Afinal, o que funciona?

Depois de contrapor números reais e quebrar mitos do pedagogês, aponto algumas soluções

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“Também há método na minha loucura”, diz Polonius sobre Hamlet. Não foi por falta de sanidade mental que eu passei os últimos meses aqui – um economista solitário no meio de professores, contrapondo números ao pedagogês – tentando convencê-lo de que o problema da educação brasileira não é falta de investimento, nem o salário dos professores, que estamos muito mal e tendemos a piorar, que o desinteresse e indisciplina do alunado não é causa da má qualidade de nossa educação, mas sua conseqüência, e que a responsabilidade fundamental por contornar a situação dramática do nosso ensino não é de governantes, pais ou alunos, mas sim dos professores (e seus professores).

O objetivo dessa artilharia não era vencer a batalha, mas derrubar as baterias antiaéreas, para depois começar a invasão terrestre. Ou seja: quebrar mitos e trazer a discussão para o mundo real dos dados. Terminada essa fase, digamos, destrutiva, viria a fase mais construtiva: apontar soluções, discutir alternativas. Ocorre que acabei recebendo um convite irrecusável, de modo que aquilo que seria uma grande campanha terá de se restringir às poucas linhas desta coluna, a minha última.

Então, o que funciona? Aqui os economistas da educação temos de confessar ignorância. Ainda não chegamos – e acredito que nunca chegaremos – a um plano detalhado de ação em que se possa dizer ao professor o que ele tem de fazer para que seu aluno aprenda. Há, porém, uma batelada de estudos que analisaram o desempenho de alunos e seus professores em testes educacionais que permite identificar variáveis que aumentam o sucesso do ensino. São elas: conhecimento que o professor tem de sua matéria; utilização de livros didáticos; tempo em que o aluno passa fazendo dever de casa; uso do tempo de aula para exposição e discussões, em vez de tarefas em que o aluno trabalha sozinho. O tempo de instrução também costuma ter impacto positivo. Igualmente, o uso constante de avaliação. Em termos de organização escolar, aquelas em que os professores têm influência sobre o orçamento escolar vão pior do que as outras, mas as em que professores têm influência sobre os materiais a serem comprados vão melhor.

Escolas em que os professores têm, individualmente, influência sobre o currículo a ser ensinado têm desempenho melhor do que a média, e aquelas em que o currículo é determinado coletivamente ou por sindicato têm desempenho abaixo da média. O número de alunos por turma não parece ter efeito sobre o aprendizado quando se encontra entre 20 e 40.

Então, se você é professor e tem vontade de oferecer um ensino melhor aos seus alunos, eis o que a literatura empírica sugere: procure uma faculdade ou curso que dê maior ênfase ao conteúdo a ser ensinado e menos aos aspectos teóricos do ensino. Na escola, evite faltar, chegar atrasado, sair adiantado ou usar tempo de aula fazendo tarefas burocráticas (chamada) ou aquilo que o aluno pode fazer sozinho (exercícios, cópia de material). Encontre um bom livro didático e use-o bastante, pois o livro pode estruturar o processo e diminuir a margem de erro. Faça com que o aluno leia o livro em casa; use o tempo de aula para discutir, aprofundar, tirar dúvidas. Passe deveres de casa longos – e corrija-os! Faça com que valham pontos. Use provas com freqüência, inclusive as provas-surpresa. Isso força o aluno a estudar sempre e conhecer a matéria, em vez de decorá-la para uma data marcada. Não brigue com a sua diretoria ou a secretaria para diminuir o número de alunos por sala se você tiver menos de 40 alunos. Brigue para participar da elaboração do currículo e da compra de materiais.

E não desista! O futuro do Brasil está em suas salas e em suas mãos.


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