empregadores. Esse procedimento pode basear-se, por exemplo, em perguntas que permitam à faculdade comparar o desempenho do seu egresso com o trabalho desenvolvido por um profissional formado em outras instituições.

Apesar de não determinar níveis mínimos de empregabilidade aos cursos de nutrição e dietética acreditados, o Accreditation Council for Education in Nutrition and Dietetics exige que as próprias faculdades estipulem e garantam esses percentuais. Mary B. Gregoire, diretora executiva da agência, esclarece que esses dados devem ser informados por meio de relatórios anuais.

“Cada programa pode determinar as métricas que deseja usar para avaliar quantos egressos estão no mercado laboral após 12 meses de formados”, detalha.

Responsável por reconhecer instituições que oferecem formações de primeiro grau em direito, batizadas de Juris Doctor nos Estados Unidos, o Council of the American Bar Association Section of Legal Education and Admissions avalia o desempenho de mais de 200 programas. Barry A. Currier, diretor da agência, explica que os responsáveis pelos cursos de graduação devem responder um questionário anualmente. As informações dos últimos três anos são compiladas e oferecidas ao público geral nos sites das instituições. Essa pesquisa identifica não somente se o egresso ou o aluno está empregado, mas também se seu trabalho é de período integral ou parcial e o perfil das empresas contratantes. “Não exigimos níveis mínimos de empregabilidade para acreditar as instituições, mas os programas de graduação devem fornecer esses dados como parte dos direitos dos consumidores, ou estudantes, a quem prestam seus serviços”, detalha Currier.

Agência nacional que acredita programas da área farmacêutica, a Accreditation Council for Pharmacy Education não considera os índices de empregabilidade como indicadores diretos da qualidade dos cursos, influenciados por outras questões de mercado. Greg Boyer, diretor de acreditação de programas profissionais, diz que a agência ainda não avalia a empregabilidade das faculdades vinculadas, mas pretende realizá-lo para ajudar futuros estudantes de farmácia a fazerem sua escolha profissional.

A ação das universidades

Por conta própria, as instituições mensuram, além da quantidade de egressos no mercado de trabalho, detalhes sobre a vaga conquistada, entre eles a região onde a empresa se situa, o setor em que atua e a remuneração recebida pelo profissional.

O departamento de serviços de carreiras da Universidade Princeton ajuda os alunos de graduação e pós-graduação a ingressarem no mercado e funciona nos moldes das iniciativas das instituições brasileiras. A universidade produz relatórios anuais para identificar a empregabilidade dos alunos e avaliar se os egressos atingiram os objetivos e planos almejados. Por meio de entrevistas e questionários, esse estudo identifica, ainda, o tipo de emprego encontrado, a extensão da jornada, se envolve empreendedorismo, se é no setor militar ou na área de esportes, ou se se trata de um estágio. Essas informações são levantadas conforme a área de cada curso, de maneira que é possível conhecer, por exemplo, as características dos empregos de tempo integral encontrados em cada setor da indústria, entre eles em serviços técnicos, no segmento de finanças, manufatura etc.

A Northwestern University publica um relatório anual com os níveis de empregabilidade dos seus egressos e detalhes sobre a vaga encontrada. Em 2014, identificou que 64% dos egressos possuíam empregos em período integral ou no setor público. Apurou, por exemplo, que, desse total, 18% atuavam nos segmentos de negócios, finanças ou no mercado de investimentos.

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