A prova do material didático

Em colégio de São Paulo, elaboração de apostilas para alunos do ensino fundamental 1 é, ao mesmo tempo, meio de avaliar professores dessa etapa

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No ensino fundamental 1 do Colégio Santa Maria, na zona sul de São Paulo, os alunos utilizam somente o material didático produzido por seus professores. Ao passo que formulação acontece dentro da própria escola, os docentes orientadores de cada disciplina aproveitam para observar o quanto os profissionais estão envolvidos com as turmas, a atenção deles em relação às dificuldades dos estudantes e as sugestões com o intuito de sanar dúvidas de um grupo ou de um discente específico.  “Todos os procedimentos para a elaboração das apostilas, por exemplo, já oferecem informações sobre como aquele professor trabalha. Tudo o que é feito é examinado pelo coordenador da área, que verifica se há coerência com a proposta da escola, sugere, critica, complementa e dá a devolutiva para o docente”, detalha a diretora da educação infantil e do ensino fundamental, Anne Veronica HornerHoe.

Além disso, há também reuniões semanais com o coordenador pedagógico da série, que analisa as metodologias, a forma como os docentes se relacionam com a sala de aula e os resultados. Seu papel também é deixar as outras séries a par do trabalho do grupo de professores daquele determinado ano. A professora Denise Maria Guaim Teixeira, que leciona matemática para o 5º ano, acredita que esse método garante o olhar para o processo ensino-aprendizagem por completo. Ao compor o material da disciplina junto com os outros professores, ela constatou que os alunos tinham dificuldades em certos conteúdos devido à abordagem. Então, procurou o coordenador da área e a direção, que levaram palestrantes para dentro da escola com a finalidade de ajudar os docentes a encontrar novas estratégias. “Nós reformulamos as apostilas, inserindo mais exercícios para tentar auxiliar o aluno especificamente com relação ao tema de grandezas e medidas”, relata.

O processo começa nas avaliações e nos simulados respondidos pelos estudantes. “Com base nessas verificações, nós olhamos para a nossa própria prática. Percebemos ali quais são os conceitos que o aluno deveria dominar àquela altura e não domina”, acrescenta Denise. Para ela, como a escola possui sete salas de 5º ano, essa tática permite analisar se determinada dificuldade é característica de alguns alunos, de uma turma – o que, por vezes, pode apontar para problemas de um determinado professor – ou de toda a série. “A avaliação do professor intimida, principalmente quando a pessoa não tem certeza de suas competências, mas, nesse caso, como é contínua e leva em conta o trabalho do grupo, ela permite sempre refletir sobre o que estamos fazendo”, opina.

Gustavo Morita
“A avaliação por meio da elaboração das apostilas garante o olhar para o processo de ensino-aprendizagem por completo”, Denise Teixeira, professora de matemática

Essa reflexão à qual se refere Denise é formalizada por escrito no fim de cada ano em um relatório de autoavaliação – aplicado há pelo menos 20 anos na instituição, segundo a diretora Anne. Os docentes da educação infantil e do ensino fundamental 1 respondem a cinco questões. A primeira delas é sobre qual a importância do “olhar” na relação com o aluno. A segunda é uma proposta de redação relacionando sua trajetória profissional e exemplos da prática cotidiana a onze características – chamadas de competências no documento: sensibilidade humana e educacional; ponderação; relacionamento interpessoal; desprendimento; iniciativa / flexibilidade; capacidade crítica; criatividade; organização / planejamento; cooperação; comprometimento; produtividade / eficiência. A terceira pede que disserte sobre como a ética e o engajamento em tornar a aprendizagem significativa permeiam sua postura e o trabalho. O quarto enunciado indaga como sair da zona de conforto, da passividade e da mesmice nas ações do dia-a-dia. E, por último, o professor é convidado a escrever suas metas para o ano seguinte.

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