A cada um, sua função: organizar atribuições e processos de trabalho ajuda a escola a exercer melhor seu papel

Em evento na Casa Educação, em São Paulo, palestrantes falam sobre processos administrativos na escola e o papel do coordenador pedagógico

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Encontros Educação (foto: Gustavo Morita)

Como fazer com que o coordenador pedagógico deixe de passar o dia “apagando incêndios” e possa se dedicar a funções de planejamento? A resposta passa, necessariamente, pela organização das atribuições e dos processos de trabalho na escola. Essa discussão foi tema do terceiro Encontros Educação, evento promovido pela revista Educação para gestores da rede privada de ensino.

Para Roberto Prado, especialista da Corus Consultores na área pedagógica, o primeiro passo é criar um organograma claro e acessível, que mostre a todos como os cargos da escola se organizam. “É importante que ele esteja visível e que as pessoas se enxerguem nele”, diz o consultor. “Os funcionários devem ter uma visão clara da hierarquia, de quem é seu chefe direto. Não é pecado mandar – a questão é a forma como você manda.”

Roberto Prado (foto: Gustavo Morita)

O segundo passo é descrever e atribuir funções de forma clara e bem definida. “Pare e pense: do que eu fiz hoje, o que era de fato minha função?”, instiga Prado. “Se estou fazendo coisas que não são parte da minha função, é porque alguém está aproveitando ou batendo cabeça.” Nessa etapa, é preciso definir também quais são os critérios internos de avaliação profissional e de recrutamento. “A escola deveria entender, para si, a avaliação da mesma forma que ela quer que o aluno entenda: uma forma de saber onde melhorar.”

Com organograma e funções bem definidos, é hora de desenhar os processos, mostrando as pessoas que estão envolvidas, como elas interagem e quais suas atribuições. Para isso, não é necessário criar um fluxograma complexo, explica Prado. Uma tabela reunindo nomes, prazos e atribuições de cada envolvido costuma ser suficiente.

O que é um processo?

É um conjunto de ações que, se executadas corretamente, fazem com que um determinado objetivo seja atingido.

Tomando como exemplo o processo de compras de materiais para laboratório, o desenho do processo passa por responder a perguntas como:

1. Existe um formulário que o professor solicitante possa preencher? A quem ele deve entregar?

2. Há verba disponível? Quanto?

3. Quem aprovará a compra?

4. A portaria estará preparada para receber o material?

5. Quem ficará responsável por receber o boleto de pagamento?

Coordenador pedagógico: maestro ou bombeiro?

Renata Americano (foto: Gustavo Morita)

As funções do coordenador pedagógico foram o tema da palestra de Renata Americano, coordenadora de projetos especiais do Instituto Singularidades. “O que eu mais ouço são coordenadores dizendo que não têm tempo”, conta Renata. Os dias desse profissional costumam ser tomados por urgências que o impedem de se dedicar a uma questão fundamental: a formação continuada dos professores. A ideia, defende Renata, é de que essa formação conduzida pelo coordenador seja menos pautada pela técnica e mais relacionada ao processo criativo do docente – uma forma de buscar conectar de fato o discurso da coordenação com a realidade em sala de aula.

Mas como fazer com que o coordenador pedagógico seja, no dia a dia da escola, muito mais “maestro” do que “bombeiro”? É aqui que a organização de funções e processos defendida por Prado aparece como essencial: é preciso que outros profissionais na escola estejam preparados para atender, por exemplo, às demandas pontuais das famílias dos alunos sem recorrer sempre ao coordenador. Não se trata, contudo, de instaurar um mero bloqueio – os pais, tão acostumados a recorrer ao coordenador pedagógico, precisam encontrar nessas outras instâncias soluções reais para suas demandas.

+ Leia mais sobre o tema na edição de abril da revista Educação:
Os 4 principais desafios do coordenador pedagógico

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