A experiência norte-americana

Curso de formação docente da Universidade de Stanford coloca alunos para discutir tudo o que é feito (e visto) em sala de aula

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Palo Alto é uma cidade localizada no interior da Califórnia, nos Estados Unidos. Ali fica a Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, que oferece o programa Stanford Teacher Education Program (ou STEP), reconhecido como um dos melhores cursos de formação docente do mundo. Apesar de receber uma quantidade muito maior de candidatos, a faculdade aceita uma média de 90 alunos por ano. Os estudantes, que já possuem bacharelado em áreas como inglês, psicologia ou matemática, são submetidos à preparação intensiva de um ano para lecionar nos anos iniciais ou finais do ensino fundamental. “E talvez um ano não seja nem o suficiente”, admite Rachel Lotan, diretora do STEP.


O pilar do curso é, mais uma vez, a interação entre a teoria e a prática. Pela manhã, os alunos atuam como auxiliares de professores das escolas da cidade. À tarde, voltam à universidade, onde discutem tudo o que foi feito e visto nas salas de aula. “Ontem estava ensinando os alunos a administrar a interação entre seus estudantes. Eles estão tentando e observando em sala de aula, e voltarão para me dizer: ”você disse isso e isso, e eu fiz, e aconteceu aquilo. Por quê?””, exemplifica Rachel. A supervisão é feita pelos professores de Stanford e por professores das escolas parceiras. Esse docente é apontado pela própria direção da escola e deve ter, no mínimo, três anos de experiência. Como ajuda de custo, recebe US$ 700 por ano (aproximadamente R$ 1.260). No que diz respeito ao acompanhamento feito pela universidade, os supervisores se reúnem semanalmente com um grupo de quatro a cinco alunos orientados por ele. Também acompanham algumas aulas e filmam 4 aulas no período de um ano, para avaliar a evolução de seus alunos.


O curso de Stanford, que dá o título de mestrado em educação, divide-se em dois subcursos: um direcionado aos professores dos anos iniciais e outro, dos anos finais. Uma disciplina digna de nota presente nos dois programas é a chamada “Administração da sala de aula”. Um dos tópicos abordados é a relação entre a escola e a família. Uma das tarefas, conta Rachel, é fazer três ligações “positivas” para os pais dos alunos. “Uma ligação positiva aos pais contando algo de bom sobre o aluno muda o comportamento em sala de aula e a relação do estudante com o professor”, explica. A premissa do STEP, diz Rachel, é que a administração da sala de aula (e a consequente autonomia docente nesse aspecto) parte de uma relação forte entre o professor e o aluno. “O mais importante é conhecer o estudante”, complementa.


Visitas



Durante os últimos dois anos, o programa recebeu visitas de países como Brasil, Hungria, Alemanha, Chile e Índia. Os visitantes têm o intuito de conhecer a experiência e, de alguma maneira, adaptá-la aos países de origem. Do Brasil, além da Fundação Lemann, participaram a Universidade Positivo (por meio da pró-reitora Márcia Sebastiani) e representantes da Universidade Anhembi Morumbi. Josefina Santa Cruz, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Chile, também acompanhou o curso. “O que mais chama a atenção é o trabalho articulado entre os alunos do STEP, o professor da escola e o supervisor da universidade. É uma tríade que funciona perfeitamente”, afirma.  

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