A melhor estratégia

Manter os estudantes ligados à faculdade até o final do curso é algo que exige investimento, tempo e muita dedicação. Para facilitar a tarefa, …

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Manter os estudantes ligados à faculdade até o final do curso é algo que exige investimento, tempo e muita dedicação. Para facilitar a tarefa, especialista indica como elaborar um roteiro eficiente de ação

por Filipe Jahn

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Se atualmente captar alunos é uma tarefa com diversas estratégias de resultados comprovados, a retenção ainda é, muitas vezes, um mistério para o gestor do ensino superior. Mesmo entre os cursos bem avaliados, com boa estrutura e corpo docente e perspectiva de empregabilidade, as taxas de evasão não dão trégua. No Brasil, o índice geral de retenção é de 41,8%. Entre as regiões do país, o Sul é o que tem a maior taxa de concluintes (44,2%), enquanto que o Norte fica em último lugar, com 33,5%.

É com o objetivo de entender melhor o que quer o aluno e como mantê-lo matriculado na instituição que as Jornadas Regionais do Semesp trazem na sua programação a palestra da consultora Priscila Simões. O evento percorre ainda as regiões de Campinas, Marília, S. J. do Rio Preto e S. J. dos Campos.

A especialista reconhece que a retenção é um problema grave não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. “A diferença é que aqui ainda temos pouca bibliografia sobre o assunto, ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo”, comenta. Na opinião dela, o principal pilar da retenção é a seletividade. Quanto mais exclusiva a instituição de ensino ou o curso, menor a evasão. Por outro lado, cursos que formam profissionais com muita demanda, como os da área de tecnologia, sofrem com a concorrência do próprio mercado, que muitas vezes absorve o estudante muito antes da conclusão do curso.

Desse modo, raramente existe apenas uma causa para a baixa retenção. “Para conseguir atacar esse problema, você precisa agir em varias frentes ao mesmo tempo”, orienta Priscila. Ainda assim, é preciso entender que a evasão não se trata de um fenômeno natural, como muitos gestores acreditam. E, por consequência, o combate exige muitas vezes investimento financeiro. Para Priscila, as ações de retenção devem começar antes do período de matrículas. “Em todas as universidades há um número grande de alunos que se inscrevem, mas muitos não fazem o vestibular. Acho que já devemos tratar isso como evasão”, opina.

Antes, durante e depois
Lançar mão de um conjunto de dados que permitam visualizar o histórico das evasões de forma detalhada e comparar períodos comuns de êxodo dos estudantes é o primeiro passo para definir as entratégias de combate. Quanto mais variáveis forem analisadas, mais eficiente será a montagem do modelo preditivo, que torna possível prever quais são os alunos com mais chances de não completarem o curso.

Vale dar início ao processo já desde o momento da inscrição no vestibular. Nesse caso, a ação deve partir das áreas comercial e de marketing, por meio de um conjunto de atividades para incentivar o aluno a realizar o exame de seleção e experimentar a vida acadêmica na instituição. Organizar visitas aos campi, promover conversas com professores dos cursos em escolas são outras ações sugeridas.

Com o aluno matriculado e o início do curso, é hora de partir para a fidelização. Segundo a especialista, estudos demonstram que o problema da evasão diminui quando a instituição consegue criar laços afetivos com o aluno, fomentando a sensação de pertencimento. Nesse sentido, ele deve ser estimulado a participar e até mesmo a se envolver com a organização de eventos como trote solidário, recepção de calouros, festas e formaturas. Além de bons resultados, medidas como essa despendem pouco investimento.

Também é aconselhável acompanhar no decorrer do ano as faltas e possíveis problemas com o pagamento de mensalidade dos alunos. Esses dois indicadores são ótimos indícios para descobrir se algum estudante está prestes a deixar o curso.

Outra medida importante para manter os estudantes é conhecer os verdadeiros concorrentes do curso. Ao contrário do que o senso comum possa indicar, diversas vezes os gastos com a mensalidade não vão para outra instituição, mas para a compra de produtos e serviços. “Se o aluno perceber que o valor e o tempo não estão compensando, ele sai da faculdade e vai adquirir um celular, uma moto ou fazer uma viagem”, alerta Priscila. Nesse caso, a sugestão da consultora é partir para a melhoria da percepção com relação ao curso ou baixar o valor das suas mensalidades. “Entretanto, qualquer uma dessas alternativas custa caro e demanda um bom planejamento”, alerta Priscila.

Após a montagem do modelo preditivo e a detecção das probabilidades de desistência dos alunos, é hora de partir para a abordagem dos prováveis evadidos, entender as circunstâncias do problema e auxiliá-los no que for necessário. O canal de diálogo pode acontecer por meio de uma rede de suporte que conta com profissionais de diversas áreas: professores, monitores, coordenadores entre outros colaboradores administrativos. Conforme a situação, o contato pode ser por e-mail, telefone ou pessoalmente.

De qualquer maneira, Priscila avisa que todo planejamento e ação não deve depender apenas da equipe de marketing. Segundo ela, esse setor pode ser o coordenador das estratégias, que devem envolver a instituição como um todo. A especialista lembra ainda que nos Estados Unidos, por exemplo, é comum ter a figura do pró-reitor ligada ao combate da evasão. “Essas ações devem ser incorporadas às funções normais e cotidianas de forma a não serem abandonadas com o passar do tempo”, completa.

Frentes de combate
• Social: Envolvimento do aluno em eventos da instituição de ensino, como grupos de estudo e comissões• Acadêmica: Explicitar o que se espera do aluno e observar quais podem ser suas dificuldades de aprendizado• Financeira: Fornecer réguas de contato com pacotes de renegociação e propor capacitações em gestão do próprio orçamento

• Suporte: Montar cartilhas, oferecer atendimento presencial e on-line, tutorias e comunidades de aprendizagem

 

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